sábado, 2 de julho de 2016

O Apoio Que Ele Me Dá

Houve uma semana em que o André Mantovanni tirou para carta da semana a carta dos ventos. "O furacão vem, mas tenha força, que vai passar", ele disse. Não é como se as coisas estivessem calmas e tranquilas, é verdade, mas o que aconteceu naquela semana foi o suficiente pra ser chamado de reviravolta. E é aí que ele entra.
Já falei dele antes. Quando tive que tomar a decisão difícil de internar minha mãe (do qual eu falarei em algum momento futuro, com certeza) e acompanhá-la ao hospital, foi com ele que fiquei conversando no celular através do Messenger. E foi ele que, no dia seguinte, ao chegar ao nosso local de trabalho, me perguntou como eu estava, se corrigindo logo em seguida e perguntando como estava minha mãe. Achei fofo da parte dele ter perguntado como eu estava em primeiro lugar. Então lhe contei o que já era sabido e ele me deu aquele meio abraço e apertou meu ombro, dizendo "se precisar, estamos aí". Não que ele precisasse dizer, as atitudes dele já mostravam isso. Mas foi bom ouvir.
Minha amiga Renata me disse uma vez que sempre que ela chora na frente do Arthur, o namorado dela, que ele se sente impotente por não poder fazer nada por ela. Pensei que não queria dar essa mesma sensação pra ele, além da minha recusa natural de chorar na frente dos outros. No entanto, em uma sexta-feira que tudo que eu queria era beber e esquecer, ele me abraçou. Se fosse só um abraço tudo bem, mas eu fiz a besteira de pedir pra ficar abraçada com ele mais um pouco. E ele disse que eu podia chorar se precisasse. Damn! Foi como abrir uma torneira. Eu relutei. Muito. Mas acabou que me entreguei. E ele afagou meus cabelos e me manteve naquele abraço até que eu parasse. E então conversamos. Ele falou dele. Eu falei de mim. Acabou que confessei pra ele que sinto uma necessidade de ajudá-lo, uma necessidade que nunca tive com outras pessoas. Ele disse também sentir essa necessidade e me questionou se eu não pensava que isso era amor. Amor. Palavra complicada. Acredito que sentir esse sentimento é mais fácil que expressá-lo. Ele percebeu que eu travei. Estava na ponta da minha língua, mas ele se expressou primeiro. "Amor é uma palavra muito forte"; concordei. E mais uma vez tive aquela sensação de que somos pessoas muito iguais, apesar de muito diferentes. Passamos por situações similares, mas agimos de forma diferente. Sentimos os mesmos medos. Temos convicções contrárias. Somos confusos, medrosos, indecisos, ciumentos, tímidos até certo ponto. Nada disso evitou que nos aproximássemos. E quando me despedi dele naquela sexta-feira, após ele me levar no ponto de ônibus de forma proposital-só-que-não, já que ele nunca deixa claro se foi ou não intencional, me senti a pessoa mais feliz do mundo. Conseguimos conversar sobre vários pontos difíceis do nosso passado sem que brigássemos. Sem que ficasse um clima ruim. Talvez fosse culpa da bebida. Talvez fosse culpa da noite fria, do choro e do abraço. Talvez fosse culpa do amor.
Mas como nem tudo que reluz é ouro, me foi dado um alerta. "Ele é confuso, vai te machucar novamente". Eu sei. Estou preparada pra sofrer, se isso for o fim dessa felicidade. Mas quero aproveitá-la ao máximo. Afinal, não é todo dia que a pessoa de quem eu gosto me questiona se um sentimento comum a nós dois não seria amor. Seria bom se fosse. Seria bom se eu pudesse fazer ele se sentir tão feliz quanto eu me sinto ao lado dele.
A carta que saiu essa semana era a carta das alianças. Que supostamente é boa pra tudo. Principalmente pra relacionamentos. Não que eu acredite muito nisso. Não que eu desacredite. Seria bom se pudessemos simplesmente ser felizes. Isso já seria um bom início. Na verdade, seria bom se ele pudesse ser feliz. Eu sou uma pessoa que tem relativa facilidade em ficar feliz. Já ele...

sábado, 25 de junho de 2016

Vícios e Virtudes

Gosto de ler meu horóscopo, costuma me dar algumas idéias do que fazer com meu dia. Então, alguns dias atrás, meu horóscopo dizia que eu devia avaliar meus relacionamentos passados e prestar atenção em erros que foram feitos e que continuam sendo cometidos inconscientemente. Aquele pensamento, por mais simples que tenha parecido, nunca me ocorreu até então, logo, mergulhei de cabeça nessa tarefa. A árdua tarefa de contabilizar, listar, avaliar meus amores. Percebi que foi muita gente, muita mesmo. Distribuo amor desde que comecei a interagir com o mundo. Ainda assim, se for contabilizar, houve apenas um relacionamento que eu classificaria como tendo dado certo, e mesmo assim ele terminou. Quando comecei a questionar, um por um, "por que eu gostei dessa pessoa?", "por que não deu certo?", comecei a ver padrões. Primeiro, eu era muito criança e estragava tudo por ser tímida. Então resolvi ter coragem e declarar eu mesma meus sentimentos. Daí pra frente foi um tempo que me foi conhecido como "pular de galho em galho". Se não dava certo eu não esperava muito pra encontrar um estepe. Isso continuou por muito tempo. Até ele.
Pense no seu relacionamento ideal. Ele foi o meu. E depois dele, algo se quebrou. Quando você pula de galho em galho e o galho em que você procurou apoio se quebra, há a queda. Eu sobrevivi a queda, mas algo em mim continuava quebrado, e por um bom tempo relutei em amar novamente. Mas minha natureza é essa: a eterna busca pelo outro.
Meus novos relacionamentos eram marcados principalmente por homens mais novos e distância. Alguns podiam ser considerados como abusivos em vários pontos. Outros podiam ser considerados ideais se não fosse pelos mesmos problemas de sempre. Que eu não via. Ou via, mas não ligava. Eu estava feliz, e na minha cabeça valia a pena viver um momento de felicidade em troca de toda uma dor e tristeza que viriam subsequentemente. Era algo que, inconscientemente, eu também sabia.
Hoje tenho em minhas mãos (e em meu coração) um amor que, em minha mente, tinha tudo para dar certo. Que já foi recusado. Rejeitado. Terminantemente negado. E, pela segunda vez em minha vida, sinto a queda. Mas com algumas diferenças bastante gritantes. A primeira delas sendo que a primeira queda foi por alguém com quem me relacionei apenas através da internet. Dessa vez as coisas são bem mais carnais, e tenho tido que lidar com todas as variáveis envolvidas nesse problema. Ver a pessoa, falar com a pessoa, poder estar perto da pessoa... tudo isso tem um valor que há muito tempo eu não sentia. E então, me pego cometendo vários erros que já cometi em vários estágios desse caminho. Quero estar perto dele. E por estar perto dele e ele ser o tipo de pessoa que é, eu me pego tendo esperanças, sendo que todas elas já me foram negadas. Espero pelo que sei que não acontecerá. Espero por uma mudança que eu mesma não acredito que seja possível. Ao mesmo tempo em que alimento minhas esperanças, mato-as uma a uma com os sofrimentos do passado. Não comparo as pessoas, mas comparo as situações, e acabo ficando com medo. Medo de passar por tudo de novo. Medo de sofrer de novo, mas dessa vez, em uma escala maior.
Acabou que, ao final de minha avaliação, meu maior vício é minha maior virtude: amar.

sábado, 18 de junho de 2016

Deja Vu

Esses dias estive sentindo que minha vida anda girando em círculos, passando viciosamente pelas mesmas situações de novo e de novo. Tomo como exemplo o rapaz que inconscientemente (ou talvez ele soubesse e eu que continuo me enganando achando q não) destruiu um dos momentos importantes de minha vida. Apareceu do nada, nosso relacionamento (será que posso mesmo chamar de relacionamento?) avançou de forma rápida, e tão rápido quanto começou terminou. Não sem alguma insistência da parte dele para que continuasse, mas existem limites do que me é aceitável, e ele tinha passado deles. Há alguns meses um rapaz me adicionou no Facebook, não o conhecia mas costumo não julgar as pessoas logo de cara. Nesse caso, devia ter confiado em minha intuição e nem aceito, mas dei corda.
Existe uma situação que me deixa bastante desconfortável que é quando uma pessoa consegue inadvertidamente cometer os mesmos erros de outra pessoa. Se a pessoa inicial me machucou muito então, é quase imperdoável. Esse rapaz em questão inadvertidamente começou a me tratar como se eu fosse uma princesa, acreditando que e o fosse e que devia agir como tal. E aqui entra um dos problemas: não sou uma princesa. Estou longe de ser alguém politicamente correto. Me irrita que cobrem isso de mim pois não o cobro dos outros. E foi assim que algo que tinha tudo para dar certo (será?) deu errado logo de cara.
Mas tudo bem, pessoas do Facebook costumam nos decepcionar pessoalmente, não é mesmo? Então viemos para a realidade, onde as pessoas tem mais carne, pele e ossos. E achamos que isso vai resolver o problema. E não é isso q acontece.
O que acontece é que você encontra uma pessoa bonita que pede seu telefone. Você passa o número do celular que costuma não usar muito, já se precavendo de problemas futuros. Os problemas que você passou com a pessoa que te estragou tudo. E com razão, afinal sua consciência começa a reconhecer pessoas em outras pessoas, situações em outras situações, sentimentos parecidos que são perigosos se nos deixarmos levar.
Ele ligou a semana inteira, ignorei. Acabei atendendo na sexta, ele queria me ver, eu disse q estava doente, que marcássemos algo na sexta seguinte. Achei que com isso me livraria dele por alguns dias. Sábado ele me ligou de novo. Revoltada, falei que havia pedido para que ele me ligasse apenas na sexta que vem. Se ele não consegue respeitar esse pequeno pedido, respeitará outros? Não esperei que ele falasse, desliguei a chamada. E o celular. E voltei pra minha vida com a sensação (dessa vez, reconfortante) de que me livrei de um fantasma.

sábado, 11 de junho de 2016

Abuso

Desde a notícia do estupro da garota no Rio vejo muitas pessoas postando no Facebook imagens, mensagens, apoio e revolta com o que aconteceu. Felizmente ninguém esta pondo em dúvida o caráter da menina, que parece ter tido um bebê aos 13 anos. Não, isso não vem ao caso. Ao caso vem o que aconteceu com ela. Menor de idade. Estuprada por uns 30 caras. Uma barbaridade. Todo mundo viu. Mesmo quem não viu estava sabendo, afinal, só se fala nisso.
Mas nem toda agressão é assim, brutal. Nem sempre elas parecem agressões, até que você veja de perto. Até que aconteça com você. Minha amiga Lucimar me conta muito essa história de uma mulher que, quando abordada por um estuprador, levantou sua saia e, logo depois que ele baixou as calças, ela soltou a saia e saiu correndo. Também por ela eu já ouvi a história da mãe dela, que dizia preferir morrer do que ser estuprada. O ponto aqui é o dessas pessoas que pensaram em reagir. Inclusive foi um conselho a mim dado por ela, que eu pensasse nesse tipo de situação e em como eu reagiria a elas. Mas o fato de que eu não saio muito de casa faz com que eu nunca tivesse realmente pensado nessas questões. Isso tudo mudou hoje, uma segunda-feira fria e chuvosa, praticamente o ultimo dia de Maio.
Relato: um homem subiu no ônibus junto comigo, sentou-se no fundo no banco adjacente ao meu. Estava prestando atenção no meu celular até que ouvi barulhos. Olhei de canto de olho e vi movimentos bruscos do homem, sua mão dentro da calça. Pra mim, a impressão que deu é que ele estava se masturbando. Dentro do ônibus. No banco adjacente ao meu. Olhando pra mim e fazendo todo aquele barulho, quase como se ele quisesse que eu olhasse pra ele de volta. Virei meu rosto pra evitar vê-lo mesmo que fosse com a periferia da minha visão. Um amigo, quando eu estava relatando o ocorrido, ainda tentou defender o sujeito, "não estava ele mexendo no celular?", mas não acredito que exista jogo para celular que necessite que você o chacoalhe para cima e para baixo. Aquele era sim o movimento de masturbação masculina. Até eu reconheço quando vejo. Se tivesse parado por aí estava bom, mas teve mais. O sujeito levantou e se sentou no banco a frente do que ele estava. Lá ele aparecia no meu campo de visão periférico de novo. Tentei virar o rosto o máximo que dava mas não era o suficiente, lá estava ele. Pensei em pegar o celular e pedir socorro. Aquela pessoa que me é especial mora perto do ponto final do ônibus em questão, e por mais q eu não quisesse incomodá-lo, estava desesperada. Não foi preciso, porém, pois o sujeito se levantou e deu sinal. Ficou me encarando até que finalmente desceu. Dois pontos antes do ponto final, o que é relativamente pouco em distância, mas foi o suficiente pra me fazer sentir segura pra descer no ponto que eu pretendia.
Medo não foi só uma palavra, foi um sentimento. Só consigo lembrar de uma vez em que senti tanto medo em toda minha vida, mas daquela vez o motivo do medo era apenas um sonho ruim. Dessa vez não, era algo real. Algo que eu não estava preparada. Ah, se eu tivesse ouvido os conselhos da Lucimar, não estaria me sentindo tão mal neste exato momento.

sábado, 4 de junho de 2016

As Melhores Pessoas que Conheço

Eu já tinha decidido que escreveria o próximo "gaveta" mais perto de sábado, mas um fato ocorreu que fez com que essa decisão caísse por terra. Não tive coragem de postergar essas palavras.
Me foi dito que uma pessoa que conheci brevemente, mas que me foi muito querida, veio a falecer. Percebi que havia algo errado quando minha amiga postou no Facebook um trecho de uma música que claramente fala sobre a coragem de continuar após uma perda. E foi quando resolvi perguntar o que tinha acontecido e a notícia me foi dada. Me entristeci, mas acima de tudo quis saber como ela estava. Ela é, sem sombra de dúvidas, a melhor pessoa que eu conheço. Existem muitas, mas ela é especial. Pense em um daqueles textos que descrevem mulheres como dois opostos: forte mas delicada, brava e dócil, entre outras tantas qualidades. Ela é exatamente assim. Dessas pessoas que te enche o coração só de estar por perto. Que te transmite força com poucas palavras. Neste exato momento, queria poder lhe dar um abraço bem apertado. Sei que ela pode não precisar, mas ela apreciaria da mesma forma.
Outra pessoa digna de nota seria meu pai. Um dos homens mais maravilhosos que deve existir sobre a face da terra. Virginiano, tem suas crenças, e não queira discutir muito, pois é um pouquinho cabeça-dura. Mas se você tiver paciência e gostar de histórias de vida com resultados inusitados, é uma ótima pessoa para se conversar. Já perdi a conta de quantas vezes ele me contou suas histórias de infância, ou de quando começou a trabalhar, ou como ele me contou uma única vez sobre sua mãe e como ele se arrependia de nunca ter a abraçado e dito que a amava. Como ele gostava de ver isso em mim e no meu irmão. Mas eu sou um grude, então esse tipo de atitude pra mim é normal. Eu o amo muito, e desejo do fundo do meu coração que ele saiba disso. Aqui em casa somos pessoas meio frias, não existe muita demonstração de afeto, ainda mais hoje que somos todos adultos. Mas isso não muda o fato que a criança, a jovem e a adulta dentro de mim amam esse homem. Sei que não são todas as pessoas hoje em dia que têm a possibilidade de ter um pai carinhoso. Eu tive, e agradeço por isso.
Outras das pessoas que eu poderia dizer são meus amigos. Tenho vários, alguns que me testam a paciência, outros que me protegem como se eu fosse feita de cristal, outros que recolhem meus cacos a cada vez que me quebro. Costumo dizer que meu choro é uma das demonstrações mais fortes de que eu confio em uma pessoa, pois não gosto de chorar na frente dos outros. É sinal de fraqueza. Não gosto de me mostrar fraca pra quem não pode fazer nada a respeito.
Por fim, e não poderia faltar de forma alguma, tem aquela pesssoinha... aquele que me aperta o coração, que dói a alma, que embaralha a mente. Uma das melhores pessoas que eu conheço, poderia passar dias e dias ao lado dele e não me incomodaria. Ainda assim, minhas atitudes nos trouxeram a um caminho sem retorno. Um cheque-mate. Um ponto final. Gostar de gente é complicado. Entender os outros é difícil. Julgamos os outros com base em nós mesmos. O problema é que, como costumam me dizer meus amigos, não sou uma pessoa ruim, então tenho dificuldades de ver o mal nos outros. Nunca me achei uma pessoa realmente boa, conheço o mal dentro de mim, mas de uns tempos pra cá comecei a dar mais valor pra essa máxima. Não consigo mesmo ver o mal nos outros. E por isso vou levando as coisas como consigo. Vou lidando com inícios e fins, com vida e morte, com amor e mágoa, com dor e lágrimas. Me faria feliz se pelo menos uma pessoa nesse mundo também pensasse, mesmo que por um segundo, mesmo que uma vez só... "ela é uma das melhores pessoas que conheço" quando pensasse em mim. Mas quem sou eu pra ter essa importância na vida dos outros?

sábado, 28 de maio de 2016

Conselhos de um Autor

Quinta-feira da semana que passou (dia 19/05) eu tinha decidido que iria à feira do livro que estava acontecendo na minha querida cidade de Bagulhos. Era um fato praticamente até que uma pessoa, de quem falarei com certeza em algum lugar do futuro, disse que também iria para assistir a palestra de um escritor, segundo ele um dos melhores ainda vivos do Brasil. Passei a cogitar a possibilidade de não ir para evitar desconfortos para mim e para ele. Acabou que me disseram que, se era algo que eu queria fazer, que fizesse. O lugar é grande, pensei. Estou indo pelos livros, pensei. Acabou que depois de andar no frio da noite e comer uma porção de batatas fritas, decidi ir. Cheguei cedo, então fui ver os estandes. Como tudo por aqui, era uma feira pequena, tímida, mas com seu charme. Comprei um livro aqui, outro ali e resolvi ler um pouco até dar a hora da palestra. Um dos livros que comprei era de contos. Li um que fez com que uma lágrima corresse do meu olho. Olhei em volta e ninguém parecia prestar atenção em mim. Como é bom ser um anônimo. Na hora da palestra, me sentei mais ao fundo. Fileira M. O primeiro nome da minha mãe começa com M, achei que daria sorte. E de lá vi o teatro lotando. Não que ele tenha ficado cheio, mas era uma visão bonita. Então ele chegou. Um pedaço de mim quis q ele viesse e me dissesse oi. Outro pedaço de mim preferia que as coisas acontecessem como, de fato, aconteceram, com ele passando direto e indo se sentar nas fileiras mais à frente. Pensei que seria bom se ele não tivesse me visto. Então me sentei ali por uma hora e meia, ouvindo o senhor Ignácio, um velhinho simpático que só, falar sobre sua vida, sobre seu ofício, sobre as mulheres de seus livros. Achei interessante que ele disse ter mais facilidade em escrever no ponto de vista feminino, sendo ele um homem. Não que eu possa dizer algo, já que minha preferência pessoal é o ponto de vista masculino quando escrevo histórias. Sentia quase como se estivesse tendo uma conversa com meu pai sobre os tempos dele de escola. Então, ao final da palestra, perguntaram a ele como se escrever melhor. Como se criar conteúdo em um mundo onde tudo se copia, tudo se reinventa, mas pouco se cria de novo. E ele deu alguns conselhos que me eram familiares, como o de ler. Mas o melhor de todos foi o de escrever qualquer coisa. Tudo que vier à mente. Tudo que seus dedos conseguirem digitar. Segundo ele, quando sua mente se livra do lixo, aí sim você vai poder escrever algo bom, pois sua mente vai estar livre do que estava te bloqueando. Foi graças a esse conselho que resolvi escrever de novo. Demorou pra por em prática, mas acho que já consigo ter algumas idéias do que vou fazer com esse precioso conselho. Para ele era o lixo que enche a mente. Como sou uma daquelas pessoas que tem uma dificuldade extrema de me livrar de coisas velhas, vou jogar esse lixo dentro de uma gaveta. Que esse blog seja minha gaveta.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Você me faz feliz. Obrigada.

Essa tirinha foi como um pop up na minha mente, num belo dia em que eu estava pensando no homem de quem gosto. E em como essa criatura é complicada, complexa, difícil de lidar. Ainda assim, e por mais que ele tente (e ele tenta, acreditem), não consigo reverter esse sentimento. Vamos ver até onde isso vai levar...