domingo, 13 de setembro de 2020

Na sessão de RPG de hoje!

 Encontraram o último dispositivo! Estamos em uma caverna com trilhos. Ela é bem funda!

Oh não! Fomos agarrados por Estranguladores sobrecarregados. A mordida desse bicho dói e ele ainda fica nos dando choquinhos. Mas eu sei exatamente o que usar contra eles... Despedaçar! No teto! Já que vamos ter que cair de qualquer forma, vou dar meu "salto de fé"!

Estou caindo! Só que não! A gelinho tem um truque maneiro de fazer a gente cair mais devagar. Cada um tá se virando como pode. Eu por exemplo usei meu kit de escalada. A monge só se agarrou nas paredes. Minha amiga fez algum truque maneiro com a corda dela e disse q tem um baú em algum lugar. A gelinho nem parece ser afetada por essas coisas. Joguei uma corda pro Ronan, mas ele preferiu bater em si mesmo com o escudo pra se impulsionar pra parte  segura. O estrangulador que caiu está sendo devorado por alguma coisa. Não sei se sinto medo ou curiosidade. Ele começa a subir. Parece uma mistura de lagarto com crocodilo e saem raios da boca dele... Mas tudo bem! Eu ainda quero ver o baú!

Não consigo identificar nenhum perigo nela, mas ainda estou desconfiada. Pedi ajuda pra Brinth. Ela não viu nenhuma armadilha e abriu o baú. Tinha um robo-bomba. Eu até falei pra ele jogar no monstro do outro lado... mas esqueci de avisar q não era pra pegar nela! Não nos machucamos, mas a ponte embaixo da Brinth quebrou... O-ou...

A Solivagant levou a Elini pra junto do Ronan. Grupo unido jamais será vencido! Se isso for verdade, estamos com problemas... O monstro na parede está se movendo na direção dos três na ponte... A Elini acendeu uma tocha. E viu o Behir. Descobri o nome porque o Ronan decidiu defender os outros e chamou ele assim. Resolvi dar uma mãozinha e transformar ele em gorila. E ele se transformou em um gorila escamoso. Surpresa e nem um pouco desapontada! Olho pra baixo, me perguntando se a Brinth está bem. Tiros são feitos contra o Behir e o covarde resolve andar por debaixo da ponte. O gorila vai bem em cima de onde o Behir estava. Ergue as mãos e o golpeia. E a ponte no meio do processo. Parece q a ponte ficou mais danificada q o monstro, mas tudo bem. Amarrando bem a corda nan cintura, pra poder ficar livre pra atacar. O Behir parece bem inteligente, porque resolveu ignonrar o gorila e ir em direção às duas que estavam fugindo... e deu uma baforada de eletricidade que meu amigo... eu juro que até vi o esqueleto da gelinho! E a Elini usou banimento e correu de volta pra junto do gorila. Mas o gorila foi pro outro lado. Pensei em dar a volta e ver se via a Brinth voltando mas o q eu vi... foi uma coisinha asquerosa, cheia de tentáculos e olhos. Não gosto muito disso, mas vou ter que bater e me esconder. A gente tem que resolver isso antes do banimento do Behir acabar! A Brinth realmente voltou, mas... sério que você tá se escondendo aí? É, eu sabia q ia dar merda. Um mantor se prendeu na cabeça dela. Duas flechadas certeiras. Mas ela também é forte, então conseguiu se soltar dele. Que ainda levou uma porradona do gorila. Esse cara é meu orgulho! O problema é q o covarde resolveu fugir... vindo pra cima de mim! A Elini matou ele, mas... Apareceu outro. Nas sombras... ou foram dois? Ou... três? Ah, eu sei o q ele está fazendo! Só preciso ir pra luz. Obviamente, ele veio atrás. Tentei atacar com a Lilarcor mas acho q subestimei a distância entre nós, e distendi o braço. Mas ainda consegui desferir uns golpes nele. O resto do grupo parece estar se dando muito bem contra os monstros feios. O mantor parece que realmente quer me comer... e do nada tudo ficou escuro. É, eu sei o q está acontecendo; eu vivia nas cavernas afinal. É... só... bater nele... antes de perder a consciência... Sinto algo me segurando pela cintura, deve ser a corda. Sinto dor de cabeça. Alguém deve estar tentando me ajudar. Agora tá quente. Deve ter sido a gelinho. Do nada, luz! Balança, balança... quase deu vontade de dar impulso, mas senti o tranco no píton. Tenho que resolver esse problema, e logo. A Brinth matou o mantor. Vou arrumar o píton. O Behir voltou do além. E tá putasso. Lá embaixo, o bicho feio tá comendo todos os corpos caindo. Podia ser eu. Porradaria. Ele tava se preparando pra algo, mas o Ronan deu o golpe de misericórdia.

...continua.

domingo, 23 de fevereiro de 2020

10000 Promessas

Pois é, eu também achei que não ia mais voltar pra cá. No entanto, olha eu aqui. Aconteceram muitas coisas, né? Mas vamos começar pelo começo.
Desde que sumi, algumas coisas grandes mudaram. Não estou mais namorando é a principal delas. E ele já está namorando outra garota. Uma garota que ele até troca a foto do Whatsapp pra uma deles juntos. Uma menina que ele até troca a foto do Discord pra mostrar eles juntos. Até pouco tempo atrás, acreditava até que ele tinha apresentado ela pros amigos. Coisas que ele nunca tinha feito comigo ou por mim. Houve um rompimento total por parte dele. "Você tira minha paz" foram as palavras que ele usou. E eu fiquei me perguntando que pessoa eu sou para tirar a paz de alguém. Que pessoa horrível eu devo ser.
No entanto ele, como várias pessoas antes dele, voltou a falar comigo um dia desses. Foi um início de papo meio caótico, comigo dizendo várias coisas que estavam entaladas na minha garganta. Ele lia e respondia. Inclusive quando mencionei o fato dele ter apresentado ela para os amigos dele, ele me corrigiu dizendo que não. Era outra pessoa. Ele inclusive me mandou uma foto do casal que estava na foto. E eu acreditei nele, como costumo fazer com as pessoas em geral.
Então ele me contou dois fatos sobre a atual namorada dele que me fizeram ter, para dizer o mínimo, medo dela. Supostamente falei mal dela. Pedi que ele me dissesse de onde ela tirou a ideia e q me mostrasse provas. Depois fiquei sabendo que ela leu todo meu blog e me caiu uma ficha do tamanho de um bonde: provavelmente ela leu o post "quem com ferro fere" e achou que o que eu estava dizendo lá era para ela. Que o que estava escrito lá era para ele. Podia ser! Mas não era.
Me surpreendeu, no entanto, o fato de que todas as mulheres que resolvem ter algo com algum homem que já passou pela minha vida tenham esse sentimento com relação a mim. Não vou nomear o sentimento pois acho que não preciso. Eu sei. Elas sabem. Mas eu não ligo. Elas no entanto parecem se incomodar profundamente. Da mesma forma que todos esses homens são, hoje, os fantasmas do meu passado, eu também sou. Sou como uma sombra na vida deles. Talvez até tenha sido responsável por muitos traumas para alguns deles. Mas eu mudei. Acho que amadurecer faz isso com as pessoas. E eu acredito que amadureci bem.
Uma das coisas tristes dele ter voltado a falar comigo é que, por alguns dias, tive a impressão que poderia cobrar dele algumas promessas que ele me fez enquanto estávamos juntos, mas como amigos. Como, por exemplo, ver as flores de cerejeira no Parque do Carmo. No entanto, ele traiu a confiança dela de alguma forma. E ela não gostou. A culpa é dele, ele me disse. Não soube os motivos então prefiro não opinar. Me deixou um pouco triste ter que voltar ao silêncio, mas eu definitivamente não quero ser o motivo da nova namorada dele ter dúvidas ou, pior, dela fazer da vida dele um inferno. Gosto demais dele para aceitar estragar o futuro dele. Mesmo que esse futuro não me inclua, vou seguir em frente. Seguir a minha vida, como ele mesmo me disse pra fazer. Mas vou me aproveitar da minha gaveta para guardar à 7 chaves as promessas que me foram feitas. Tanto por ele quanto por outras pessoas. Não para que eu possa cobrar, longe de mim. Mas para lembrar que outras pessoas também fazem promessas e esquecem que o tempo passa derrubando tudo que tem pelo caminho. Promessas inclusas.

domingo, 13 de outubro de 2019

Desafio dos 30 Dias - Eu Amo Estação de Agasalho

Hoje o dia foi quente do início ao fim, então fica até difícil escrever sobre frio. Mas vamos tentar!

Todo dia, no caminho da faculdade, eu via aquela senhorinha sentada em uma cadeira de balança do lado de fora de sua casa, com um cesto do lado e duas agulhas na mão. Passava todo o dia lá e, de tardinha, uma ou duas horas antes de escurecer, ela recolhia o cesto e voltava para dentro. Uma moça jovem vinha não muito depois e recolhia a cadeira. Achava a garota linda e queria conversar com ela, mas nunca tinha a oportunidade.
Certo dia, sem perceber, fiquei parado olhando por tempo demais e a senhorinha percebeu. Deu um sorriso e acenou com a mão para que eu me aproximasse. Hesitei, mas fui.
-Qual é seu nome, meu jovem.
-Roberto.
-Roberto! Que nome adorável. Está indo para a escola?
Acenei com a cabeça que sim e ela balançou a cabeça, em sinal de aprovação.
-Então vá e estude bem, meu filho.
Pasava o tempo e tinha a impressão que a senhorinha estava ficando mais frágil, mais fraca, quase como se estivesse minguando. Sabia que não era mal cuidada, mas não consegui evitar de me preocupar. Passei a conversar com ela todos os dias na volta da escola e acabei descobrindo que seu nome era Ana e que a jovem que vinha buscar sua cadeira todos os dias era sua neta, que tinha decidido morar com ela para tomar conta dela. Não tive coragem de perguntar o nome, mas ela chegou a inclusive me mostrar um álbum de fotos. Comecei a lhe trazer frutas que dividia com ela. Percebi que não conseguia comer uma maçã inteira então passei a dividir uma maçã ao meio. Já dizia o ditado, "uma maçã ao dia mantém o doutor longe". Mas não foi seu caso. Na troca de estação, soube que foi internada. Era triste passar na frente de sua casa e não ver nem a cadeira, nem o cesto, nem o movimento das agulhas.
Pensei em fazer uma visita no hospital, mas não sabia em qual ela havia sido internada, entao resolvi parar e perguntar. Levei um susto quando fui recebido pela jovem que admirava. Vestia preto e seus olhos tnham olheiras profundas. Era nítido que estivera chorando.
-Com licença, é que gostaria de visitar a dona Ana e queria saber em que hospital está internada.
Os olhos da jovem se encheram de lágrimas e tive que segurá-la para que não caísse no chão. Ela chorou longamente em meus braços; cada soluço era uma pontada em meu peito. Me preparei para o pior.
-Desculpe, mas minha avó faleceu essa semana. O enterro foi na quarta. Se soubesse que eram próximos, teria te avisado.
Senti meu coração se encher de tristeza. Ela me convidou para tomar uma xícara de chá, mas não quis incomodar. Estava na soleira da porta quando ela perguntou meu nome. Quando respondi, seu semblante mudou.
-Um instante!
Ela correu pra dentro e voltou em um instante com um pacote nas mãos.
-Minha avó estava fazendo isso para você. Estava quase pronto quando ela foi internada. Só costurei as partes e fiz o acabamento. Creio que ela gostaria de ter lhe entregue em mãos, mas... Devido às circunstâncias...
Vi que estava sendo um grande esforço para ela me dizer aquilo entã a abracei, peguei o pacote e lhe dei um beijo na testa.
-Muito obrigado. Vou guardar com carinho.
-Use, por favor! Ela teria gostado mais que usasse.
Acenou para mim e tornou a entrar. Olhei para o pacote em minhas mãos e voltei para casa ansioso, curioso sobre o que seria o pacote. Chegando em casa, abri o embruho e percebi que era um suéter. Ela tinha começado a tricotar as partes pouco depois de termos começado a conversar, eu reconhecia o ponto e as cores. Meus olhos ficaram marejados e cobri o rosto com o suéter.
No dia seguinte, Fiz questão de ir até a casa dela agradecer sua neta. Perguntei seu nome e ela me respondeu que era Carolina. Descobri que sua avó não tinha herdeiros vivos, logo a casa ficaria para ela mesma.
-Vai ser difícil continuar aqui sem ela, mas não tenho outro lugar pra ir.
Foi nesse momento que criei coragem para lhe falar sobre minha admiração. Levou um tempo para que nosso relacionamento mudasse de fato para algo mais romântico e profundo, mas não me arrependi de esperar. Ela se tornou a mãe de meus filhos. Hoje, nos sentamos do lado de fora de nossa casa, cada um em sua cadeira de balanço. Ela coloca um cesto do lado e tricota, enquanto eu leio o jornal. Todo fim de semana, r ecebemos a visita de nossos filhos e netos. E de tempos em tempos, visitamos o túmulo de Ana. Sempre me lembro com carinho daquela senhorinha que, tão gentilmente, dividiu seu tempo comigo, um rapaz que mal sabia o que queria da vida.

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Desafio dos 30 Dias - Olá Outono

Não é outono. Mas podia ser!

Senti o vento soprando e fechei os olhos. Logo as folhas estariam trocando suas cores de verde para marrom, se desprenderiam de seus galhos e se jogariam de cabeça em uma aventura sem retorno até o chão. Quanta ciência e filosofia envolvida nesse ato tão simples e singelo? O amadurecimento. Deixar o ninho. Aceleração e gravidade. Espirais. Formas geométricas. Sons. Morrer. O fim.
Abri os olhos e me levantei, pronta para encarar um novo dia. Sai para fora e aproveitei para recolher as folhas no jardim. Minha cachorrinha adorava se jogar nas pilhas de folhas. Eu também. Mas este ano não teria ninguém se jogando nas pilhas. Instintivamente fiz uma pilha maior do que devia, que ficou difícil de ensacar. Pensei em acender uma vela mais tarde. Então senti um pingo. Voltei meus olhos para o céu.
Começava a chover. Baixei os olhos e vi uma das vizinhas correndo para pegar as roupas do varal, enquanto outra gritava para os filhos entrarem, ou iriam se molhar. Abri meus braços e fechei meus olhos. Venha chuva! Me lave! Tire de mim toda essa tristeza! Tire de mim toda essa dor! Minhas lágrimas se misturavam com as gotas que caiam em meu rosto e rolavam caminho abaixo. Tudo, invariavelmente, voltaria para a terra, fossem as folhas, a água, minha cachorrinha ou eu. Do pó viemos, ao pó retornaremos.
Fiquei estática por tanto tempo quanto aguentei. Minhas pernas doíam um pouco e meu corpo começava a ficar gelado quando alguém me enrolou em uma toalha.
-Vamos pra dentro querida, ou vai ficar doente.
Não resisti. Os braços gentis me levaram de volta para dentro e me colocaram sentada em uma poltrona próxima à lareira. O fogo estava aceso. Estiquei minhas mãos em direção a ele. O calor fazia com que tivesse a sensação que podia tocá-lo novamente. E se pudesse me unir àquele fogo? Será que sentiria novamente o calor e a felicidade que sentia quando estava com ele?
-Que está fazendo?
Gentilmente tiraram minha mão do fogo. Encarei minha mão, que começava a ficar fria quando colocaram uma xícara nela. Uma xícara quente.
-Tome um pouco, vai te fazer bem.
 Encarei a xícara por alguns instantes e tentei beber. Estava quente, mas não o suficiente para queimar. Era como amor de mãe, quente na medida certa. Não queima ao ponto de te machucar. Não abandona o corpo se este não lhe serve direito. Na medida certa para te acalentar. Era chá. Imaginei que estava tentando me manter calma.
Senti algo felpudo sendo colocado nas minhas costas e me envolvendo. Lembrei dos abraços dele. Uma lágrima começou a rolar em meu rosto. Uma mão gentil afagou minha nuca.
-Quer mais alguma coisa?
Fiz sinal negativo e ouvi seus passos se distanciando de mim. Quis impedir. Tinha sim algo que eu queria. Companhia.
Não me esqueçam! Não me deixem pra trás! Eu estou aqui! Venham me buscar, por favor!
Olhei para fora pela janela. A chuva continuava lá fora. Um vento forte fazia com que o galho de uma das árvores batesse em uma das janelas de um dos quartos do andar de cima. Era assustador. Me encolhi na poltrona e me cobri inteira com o cobertor.
Escuro. Respirei fundo. Percebi que minha respiração estava ofegante. Tentei me acalmar e não consegui. Queria parar. O coração começou a acelerar. Quis gritar, mas minha voz não saia. Abracei os joelhos e chorei. Estava sozinha, mais uma vez. Como todas as vezes. Era o fim de mim. Era o fim de todos nós. Senti meu corpo pesar e deixei que a gravidade o levasse. Não me importava mais.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Desafio dos 30 Dias - Um verão quente

O título original era "Indian Summer", mas eu nunca estive na Índia e não sei qual a diferença das estações lá. Imagino que seja quente, então... Daí a adaptação do título pra facilitar um pouco a escrita dessa história. Espero que gostem!

Quando era pequena não sentia tanto calor no verão. Usávamos roupas mais curtas, mas não me lembro das pessoas expondo todo o corpo na rua como se fosse a coisa mais normal do mundo. Hoje em dia, as pessoas batem no peito e dizem que amam o calor para, quando fica calor, ficarem se lamuriando pelos cantos de como está quente. Quem gosta de calor mesmo é gente que tem ar-condicionado em casa e no trabalho. Não é o meu caso.
Quando fica calor, gosto de me vestir com roupas mais leves. Agora, no entanto, tenho um uniforme de trabalho que tenho que usar. O tecido dele é muito grosso, logo fico sentindo calor do início ao fim do dia. Mas tento não reclamar. Lembro de uma vez que estava frio e vi meu irmão só de camisa e bermuda. Perguntei se ele não estava com frio e sua resposta foi que "eu gosto da sensação do frio". Parei de reclamar do frio, pois apesar de não ser a sensação térmica que eu gosto, posso usar roupas que me deixam quentinha, e isso me agrada. No calor, no entanto, não dá pra sair pelado na rua. E eu definitivamente não consigo me vestir com roupas super decotadas, que mostram todo o corpo. Gostava de usar vestidos, mas com a implementação do uniforme, isso se tornou um pouco mais complicado.
Meu uniforme foi feito para a meia estação. Então, mesmo agora que ainda não é verão, já consigo imaginar como vai ser difícil trabalhar com ele. Tem dias tão quentes que volto pra casa toda queimada, só de ficar uma hora exposta ao sol. Lembro de uma colega de trabalho do meu trabalho anterior que, quando cheguei no trabalho depois de passar dois dias fazendo pesquisas na viela das marmelas, me disse que eu, em dois dias lá, fiquei mais bronzeada que ela se ficasse uma semana na praia. Eu gostava daquele emprego.
Hoje quase não tomo sol. Mas sinto o calor. Odeio o calor, mas não reclamo. Tenho um pouco de raiva daquelas pessoas que dizem amar o calor mas não perdem a oportunidade de reclamar dele. Se gostam, deviam estar felizes com ele, não insatisfeitas e reclamando. É como faço com o frio. Penso às vezes que o ideal seria me mudar para uma parte mais fresca do meu país. Sei que existe, mas não tenho coragem de abandonar o que tenho pra trás. Queria ter um desprendimento maior com tudo isso. Tanto com o tempo, quanto com o lugar e as pessoas.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Desafio dos 30 Dias - Legal e Crocante

Era pra ter postado ontem, mas não consegui. Postando hoje, por questão de consciência.

Quando você pensa em comida, em qual delas pensa? Salgado ou doce? Fruta ou legume? Macio ou crocante? Para algumas pessoas é fácil responder qual a comida preferida. Para outras, a que menos gosta. Para mim, nenhuma delas é fácil de responder. Já experimentei bastante coisa mas também tenho noção de que não conheço vários ingredientes e vários outros sabores. Mas existem coisas que eu sei com certeza que não como. Não misturadas.
Por exemplo, eu adoro amendoim. E castanhas. Não sou tão fã de nozes, mas como. Se você me der um sorvete, eu vou comer ele feliz e contente. Se colocar calda, melhor ainda. Mas não coloque amendoim! O crocante da casquinha combina com o sorvete. O crocante do amendoim, não. Óbvio, essa é só a minha própria opinião.
Não da mesma forma, posso citar a pipoca. Gosto dela com sal, doce ou com pedacinhos de bacon. Mais que isso, pra mim, é exagero. Como a batata frita, que quando vejo perguntarem se quero que coloquem queijo, molho, ketchup, maionese, entre outros, penso que estão desvirtuando a batata.
Uma das dificuldades de se desenvolver gastrite é que você percebe que tem várias restrições e que várias delas incluem coisas que você gosta. Desde frutas e saladas até o molho da lasanha. Tudo se torna um problema, algo a ser observado e cuidado.
Você sabia que tem um jeito certo de mastigar? Pois é. mesmo que a comida seja macia, o ideal é mastigar bem antes de engolir. Ainda estou tentando descobrir como se faz isso com comidas mais líquidas como sorvete e até mesmo suco. Falando em suco, você sabia que seu organismo encara o suco como comida?
O mundo está cheio de comidas, sabores e novidades. Algo que você comeu e não gostou em um momento da vida pode passar a não ser tão ruim em outro. Não estou dizendo que você irá ver aquela comida como sua favorita, mas definitivamente vale a pena tentar de novo, principalmente se for preparado por outra pessoa. A mão do cozinheiro faz toda a diferença. É como o amor. Você não vê, você sente.

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Desafio dos 30 Dias - Acampando com Estilo!

O tema de hoje é um pouco difícil. Vamos ver o que eu consigo!

Quando tivemos a ideia estávamos, na verdade, bêbados e amargurados. Assistíamos a TV quando passou uma propaganda com escoteiros mirins. Ela adorava crianças e insistiu que queria visitar um acampamento de escoteiros. Concordei mecanicamente, acreditando que no dia seguinte ela ja teria esquecido. Não foi o caso. Fiz algumas pesquisas sobre acampamentos em geral. Diferente dela, não gostava tanto de crianças. E odiava os jovens com todas as minhas forças. Até encontrar um recanto que parecia o paraíso. Até ofereciam barracas, por uma quantia, é claro. Qualquer coisa pela felicidade dela. Entrei em contato com os gerentes, marquei uma data e avisei minha senhora.
-Mas eu queria ver os escoteiros!
-Foi o que eu consegui, querida.
No dia que antecedia nossa pequena aventura ela se pos a arrumar uma mala. Até uma garrafa de champagne ela separou no isopor.
-Quero que seja memorável!
Colocamos as malas no carro e fomos. O lugar indicado ficava há 2 horas de nossa residência. Ela tirou um cochilo enquanto eu dirigia. Achei impressionante sua habilidade de dormir mesmo enquanto dirigia por uma estrada esburacada. Só acordou quando já estávamos quase chegando. Lá, conseguimos uma barraca próxima ao lago. Nada que um pouco mais de dinheiro não conseguisse pagar. Mas logo fomos sentindo as dificuldades. Insetos haviam aos montes e não nos permitiam nadar no lago. Podíamos pescar mas tivemos que alugar o equipamento. Não demorou muito para percebermos que os peixes não chegavam perto da margem. Tivemos que alugar também um barco e acabei tendo que remar. Nunca tinha feito tanto esforço em minha vida! E ela me observava com um sorriso. Quando chegamos ao meio, me larguei no canto do barco. Acho que cochilei pois quando me dei conta ela estava com a vara em punho. E já tinha pescado dois peixes!
-Vamos voltar pra margem!
Ter que remar de novo me fez gastar todas as forças que eu já nem tinha. Pelo menos ela acendeu uma fogueira e colocou os peixes que pescou para assar. Ela não sabia cozinhar muito bem, então eles ficaram um pouco sem gosto, mas apreciei os esforços. Era bonito ver minha senhora se esforçando para fazer coisas que nunca faríamos no dia a dia.
De noite, quando estava na hora de dormir, resolvemos colocar os sacos de dormir do lado de fora e observar as estrelas. Seria muito romântico se não fossem os pernilongos que não paravam de nos picar e zumbir perto de nossas cabeças. Desistimos das estrelas e resolvemos tentar dormir. Sim, tentar, pois mesmo dentro da barraca estava cheio deles. Comecei a pensar que ficar perto demais do lago tinha sido uma má ideia. Quando finalmente conseguimos pegar no sono, já era quase hora de ir embora. Minha senhora me ofereceu de dirigir de volta para casa e eu aceitei. Estava exausto. Realmente só acordei com sua mão me sacudindo levemente,
-Querido, acorde. Chegamos.
Levaram alguns dias para que as picadas parassem de coçar e suas marcas sumirem de nossos corpos. Apesar de ter sido apenas por um dia, meu corpo tinha uma sensação de moído que não passou por pelo menos dois dias após nosso retorno. Quase consultei um médico para conseguir algum remédio. No entanto, quando olhava para minha senhora, e apesar de todos os incômodos que tinha passado, ela parecia feliz. Logo, me conformei. Mas aprendi a lição e nunca mais concordei em levá-la a algum lugar sem antes pesquisar tudo que realmente era necessário. Se o tivesse feito talvez tivesse trocado o champagne por um frasco de repelente.