sábado, 17 de junho de 2017

Felicidade

Seguindo com os títulos de sentimentos, não tinha muito como fugir desse. É engraçado pois percebi a sequência depois que postei o segundo título. Não foi proposital, mas… Funcionou. Semana passada saí daqui me sentindo ansiosa e com medo, no entanto, como a maior parte das coisas que eu queria fazer foram feitas com sucesso, o dia valeu e muito. Por alguns momentos me arrependi de ter ido de vestido e decidi que na próxima, vou com calça jeans mesmo. Jeans é vida. E me faz feliz. Não que vestidos não me façam feliz, mas acho que demorei tanto tempo da minha vida pra usar um que hoje sinto um pouco de dificuldade de me adaptar a eles. A abordagem do guarda e sua frase “pelo jeito que descreveram, achei que ia encontrar algo pior” faz com que eu pense que a minha felicidade transborda tanto que faz com que as pessoas sintam inveja. Se fosse em outro momento eu realmente ficaria me perguntando se eu estava errada. No entanto, a felicidade que eu senti foi tamanha que nem a bronca do guarda conseguiu me tirar daquele estado.
Juntando um sábado agradável com uma semana curta graças ao feriado e fica difícil de fugir da felicidade. Eu li mangás que, apesar de terem histórias um tanto tristes, eram muito fofas. Comecei a ir na Igreja Universal. Não sei como se chama a celebração religiosa que eles fazem lá. Missa não deve ser, culto também não parece. De qualquer forma, é bom ir lá e ouvir a pregação. Faz eu me sentir bem. Ainda mais q posso ver a Liliane. Ela também é um dos motivos que me faz sentir feliz ultimamente. Ela é minha amiga que casou, no qual eu fui a única amiga que ela convidou. E depois do casamento ela teve uma filha. Por motivos óbvios, nos afastamos. Quem sou eu pra ficar insistindo em pedir atenção quando a pessoa tem um bebê pra tomar conta? No entanto, depois da morte da minha mãe, ela prometeu estar mais presente na minha vida. E houve certo momento em que ela me pediu desculpas por ter ficado tanto tempo longe. Eu entendi e respeitei isso, no entanto, ela se desculpou mesmo assim. O mesmo acontece hoje com meus amigos que estão pra casar. Eles me pediram que não chamasse eles para fazer nada, pois a parcela do casamento ficou cara. E assim tem sido. Estou esperando pacientemente até que eles me deem algum sinal de que posso me aproximar novamente. Conhecendo os dois, provavelmente isso leve alguns anos. Mas tudo bem, pois eu finalmente consigo procurar abrigo, conforto, apoio e atenção em outras pessoas. Em várias pessoas. Acho que a mudança mais importante que aconteceu nos últimos tempos foi essa, aprender a me apoiar em outras pessoas, em várias pessoas, aprender a dizer não, mesmo que eu não tenha de fato dito não para muita gente. O vazio com que a Liliane anda tão preocupada já faz tempo que não existe. Talvez um pouquinho, mas estamos trabalhando nisso. Meu potinho de pequenas felicidades, que anda parado e deixado de lado desde certo evento da minha vida esse ano, já pensou em ser revivido várias vezes. Talvez quando julho começar eu volte a adicionar as pequenas felicidades. Tenho certeza que elas acontecerão. Uma página foi virada. Que comecem os novos tempos.

sábado, 10 de junho de 2017

Medo

Verdade seja dita, todas as pessoas têm medo de alguma coisa na vida. Viver, morrer, casar, divorciar, namorar, estar sozinho, mudar de emprego, perder o emprego. Existem medos que a pessoa não tinha quando era criança, como por exemplo nadar, e que se desenvolveram com o tempo e a vivência. Pelo simples fato de que você perde a inocência de criança e começa a conhecer os medos reais do mundo. Ou mais simples que isso, você deixa de acreditar nas suas capacidades. Já existem medos que você tem quando pequeno, como medo de escuro, e que se perdem com o tempo seja por você ter entendido que não existe nada de ruim que vai sair do escuro ou seja porque seu abajur resolveu parar de funcionar e você se acha muito adulto pra continuar dependendo dele, e resolveu vencer o medo de escuro. Já existem medos que te acompanham desde criança e que mesmo você tendo crescido, ainda estão com você, pois você não conseguiu enfrentar esse medo. Como o medo de altura, quando você vai, por exemplo, atravessar uma passarela e vê os carros passando lá embaixo. Ou o vento sopra. E por algum motivo bizarro, mesmo que você não pense nisso, você tem a sensação de que vai cair a qualquer momento. Me pergunto se todas as pessoas que morrem atropeladas na dutra escolheram arriscar a vida no chão do que atravessar uma passarela por terem medo de altura. Pensei nisso agora, enquanto escrevia. A vida tem dessas também.
No curso de autoconhecimento falaram com todas as letras que uma das coisas na vida que mais nos impede de viver é exatamente o medo. Meu medo mais recente é o de dar certo. E de dar errado. E de machucar alguém por conta das minhas experiências de vida, que apesar de não terem sido tantas assim, me trouxeram aonde estou hoje e fizeram de mim a pessoa que sou hoje. Com meus medos e defeitos e qualidades e força. “Se você sente medo não se permite viver”. É verdade. Estou me permitindo tentar mas não significa que o medo não está lá. Hoje tenho que ter uma conversa muito importante com uma pessoa e isso pode ser bom ou ruim. Estou morrendo de medo mas sinto que se não fizer e deixar que as coisas continuem como estão, ambos vamos nos machucar muito. Eu ia adicionar um “no fim, pois tudo sempre tem um fim”, mas esse pensamento também foi fixado em mim pelo fato de eu ter medo de continuar tentando. Eu poderia apontar dedos e culpar pessoas e situações e sonhos entre tantas outras coisas que existem no mundo real e no imaginário para justificar cada um dos meus medos, mas isso seria dar mais força para cara um deles. E não é isso que eu quero. Quero poder viver feliz. E mesmo que eu sinta medo, quero poder ter a força suficiente para não permitir que esse medo estrague minha vida.
Neste exato momento, mais que com medo, me sinto ansiosa. Tenho várias coisas que preciso fazer. Tenho várias coisas que preciso dizer. E tenho medo, muito medo do resultado de tudo isso. Hoje, muito provavelmente, será um divisor de águas. Os ponteiros do relógio se movem. E eu também preciso me mover. Para mim e para você que lê meu blog, deixo essa mensagem: Com medo ou sem medo, só vai.

sábado, 3 de junho de 2017

Raiva

É engraçado como o tempo vai passando e eu vou tendo que postergar alguns assuntos que quero falar no blog por assuntos que me afetam diretamente ou indiretamente e que tomam a dianteira na lista de prioridades. Essa semana, diferente de uma obrigação moral comigo mesma, o motivo foram os acontecimentos externos que me irritaram o suficiente pra que eu tivesse que escrever. Vamos aos fatos?
Aconteceram várias coisinhas que me deixaram com a impressão que insisto muito para que as pessoas dependam de mim, e lembro da minha psicologa ter dito mais de uma vez que eu não preciso dar apoio pras pessoas se não me sinto bem, nem que é uma obrigação minha fazer isso. Ainda assim, em alguns casos, penso que seria melhor ajudar do que ficar quieta. Penso que eu realmente tenho que ajudar. Sem pressão, logicamente. Mas se a pessoa prefere se esconder dentro de uma concha, não tem nada q eu possa fazer. Eu sou do tipo q quando tem problemas prefiro dividir. Mas também já provei pra mim mesma que quando não sei direito com quem dividir isso acaba trazendo problemas. É assim que vai. Tenho que tomar cuidado com as pessoas com quem falo, mas gosto de falar. O que faz?
Então, no dia 31, resolveram fazer uma reunião do mês na agência. Não que realmente a gente faça todos os meses, mas não é como se eu me importe de ter ou não ter. Os assuntos acabam sendo sempre os mesmos. Pontualidade, pesquisas, rendimento, essas coisas. O problema é que quando falávamos da PNAD, a pesquisa da qual faço parte de fato, mencionaram minhas férias. Lembro que coloquei ela no mês de julho exatamente por ser uma semana de pausa técnica. O problema está na semana seguinte, que agora se tornou uma semana que tem 4 setores. Então recebi a “ordem” da minha antiga chefe de que devo mudar minhas férias. E ouço comentários de todos os lados de como as pessoas na agência querem participar da PNAD também. Quando ela era feita pela Juliana e pelo Jonas ninguém queria participar dela. Quando eu e o Giorgio começamos a fazer a pesquisa, lembro claramente do tanto que ele reclamou de ter sido posto naquela pesquisa. No entanto, o tempo passou, fomos nos aperfeiçoando, a pesquisa passou a funcionar rotativamente e agora ela praticamente funciona sem problemas, sem termos que ir aos sábados na casa de informantes que não nos responderam ainda para tentar conseguir alguma coisa. Agora, todo mundo quer fazer parte da PNAD. E agora, tenho que ouvir também comentários das pessoas do tipo “faça suas anuais estarem em dia para que possa ir na PNAD”. Concordo em parte com isso já que a pesquisa bruta do pessoal da agência é exatamente as anuais, no entanto não precisava ser dito dessa forma. As pessoas na agência, quando entraram, pareciam ser muito gentis e muito boas. Com o tempo, as reais cores vão se mostrando. E minha raiva com os acontecimentos recentes fez com que eu aceitasse uma ideia que me foi dada em uma conversa no café da manhã. Falei com meu supervisor de como, já que toda essa gente quer ir fazer pesquisa, mandar eles irem em fazer a abertura do Supremo ou a última da viela das Marmelas. Aposto todas as minhas fichas que eles vão desistir de querer fazer PNAD rapidinho. Eles nem conseguem aturar recusas e maus tratos das pessoas das empresas com quem eles têm que lidar pelo telefone, acham mesmo que vão conseguir lidar com as pessoas da PNAD? Boa sorte! Continuem sonhando.

Falando em pessoas novas, finalmente aceitaram a vaga do Gabriel. Já faz mais de um mês. No primeiro dia ela já foi instruída pela nossa “gerente” em como fazer as pesquisas mensais. Ontem eu resolvi falar sobre as pesquisas anuais que tenho tomado conta e que, ironicamente, todos na agência sabiam, menos a Nadir e a Lara, que disseram na reunião não ter a menor noção de que eu estava tomando conta das empresas. Segundo elas, quem estava tomando conta das empresas dele eram elas. Claro, com certeza. No entanto, conforme ia explicando pra ela como fazer, percebi os olhares da nossa gerente para nós. E não demorou muito até que ela viesse de seu lugar até a mesa da novata para tomar as rédeas e dizer como ela faz. Pois apenas o jeito que ela faz é o certo. E eu desisti de falar qualquer coisa. E saí pra fazer o meu trabalho de fato. E pensei que eu devia falar tanto com a gerente como com a antiga chefe sobre como elas dizem que eu estou brava ou que eu vou ficar brava sendo que elas provocam tanto. Precisava ir interromper a conversa? Não podia esperar eu terminar de explicar pra, aí sim, ir lá e ver o que tinha sido explicado e explicar do jeito dela? Até dizer que o jeito que eu faço minhas anotações está errado ela disse, sendo que as anotações sempre foram feitas daquele jeito. “Não existe uma barra de rolagem”, ela disse. “Precisa colocar as mais novas em cima”. Argumentei que nunca é preciso escrever tanto a ponto de precisar de uma barra de rolagem e ela respondeu que ela escreve muito. Ainda acho que não vai precisar. Espero muito que não precise. Começo a ficar preocupada com o momento em que eu tiver que sair da agência. No entanto, vou desistir de pensar nisso neste momento. O que eu sei, de fato, é que estou com raiva. Raiva das pessoas, o que é pior. Preferia mil vezes que fosse com o trabalho, pois a raiva com o trabalho passa bem fácil, já com as pessoas...

sábado, 27 de maio de 2017

Do Nome Gaveta

A verdade é que eu tinha outros planos sobre o que escrever hoje. No entanto, amanhã faz um ano que eu comecei a escrever para o blog semanalmente. Não que eu tenha realmente postado todos os fins de semana, mas eu me esforcei bastante e, pra ser sincera, estou bastante orgulhosa de mim mesma por ter conseguido manter minha determinação de continuar. Logo eu que tenho o costume de desistir tão fácil.
Quando escrevi pela primeira vez expliquei sobre um autor, um conselho e uma vontade. Não preciso falar sobre eles novamente para justificar o nome dessa sessão do blog. No entanto, existe uma explicação para o nome Gaveta que é bastante interessante. E eu fiz questão de esperar o “aniversário” da sessão para explicar o por quê. A intenção inicial era chamar de lixeira, já que o conselho tinha sido escrever tudo para limpar o cérebro. No entanto, eu sou uma daquelas pessoas que tem muita dificuldade de jogar coisas fora. Tenho plena noção disso. Por isso o nome se transformou. Gaveta.
O que é uma gaveta? Um compartimento de algum tipo de móvel onde você guarda coisas. Na cozinha, talheres. No quarto, roupas. Na memória, lembranças. Não significa que você vai usar todo o conteúdo daquela gaveta ao mesmo tempo, nem que vai, de fato, usar. Você só precisa de um lugar pra guardar, pois acredita que algum dia pode precisar deles. É assim que foi com essa sessão. Ela começou como uma brincadeira e foi crescendo, foi ficando difícil e dolorida de escrever, por alguns momentos eu nem queria de fato escrever e, realmente, não escrevi. Mas o esforço está registrado aqui e pode ser visto por qualquer um que se importe. Vou continuar me esforçando pra conseguir escrever mais coisas além da gaveta. Já está passando da hora do lixo dar espaço pro que eu realmente preciso escrever, por mais q eu tenha perdido todas as anotações q eu tinha com a formatação do PC.
E você? O que guarda nas suas gavetas?

sábado, 20 de maio de 2017

O Próximo Passo

Já faz um tempo que meu trabalho tem pedido mais de mim do que eu estou acostumada. Isso por querer ajudar demais, e ainda ter que ouvir reclamações por estar ajudando. Bem, que posso dizer? Parece que, nos dias de hoje, pedir ajuda é o mesmo que ter que se humilhar. Eu entendo bem essa sensação, pois quando era mais nova sempre preferi fazer tudo sozinha do que ter que pedir ajuda. É um ciclo longo e demorado aprender a pedir ajuda. Mas com treino e persistência, se consegue.
Minha psicóloga me questionou sobre qual seria meu próximo passo após eu ter lhe contado como a última vinda daquela pessoa para a cidade foi. Vira e mexe, pessoas, situações e comentários me fazem lembrar dele. Como no dia que fomos coletar dados de divórcio e reparei no nome do casal que estava se divorciando: Luciana e Jorge. O divórcio saiu em Fevereiro. Ele foi embora em Março. Pra mim, funcionou muito bem. É como se algo tivesse se quebrado por dentro, e ao contrário do que eu pensei, fez muito bem. Como meu caro amigo Gilson me disse certa vez, enquanto eu ainda sofria, “você já sobreviveu à dores mais fortes”. E ele tem razão. Não importa quão importante ele tenha sido na minha vida durante o período em que esteve nela, este período chegou ao fim. Não do jeito que eu queria, mas agora, ele será como tantas outras pessoas que passaram pela minha vida e que verei muito raramente e só quando a pessoa quiser. E me lembro das pessoas que cuidam tão bem de mim quando eu vou pro Rio de Janeiro. É, ele será assim. Provavelmente.
Meu próximo passo tem a ver com minha busca pessoal por Deus. Com meu desejo de poder fazer massagens nas pessoas e ganhar um pouco de dinheiro com isso, além de trazer alívio pras pessoas. Tem a ver com meu pai e meu irmão conseguirem se sentir melhor a respeito da minha mãe, ao ponto que consigam, como eu, falar dela e pensar nela sem ficarem com os olhos marejados. Com poder arrumar meu quarto ao ponto de que ele pareça um lugar habitável o bastante para uma pessoa humana normal. Com ver as pessoas que eu gosto de tempos em tempos pra ir no cinema ou mesmo que seja só pra conversar sem precisar me preocupar (muito) com o dinheiro ou com o tempo. Tem a ver com ir na praia num fim de semana e não chover, já que ainda estou me devendo esse prêmio por ter conseguido terminar o curso de massagem. Com escolher outra meta, talvez estudar pro Enem e passar com uma boa nota pra que eu consiga ao menos pensar em estudar no ano que vem sem me sentir muito culpada por querer isso. Talvez, quem sabe, começar uma academia quando o IBGE se mudar, seja lá pra onde, afinal, vamos nos mudar. E tem a ver com querer ser feliz com a pessoa que me ama, pois apesar de não saber até onde poderemos ir, nem até onde conseguiremos ir, eu quero ser feliz com ele, pois nós dois merecemos isso. Como quando falei para aquele rapaz que também era jovem, mesmo que eu seja apenas uma ponte, ele se mostra disposto a tentar. Então, por que não?
O próximo passo é só mais um passo de uma longa jornada e de uma longa busca. Se essa busca vai acabar algum dia, eu não sei. Provavelmente no dia de minha morte, pois como a humana que sou, morrerei. Um dia. Qualquer dia. Mas não hoje. Hoje eu estou indo atrás da minha felicidade. E este é meu próximo passo.

sábado, 13 de maio de 2017

A Criança Perdida

Essa semana quando fui pro curso de terça e estava saindo da aula, encontrei a Liliane e, enquanto ela me levava até o lugar em que estava trabalhando naquele dia, vi a filha dela correndo em minha direção com os braços abertos. E isso me lembrou como eu era quando era criança. Na verdade, eu demorei bastante pra amadurecer, tanto que até os 14 anos eu ainda agia como uma. É só lembrar de como eu corria feliz até as pessoas para alcançá-las e dizer oi. Ou como eu abanava a mão no alto para que uma pessoa que eu conhecia me visse do outro lado da rua. Ou como eu não sabia o que era masturbação, nem várias coisas relacionadas ao sexo, mesmo com várias garotas ao meu redor ficando grávidas e tendo filhos. Lembro como eu me choquei quando a pessoa grávida foi uma das minhas amigas próximas e como ela me disse para eu não fazer “aquela cara” (de espanto no caso).
Essa semana também aconteceram várias coisas que me fizeram pensar em como as pessoas ao meu redor também são. Crianças no caso. Mas eu não tenho coragem de dizer isso em voz alta, pois me faz lembrar do Fabrício e de como ele me disse que era “uma criança” e se eu realmente sentia “o que dizia sentir” por ele. É como se a idade fosse uma barreira. E é, eu passei a ver como uma barreira depois daquilo. Uma coisa é você ter 18 anos e gostar de um garoto de 14, outra é ter 31 e gostar de um garoto de menos de 20 anos. “Idade é um número”. Queria eu que fosse só isso mesmo.
Sempre fui da opinião que não gosto muito de bebês. As pessoas olham pra eles e acham eles fofos, mas eu só consigo ver o choro e a incapacidade de falar para me comunicar o que está doendo para ele estar fazendo aquele berreiro. Ao contrário, as pessoas reclamam de crianças, pois elas correm, falam, fazem birra e ainda choram. Eu prefiro assim, pelo menos posso perguntar o motivo do choro, correr atrás e ainda consigo pegar no colo. E não é como se correr atrás de uma criança fosse tão difícil assim, convenhamos. Nossas pernas são bem maiores que as deles. E eles têm aquela inocência que nos falta.
Não é que não exista a inocência nos adultos. Existe, mas não é nem um pouco comparável à das crianças. Se eu pudesse, protegeria essa inocência até onde me fosse possível. Mas nos dias de hoje, não é tão fácil. Quando penso nisso, lembro daquela menina e de como mataram a inocência dela. E do que ela se tornou. E de como eu ainda não consigo aceitar que tudo isso está acontecendo. Foi por esse e outros motivos que decidi cortar laços definitivamente, tanto com ela quanto com a pessoa que a ama. Não adianta que eu me preocupe, não adianta que eu queira ajudar, não adianta que eu tente colocar nada de bom ali, pois nada de bom vai sair dali caso eu adicione algo. E não quero levar patadas. Mais patadas do que já levei. Existem limites. Mas isso aqui continuará em outro post. Este é sobre a criança dentro de nós.
No fim das contas, acho que um dos motivos que gosto dessas crianças é por elas terem uma inocência que não encontro mais dentro de mim. Por sentir falta dela. Por ver neles algo que eu ainda queria ter. Mesmo que nos dias de hoje seja muito mais difícil preservar esses sentimentos bons que eles têm, quero fazer tudo que estiver ao meu alcance para manter isso. Pois isso era tudo que eu tinha, e agora está perdido. Amanhã é dia das mães, e a minha não está aqui para me dar o abraço que a criança dentro de mim precisa. Aos poucos, sinto que essa criança vai morrer, pois não existe mais a fonte que a alimentava. Está na hora de crescer. De abraçar a vida adulta. De ter responsabilidades. Goodbye my friend.

sábado, 6 de maio de 2017

Relações Humanas

Se eu tivesse que escolher como começar este post, diria que tudo aqui faz parte um pouco da pessoa que eu sou, das relações que cultivo e do como o mundo olha de volta pra tudo que eu faço. Não sei como são todos os frutos que colho, mas quero dividir alguns dos mais recentes com vocês leitores, para terem uma ideia do que é uma vida. A minha vida no caso.
Você fica irritado com uma pessoa e vai afastá-la de você mais do que o normal. E vocês vão ficar um tempo sem se falar, mas isso é normal, é o tempo que você precisa pra que as coisas voltem pro seu lugar. E quando elas voltarem, vocês vão poder falar normalmente. No entanto, o normalmente não vai ser tão normal assim, pois você, melhor do que ninguém, sabe o que não pode fazer pra não desandar as coisas de novo. É tudo questão de você querer agir nessa direção.
E você terá uma amiga que quer te trazer mais perto de Deus, e vai começar a te pedir pra aparecer na igreja, e te apresentar pessoas, e te falar de coisas que aconteceram com ela. E ela é a pessoa que você julgava mais forte que qualquer outro. No entanto, ouvindo suas palavras, sua confissão, vendo suas lágrimas e sentindo sua dor, você percebe que ela é uma pessoa comum, como qualquer outra pessoa, e percebe também que você não é tão fraca assim. Mas eu já falei do como eu sou forte e não percebo em outras situações...
Essa mesma amiga te diz que você se doa demais e que não é ruim que você seja egoísta e pense em você mesmo. Ou que você recuse ajudar os outros por estar se sentindo sem condições. Mas eu também já ouvi isso da minha psicóloga e continuo não tendo um limite muito claro de até onde posso me doar. A verdade é que, quando penso a sério nessa situação, acho que dôo muito pois tenho muito mais pra doar que os outros. Prefiro pensar assim do que achar que estou doando mais do que devo. Se eu acho que está me afetando eu vou parar, não se preocupem.
No dia seguinte você tem que trabalhar mas uma das pessoas que te é especial te pergunta se você já está indo dormir e você diz que não. Isso resulta numa longa conversa sobre a vida dessa pessoa, que se extende até as 3 da manhã do dia seguinte. E apesar de você saber que é uma situação isolada, no dia seguinte você fica esperando poder conversar de novo, mesmo sabendo que você tem que trabalhar no dia seguinte e que ele não vai poder falar.
No seu trabalho existem várias pessoas com quem você tem que conviver, querendo ou não. Se você é eu, você aceita, afinal, é muito mais fácil aceitar que elas farão parte da sua vida do que relutar e tornar a convivência uma coisa massante. E uma das pessoas que entrou não faz muito tempo te informa que vai se mudar e que, por conta dessa mudança, terá que abandonar o posto. E isso te dói, pois ele é uma das pessoas com quem você se dá bem e com quem você gosta de conversar. Mas não tem muito que se possa fazer, só aceitar. Aceitar é sempre o caminho mais fácil.
Por fim, você está conversando com alguém sobre pessoas e relacionamentos e confissões e essa pessoa te diz como, apesar de tudo que você diz e disse, ele ainda tem dificuldades de falar, pois é tímido. Então você pergunta se essa pessoa é você, pro que uma longa espera resulta num sim. Fazia tanto tempo que eu não sabia o que era ter alguém gostando de mim que, honestamente, eu não sei nem como reagir direito. No entanto, fiquei feliz e agradeci no dia seguinte, quando lembrei. Acabei fazendo a mesma pergunta que aquela pessoa me fez quando conversamos, logo após eu ter deixado claro como me sentia. E como eu respondi na época, ele preferiu que eu continue como sou e eu vou atender esse pedido, pois sei bem porque ele prefere assim. No entanto, fico preocupada. Também sei a dor que é gostar de alguém. E começo a pensar que tenho que resolver minhas pendências com outras pessoas pra saber como agir com ele. Isso me faz lembrar de quando eu disse pra um dos caras que passou na minha vida como eu era apenas uma ponte pra que ele encontrasse alguém melhor. Tenho plena consciência de onde estou situada e não vou me iludir demais. Vamos nos libertar e libertar aos outros. Ninguém gosta de ficar preso, não é mesmo?