domingo, 20 de novembro de 2016

Pressão

Sexta-feira saí pra beber com o Jonas depois de sei lá e quanto tempo sem ter essa oportunidade. Foi ótimo, pois o Jonas, diferente de um psicólogo mas do jeito dele, faz com que eu pense. Dessa vez nossa conversa girou em torno de pressão. Que pressão, alguém pode vir e perguntar. Pois bem, eu explico. Desde que eu entrei de férias coloquei na minha cabeça que devia fazer todo o possível para não ver o Giorgio. Acho que comentei como ele ter ido embora sem se despedir direito no meu último dia antes das férias me afetou de uma forma ruim, de como meu cérebro cruel quis colocar a culpa nele por eu ter um esquema para ficar sozinha, sendo que eu mesma tenho consciência de que não é assim, de que a culpada mesmo sou eu. De qualquer forma, a ideia de ficar longe dele pareceu ser a melhor de todas as que eu podia ter para evitar qualquer tipo de mal entendido. Acontece que meus colegas de trabalho percebem e comentam. "Ele estava do outro lado da rua na segunda quando você veio buscar seu equipamento de trabalho" ou "Vimos ele na quarta" são comentários comuns que são feitos o tempo todo. Não vejo como maldade da parte dos meus colegas de trabalho, mesmo que eu não diga acredito que sou transparente demais para que eles ao menos desconfiem do que se passa pela minha cabeça e meu coração. E finalmente chegamos à pressão.
Segundo a teoria do Jonas, quando eu crio expectativas eu acabo criando também uma pressão na pessoa alvo da expectativa. Não precisa se ser um gênio pra entender isso. Eu criei expectativas pra praia, isso gerou uma pressão no Leandro e, pra piorar o quadro, houve a decepção de quando ele cancelou. Minha psicóloga estava feliz que estou começando a tomar conta de mim e fazer coisas por mim. Ela também percebeu que agora eu estou fazendo o possível para ficar longe do Giorgio sendo que, antes, eu saía do meu caminho pra estar perto dele. Houve a cogitação dele não ter percebido que eu queria falar com ele no meu último dia de trabalho mas falei pra ela de como eu tenho certeza que ele sabia. Ele tem uma percepção muito boa quando se trata de mim então tenho certeza que ele sabia. Mas é uma opção que ele tinha, não uma obrigação: me ouvir. E ele escolheu não me ouvir. Verdade seja dita, até essa sexta eu não sabia como reagiria quando o visse de novo, mas depois da conversa sobre pressão eu consigo imaginar alguma coisa. De certa forma tirou um peso da minha consciência. Ele é meu amigo. É um colega de trabalho. Se eu focar apenas nessas condições acredito que consigo lidar com a volta dele. Acredito que consigo vê-lo sem surtar ou querer correr e me esconder. Óbvio que se eu tiver a opção de não vê-lo até o fim das férias dele, eu prefiro. Mas com tantos comentários de que viram ele vários dias perto do trabalho devo me preparar pra isso.
Perguntei ao Edgar se ele ja tinha se sentido pressionado por mim. Ele disse que sim mas não soube explicar quando e por quê. Falei que tudo bem, que ele não precisava fazer um TCC sobre o assunto. Na verdade acredito hoje que o que eu faço é cruel. Essa pressão deve ser horrível pra quem sente. Tenho que trabalhar nisso.

sábado, 12 de novembro de 2016

Enroscos

Minhas férias acabaram, finalmente. Pensei que quando elas de fato terminassem que eu me sentiria triste, deprimida, magoada mas, de fato, tudo que venho sentindo é preguiça. Voltar ao cronograma normal de acordar cedo, ainda mais quando uma gripe acompanhada de pulmão cheio te atacaram, é um tanto mais penoso do que eu esperava. Ainda assim, voltar me fez um bem que eu não consigo quantificar. Ainda tem algumas pessoas que insistem em perguntar sobre ele, se estou bem sem ver ele por tanto tempo. E eu continuo dando a mesma resposta que dei quando entrei de férias: estou.
Desde que combinamos nossas férias eu já sabia que ficaríamos sem nos ver por um mês e meio. Também sei que, quando ele voltar de férias, não teremos muito tempo de convivência mútua de novo até que eu tire o resto das minhas férias. É algo que eu já aceitei, é algo que eu já sabia e é algo que eu queria. A vida é feita de escolhas e as minhas, pelo menos no que diz respeito ao fim do ano, foram muito bem planejadas. É óbvio que eu não fazia ideia de tudo que ia acontecer nesse período, mas no fim das contas tudo está seguindo o fluxo normal dos acontecimentos. Mesmo aqueles que eu não deveria ter deixado acontecer.
Uma das coisas engraçadas das férias terem terminado é que agora eu recebo ofertas de coisas pra fazer que não recebi enquanto estava de férias. Jonas me chamou pra beber na sexta, apesar que ambos achamos melhor cancelar por causa do meu estado de saúde; "vamos na semana que vem" foi o que acordamos. Renilda, que é uma das melhores pessoas que entrou na minha vida graças a esse emprego, me disse q se soubesse que eu estava precisando tanto de sair, teria me chamado, e não obstante, me chamou para ir no aniversário da filha dela. Apesar que vou ter que ligar pra ela e explicar que não melhorei o suficiente pra ir. Imagina o risco, um monte de criança e eu com gripe? Não é algo muito legal. Também conversei bastante com o William que é um dos meus colegas de trabalho. Ele é uma daquelas pessoas que insiste em falar do Giorgio pra mim. "Você viu ele na segunda? Ele apareceu do outro lado da rua, ainda acenei pra ele". Agradeci que não demorei pra pegar o DMC naquele dia, pois segundo o horário que ele falou, foi bem perto da hora que eu tinha passado lá pra buscar as tralhas. Existe dentro de mim uma voz que diz que isso que estou fazendo é fugir, pode até ser, mas quem decide sou eu. Eu estava de férias, agora as férias são dele. Da mesma forma que insisti em uma forma dele poder me pagar o que devia sem que tivéssemos que nos ver, insistirei em continuar sem encontrá-lo durante suas férias. Eu disse isso antes, "te dar espaço é a única coisa que posso fazer por você", continuo acreditando nisso.

Não sendo isso o suficiente, Edgar ter voltado pra minha vida esta fazendo com que meus sentimentos estejam atormentados. Minha raiva fez com que eu pedisse pra que ele não falasse comigo por uma semana. Nem um dia depois eu já estava me arrependendo e pedindo pra que ele voltasse a falar comigo. Falei que queria me apoiar nele, apesar de não poder. Ele disse que eu não só podia como devia e prometeu que conversaríamos. No entanto, a conversa nunca aconteceu. E nos desentendemos de novo. Dessa vez acho que vou simplesmente tomar um atalho mais rápido e voltar à proposta inicial de não falar com ele. Fui eu que desisti, não fui? Posso muito bem mudar de ideia e ficar quietinha aqui no meu canto. Não é como se essa fosse a primeira vez que eu tivesse que passar por isso. Nem a primeira, nem a última.

sábado, 5 de novembro de 2016

Esquemas Traiçoeiros

Uma das coisas tristes de se ser eu e de se estar passando pelo que estou passando é que quanto mais penso, mais miserável me sinto. Não estou me forçando a ficar sozinha mas ao mesmo tempo me sinto mais sozinha do que nunca, e isso é preocupante. Vejo meus amigos e o que eles fazem ou, no caso aqui, o que eles deixam de fazer. Minhas férias estão acabando, semana que vem volto à minha rotina normal. Sinto como se quase não tivesse aproveitado esse tempo, várias coisas continuam pendentes e precisando de resolução, no entanto, algo de bom saiu de todo essa caos.
Fui para Campinas na terça-feira assistir o "Eu lidero!" de Wendell Carvalho. Nunca tinha ouvido falar sobre esse homem até aquele dia. E em nenhum segundo me arrependi de ter ido até lá. Ele estava falando de como conseguiu perder gordura para ganhar massa muscular e eu soltei meu famoso "ah vá", nunca pensei que ele teria a reação que teve. Ele olhou direto nos meus olhos. Sustentei o olhar e ele simplesmente disse que, se eu acredito que não posso, então realmente não posso. Tudo depende do que você acredita. Ele ganhou minha atenção total naquele momento. Houveram diversas dinâmicas, várias delas eram bem divertidas, outras até me fizeram chorar. Não sei se isso é tão obvio para os outros como é para mim mas meu medo me prende, me segura, me impede de fazer muitas coisas que eu poderia fazer de forma simples. E eu parti meu medo ao meio naquele dia, literalmente. Ele nos desafiou a encontrarmos desafios para fazermos e utilizarmos alavancas, uma de dor e uma de prazer, além de ter um guardião que nos policiará no processo. Basicamente a alavanca de dor é algo que você deve perder caso não cumpra sua meta no prazo. A alavanca de prazer é algo que você vai ganhar caso conclua sua meta. O guardião é meramente aquela pessoa que será chata o suficiente pra te cobrar que seja lá qual for sua meta, ela será cumprida. Ou essa pessoa deve executar a alavanca de dor. Parece um processo complexo mas, de fato, não é. Enquanto eu estava na palestra chorei muito e não tinha metas claras na minha mente para que pudesse olhar pra elas de frente e ter determinação em nenhuma delas. Mas conforme voltei pra casa consegui amadurecer algumas idéias, a primeira delas já foi executada com sucesso, então vou compartilhar com vocês para que fique como um exemplo. Já fazia muito tempo que eu queria fazer um curso de massagem, mas sempre usei desculpas. Minha meta então se tornou fazer a matrícula em um curso de massoterapia até o fim do ano. Minha alavanca de dor seria ficar um mês sem jogar league of legends. Minha alavanca de prazer será que, ao término do curso, eu irei pra praia, com ou sem companhia. E o guardião de minha meta é um rapaz chamado Gabriel que, apesar de conhecer só pela internet e não há tanto tempo assim, já cresceu muito em minha estima. Pois bem, a matrícula foi realizada, mas como eu disse, não é só isso. Não acabou, muito pelo contrário, está só começando. Só vou ganhar meu prêmio no fim do curso mas pelo menos me livrei da alavanca de dor. E é assim que funciona. Inclusive, se algum de vocês for de Guarulhos e quiser servir de modelo pra massagem, me avise, pois vou precisar de alguns.
Estou me sentindo bem mais leve apesar de ainda estar me sentindo muito mal em relação a maioria dos meus amigos. Sempre sinto como se eles me abandonassem, como se eles não se importassem. Escrevi um desabafo no meu facebook onde várias pessoas vieram se defender. Quando retruquei acabei tirando deles a muleta que eles estavam usando de desculpa e, ainda assim, eles não se mexeram. Minha psicóloga me aconselhou a pedir mais pois, segundo ela, as pessoas não são tão sensíveis quanto eu, não percebem que eu preciso de atenção e carinho também por eu sempre me mostrar forte. Tenho que mostrar pra eles q não sou tão forte assim. Ou que, apesar de forte, também preciso de carinho, amor e atenção. Segundo ela eu sai de um esquema para entrar em outro. Tudo isso esta sendo muito exaustivo pra mim, mas acredito que, no momento, o melhor que posso fazer não é ficar chorando pelos cantos, pensando em como tudo na minha vida é injusto e como sou cruel comigo mesma. Não, isso não vai resolver meu problema. No momento o que eu preciso realmente é de realmente ser forte e começar a pedir. Alguém, por favor, me dê atenção. Preciso de abraços. Preciso que alguém me faça carinho na cabeça e diga que vai ficar tudo bem. Preciso de um beijo. Preciso sentir que tenho alguma importância, por mínima que seja, na vida de alguém. Não acho que estou pedindo muito mas sei que não receberei nada disso se não der o primeiro passo. Tudo acaba dependendo de mim. E de meus esquemas auto-destrutivos.

sábado, 29 de outubro de 2016

Hoje Não

Muitas pessoas lembrariam dessa frase sendo mencionada pelo professor da Arya Stark, na primeira temporada de Game of Thrones, quando ele pergunta para ela "o que dizemos para o Deus da morte?"
Not today.
Ou algumas pessoas que vão ao cinema podem lembrar de Como Eu Era Antes De Você. Eu fui ver esse filme com a Lucimar no cinema e devo confessar que foi um filminho lindo de meu Deus, mas a época em que eu fui assistir não era muito boa e, no fim do filme, quando Lou está sozinha e começa a tocar a trilha sonora... Eu desabei em choro no instante em que o refrão foi cantado. It's gotta get easier and easier somehow...
But not today.
Ontem, sexta-feira, feriado do funcionário público, saí com meu irmão para encontrar o Gilson, um amigo nosso, e conversa vai, conversa vem, chorei muito como era de se esperar pois ainda tenho chorado todos os dias desde que fui na psicologa. Segunda dia 31 eu volto lá, mas no momento, minha preocupação maior nem é essa, e sim como desde que fui lá e desde que ela me fez dizer em voz alta a palavra sozinha eu tenho reavaliado vários pontos da minha vida, Meus amigos inclusive. Estava com a sensação de que minhas férias estão sendo desperdiçadas pois passo a maior parte do tempo em casa, jogando. Não que isso seja ruim, mas sinto falta de sair e eu realmente esperava poder ir na praia um diazinho qualquer das minhas férias. Mas domingo passado o Leandro cancelou e hoje a Juliana também cancelou. Não me impressiona. Realmente começo a reavaliar minhas amizades. E isso é ruim pois começo a ver que a maioria dos meus amigos próximos não dão valor nenhum pra mim ou pra minha companhia. É triste, mas é o q acontece. Algo disso vai mudar?
Not today.
A verdade é que quem tem que mudar sou eu. Quem tem que se esforçar pra mudar sou eu. Comparo o que a Magliani fez com quebrar um vaso e me pedir pra catar os caquinhos. Só que o vaso sou eu. E esse vaso tem que ser reconstruído, mas definitivamente não com a mesma forma que ele tinha antes. Voltar pro que eu era antes só faria com que o ciclo de solidão continuasse a se repetir indefinidamente. Não é isso que eu quero pra mim, pra minha vida. Se sei o que tenho que fazer? Na verdade não. Tenho ideias do que posso fazer e de como fazer, conversar com o Gilson ontem me fez muito bem pois ele me abriu os olhos pra várias possibilidades que devem e serão avaliadas e, provavelmente, dado uma chance.
Não hoje.
O que me doeu ontem na verdade foi voltar pra casa e, do nada, começar a discutir com meu irmão e descobrir que ele ficou bravo comigo por eu estar passando por um perrengue e não ter dito nada a ele. Não ter contado. Não ter procurado conversar com ele. Eu conversei com outras pessoas mas não com ele. Isso o ofendeu de uma forma que achava que nunca o afetaria. Sinto que devo desculpas a ele. E essas desculpas serão ditas de alguma forma.

Não hoje.

sábado, 22 de outubro de 2016

Solidão

Percebi, tarde demais para meu próprio bem, que esqueci de escrever algo para o blog na sexta. Verdade seja dita, fui dormir às 5 da manhã, então nem acordei num horário adequado para escrever a tempo de postar de manhã, como de costume. Mas ainda é sábado e eu tenho tantas coisas para contar que nem sei por onde começar. Na verdade, sei sim.
Segunda dessa semana fui na minha psicóloga. Abençoada seja doutora Magliani por ter tanta paciência comigo. Não sei como são os outros pacientes dela, mas sei como eu sou e acredito que ela tem feito verdadeiros milagres em mim. Acabei confessando para ela como esta sendo difícil me absolver da culpa, até mesmo dividir a culpa para que eu não sinta como se tudo que deu errado tivesse sido por mim. Ela disse que teremos que trabalhar mais isso. Então de alguma forma chegamos no meu problema com os cachorros e como eu tenho um radar próprio que faz com que a qualquer menção de "cheiro de cachorro" dispare em mim um alarme que faz com que eu me sinta cheirando a cachorro. Mas também chegamos à conclusão de que meus cachorros não estão fazendo o papel de reposição de nenhuma emoção. Então falei com ela sobre meu medo de ficar sozinha e de como o meu alemão tirou isso de mim. E foi aqui meus caros que o caldo entornou. Ele agradeceu que eu tenha lhe contado isso e começou a trilhar um caminho de pensamentos ruins e destrutivos. Meu cérebro deve ter percebido, pq quis tentar sair dali, mas ela foi direta, "continue por esse meu caminho", e chegamos aonde ela queria e precisava chegar. Tudo que eu faço, inclusive amar quem eu amo, faz parte de um esquema meu para que eu continue sozinha.
Sozinha.
Eu poderia escrever essa palavra um milhão de vezes, em letras garrafais, no maior tamanho que uma pessoa normal pode imaginar, e ainda não seria o suficiente pra ilustrar o efeito que essa realização teve em mim. Doeu. Eu chorei assim que a palavra "sozinha" saiu da minha boca. E foi como se eu estivesse o tempo todo olhando pra uma única peça de um quebra-cabeças querendo achar onde ela se encaixava sendo que essa peça não fazia parte desse quebra-cabeças. A peça estava errada. Ou o quebra-cabeças estava errado. De uma forma ou de outra, a ilustração é essa, estava tudo errado e fora do lugar. Algumas pessoas podem dizer que é só reclamar com o fabricante, no entanto, o fabricante desse quebra-cabeças sou eu. Mesmo da peça que estava no lugar errado. Gostar de quem eu gosto, que obviamente, nitidamente, claramente não tem nenhum interesse em mim é parte do meu esquema. Não querer nem dar chance para que outras pessoas se aproximem também é. E com isso, inconscientemente, eu só me coloco na posição que, conscientemente, eu sempre tive medo de estar.
Então algumas pessoas podem vir a me questionar, como é que eu estou me sentindo após descobrir isso? Péssima. E o que eu vou fazer a respeito? Queria eu saber o que fazer e como fazer. Conheço pessoas, várias delas, que bem poderiam me ajudar com isso. Dar chances, não só para essas pessoas mas também para mim mesma, é a primeira coisa que eu pretendo fazer. Conhecer pessoas novas também seria uma opção. Deixar que pessoas que já me machucaram não seria. No entanto, todas essas opções foram testadas essa semana. Existem as pessoas que conheci através do meu trabalho e para quem eu daria chances se eu não pensasse que, talvez, de alguma forma, isso poderia afetar meu trabalho. Existem as pessoas que já estiveram na minha vida, no papel de seres amados, que me fizeram sofrer e que voltaram a falar comigo, inclusive me prometendo que passariam um dia inteiro me dando atenção para que, no dia em questão, me ignorassem por completo em detrimento de outra pessoa. E existe a pessoa que eu conheci que faz com que eu me sinta muito bem mas por quem eu estou com muito medo de me apaixonar, pois não sei até que ponto isso seria eu me apaixonando ou meu esquema entrando em funcionamento com uma nova pessoa. Sem esquecer do detalhe que a pessoa que eu amo, sem saber, acabou se tornando o alvo de um pouco da minha raiva por eu estar nessa situação. Eu estava com medo que isso acontecesse e mesmo assim, meu cérebro fez com que essa ligação fosse feita de alguma forma. Eu queria poder contar com ele mesmo que fosse como amigo nesse momento, no entanto ele me deixou de lado. Quando paro pra olhar, muitas pessoas me deixaram de lado essa semana. Não estou culpando ninguém, mas isso faz com que eu realmente me sinta sozinha. E isso esta me afetando de um jeito ruim. Não sei como as coisas vão se encaminhar de agora pra frente, mas é minha vida e minha liberdade que estão em jogo aqui. Se quero que as coisas melhorem tenho que me dar uma chance de mudar, pois do jeito que as coisas estão não pode continuar. De jeito nenhum.

sábado, 15 de outubro de 2016

Meu Eu Gamer

Tenho passado por vários momentos difíceis durante as últimas semanas e percebi que precisava de algo a mais. Algo pra me tirar dos problemas que eu não quero e não consigo encarar. Foi então que voltei a jogar um joguinho de Nintendo 3DS que eu comprei e ainda não zerei, mas que acho muito fofo. E enquanto jogava pensei que podia (e devia) escrever sobre isso. Afinal, ninguém vive só de amor nessa vida!
Verdade seja dita, os jogos que eu realmente "zerei" nessa vida foram poucos. Eu sou o tipo de pessoa que joga mais pela história do que pelos gráficos, e é exatamente por causa da história que não fui capaz de terminar vários jogos. Devo alertá-los que existem spoilers nesse post, mas que posso fazer? A maioria dos jogos é antigo, então provavelmente isso não afete ninguém de forma ruim. Quando eu era pequena meu primeiro video game chamava Hi-Top Games e, com um adaptador, você podia jogar jogos de nintendinho nele. Amávamos jogar Super Mario Bros 3 e descobrimos vários glitches do jogo. Era bom, era divertido, era saudável e jogávamos em família. Então houve o tempo de locadoras e compramos o Super Nintendo e o Nintendo 64. Minha mãe gostava de jogar um joguinho do Mickey que eu honestamente não me lembro o nome, lembro inclusive que quando a locadora que nós costumávamos alugar o jogo fechou eu quis comprar o jogo dela mas já tinha sido comprado por outra pessoa. Aqui foi onde minha vida deu uma guinada, pois existem jogos completamente fáceis de se terminar e jogos completamente difíceis de se terminar. Os níveis de desafio de um jogo também determinam o quanto você se interessa por ele. Mas então lá estava eu, jogando um jogo de fazenda chamado Harvest Moon 64, onde você é o Jack (na época eu não sabia que existia um nome padrão pra ele, então pra mim ele era o Luke, era esse o nome que eu dava pra ele) e tinha que cuidar da fazenda do seu falecido avô e trazê-la de volta à vida. Era um jogo simples. Objetivo simples. Personagens fofos. Tudo ia bem até que a avó da Elli morreu e eu fiquei muito, muito deprimida. Tinha um álbum de fotos no jogo, coisa que nunca mais se repetiu em nenhum dos jogos da franquia, o que me deixa muito triste, honestamente. Tive vários jogos de Harvest Moon, a maioria deles pra portáteis, mas verdade seja dita... sempre acabo perdendo o ânimo em algum ponto do caminho. Joguei Tale of Two Towns até o ponto em que me casei com o Cam e abri o túnel entre as duas cidades, mas não consegui continuar jogando para ver minha personagem ter filhos. Inclusive parei exatamente quando houve o evento de se descobrir a gravidez. E depois dele acabou que não me lembro de ter terminado nenhum Harvest Moon. Muitos personagens, muitas pessoas para você ter que conversar, ficar amiguinho, participar dos eventos, muitas dificuldades para fazer o que eu realmente gostava no jogo, que era plantar, regar, colher e cuidar de alguns animais. Era tão simples, agora é tão... Social.
Outra franquia de jogos que me marcou bastante foi Final Fantasy. Houve uma época em que compramos um Playstation e pude jogar os de número 7, 8, 9 e o Tactics. o 9 e o Tactics são, de longe, meus favoritos, mas confesso que nunca terminei nenhum deles. Parei de jogar o 7 assim que mataram a Aerith. Parei com o 8 por motivos que nem me lembro. No 9 fui bem longe, estava perto da entrada para o puzzle do final boss, mas pelo bem de mim não pude achar em mim forças pra matar o Kuja. Quem foi o gênio que inventou de criar um vilão bonito? E eu sei que vilões e final bosses em Final Fantasy tem mais que uma forma e normalmente as seguintes não são bonitas nem nada, mas sério, eu não consegui. Foi mais forte que eu. Já sobre Final Fantasy Tactics, apesar de eu não ter zerado o de Playstation eu consegui zerar um de nintendo DS que teve depois dele, onde você tinha sido engolido por um livro e, de todas as pessoas que você conhecia que também tinham sido engolidas pelo livro, você era o único que queria voltar pra o mundo real. Era fofo, era meigo, era mágico... e eu tinha que saber como terminava!
Então houveram vários outros jogos soltos que marcaram minha vida da mesma forma, como Chono Cross (Kid, eu te amo), Legend of Legaia, Legend of Mana (se eu fosse um Jumi, eu teria virado pedra em tantos momentos daquele jogo), Ogre Battle 64 (de onde saiu meu nome feminino favorito, Erin, e de onde fui apresentada para minha criatura mística favorita, o Grifo), sem esquecer de Zelda que, apesar de não ter sido zerado por mim e sim pelo meu irmão, foi um dos melhores jogos da minha vida. Das plataformas "simples". Às vezes sinto que os jogos naquela época eram não só mais simples, mas tinham mais conteúdo do que os de hoje. Me lembro de quando jogávamos Odin's Sphere (do playstation 2) e os garotos apanhavam para um boss que sugava as armaduras no chão, formando uma bola enorme de entulho que era atirada contra eles. Vi tanto que me irritei. "Passa esse controle pra cá", pedi. Não questionaram, mas ficaram olhando com aquelas caras de "se nós não conseguimos, ela com certeza não vai". Só que eu não sou um homem. E se tem algo que eu não tenho em jogos é medo de morrer. Logo, quando o monstro tinha acabado de sugar as armaduras e todos falaram pra eu me afastar, pois era o momento dele cuspir a bola eu continuei atacando. E rebati a bola no monstro, o que deu um dano incrível e fez com que eu matasse o boss. Devolvi o controle pra pessoa que estava jogando e todos ficaram me olhando por alguns segundos. Devem ter me achado louca, mas não falaram nada.
Então veio Okami. Ah, Okami, que saudade de você... Gráficos lindos, história envolvente, personagens cativantes. O único problema é que as lendas japonesas, todas, em sua essência, não são histórias pra fazer seus filhos dormir. Não. Elas contém em sua essência lições morais que são transmitidas através de perda e dor. E Okami é totalmente baseada em lendas japonesas. Então, quando cheguei na parte em que vários personagens tiveram que se doar por causas maiores... aquilo doeu. E eu não consegui mais jogar aquele jogo desde então. O que é triste.

Minha última aquisição chama Fantasy Life e é um jogo de 3DS como falei no início do post. É simples, é fácil, tem personagens cativantes e mistura várias coisas que eu gosto em um jogo só. Esse, em algum momento, será terminado. Ou eu não me chamo Luciana.

sábado, 8 de outubro de 2016

Desculpe... e Obrigada - Parte I

Hoje acabei fazendo tanta cera que consegui chegar em casa após a meia noite, o que significa que este post esta sendo escrito realmente no sábado em que será postado. Yey. Isso foi uma das primeiras coisas que eu planejei para escrever neste post enquanto estava no ônibus voltando pra casa depois de tomar muita coisa e comer uma pizza.
A segunda coisa que eu pensei foi na minha pessoa especial e em como eu faço da vida dele um inferno. Hoje uma das atitudes dele confirmou pra mim algo que já me era bem claro,mas q meu coração não queria aceitar de forma alguma. Então, como uma das formas de libertação, devo falar disso. Pensei em como as desculpas e o obrigado se encaixam a bem mais gente do que só ele, mas verdade seja dita, neste exato momento eu preciso focar nele. Que assim seja.
Hoje é sábado. Bem-vindo sábado. Queria eu poder ficar acordada pra ver os primeiros raios do sol quando amanhecer, mas isso não posso fazer, pois me lembraria dele e eu acabaria ficando triste ao lembrar do tanto de promessas que dentro da minha cabeça sonhadora ele fez. Sim, só dentro da minha cabeça, pois tenho certeza absoluta que para ele foram palavras ao vento, que ele não lembra de nenhuma delas, que se eu cobrasse ainda seria capaz dele se zangar ou se incomodar como sempre faz.
Desculpe por me preocupar com você e obrigada por se preocupar comigo. Desculpe por ser tão grudenta e obrigada por estar ao meu lado quando eu preciso mesmo assim. Desculpe por te querer tanto e obrigada por nunca me dar esperanças. Desculpe por criar esperanças mesmo assim e obrigada por acabar com uma por uma delas de forma sutil e definitiva. Desculpe por querer te entender e te ajudar quando é nítido que você não quer nem uma coisa nem outra, mas obrigada por se esforçar tanto para me dar conselhos. Desculpe por sonhar com o dia que você vai tomar uma iniciativa e obrigada por nunca tê-la tomado. Desculpe por ter acreditado um dia que nós dois, juntos, seríamos felizes e obrigada por me abrir os olhos de que isso não é possível. Desculpe por ter te trazido tantos problemas em uma época tão atribulada da sua vida e obrigada por ter dividido as dificuldades que você teve naquela época, mesmo sendo tanto tempo depois. Desculpe por te amar e obrigada por não aceitar que eu te ame. Desculpe por ter cheiro de cachorro e obrigada por me forçar a tentar tão desesperadamente me livrar desse aspecto. Desculpe por não poder fazer nada por você e obrigada por não querer nada de mim. Desculpe por te querer pra mim e obrigada por não ceder. Desculpe por existir e obrigada por acolher minha existência. Desculpe por depender tanto de você e obrigada por ser minha fonte de força. Desculpe por fazer de você um dos assuntos da minha terapia e obrigada por fazer com que eu me abra para minha psicóloga a respeito dos meus traumas.
Existem tantas coisas pelas quais eu devia me desculpar com você... Mas a verdade é que eu só consigo sentir gratidão quando penso em você. Pelo bem e pelo mal, você me ensinou muita coisa, me fez ser uma pessoa melhor do que eu era, me mostrou o que eu posso fazer e ser, sem limites, sem podas, sem medo. O problema é que o medo é o sentimento que rege minha vida desde sempre. Te ter na minha vida é um presente. Um presente com prazo de devolução. Você tem sonhos que eu não posso acompanhar. Mesmo assim, pelo tempo que nos resta, me permita estar ao seu lado. Mesmo que não literalmente ao seu lado, mas me permita sentir a felicidade que você me proporciona. Tentarei o meu máximo para não invadir seu espaço, para não te sufocar. E no dia em que não nos vermos mais eu vou lembrar de você com carinho e ternura.
Hoje eu te amo. Desculpe por isso. E obrigada por me proporcionar isso.