sábado, 17 de setembro de 2016

Eu Te Amo

Hoje, cheguei bêbada em casa. Para aqueles que não sabem ainda, ou que nem desconfiam, escrevo, na maioria das vezes, na sexta, e programo para que seja postado no sábado. Hoje é sexta. Foda-se. Cheguei bêbada em casa. E enquanto estava no ônibus com uma vontade enorme de ir no banheiro, pensei nessas pessoas. Todas pessoas que amo. Então vamos lá, esse post é pra vocês. Uma homenagem de uma pessoa Bêbada para pessoas que eu amo.
Para você que morreu esse ano e que me deu a luz, que me criou, que me educou, que me amou da sua maneira torta de amar, eu te digo, eu também te amo.
Para você que eu não vejo mais, que eu nunca toquei, que eu dizia o tempo todo "I love you", que nunca pude tocar, que tanto pude ver, que tanto me deu, que tanto me tirou, eu digo com todo o prazer que meu corpo sente ao lembrar de você: eu te amo.
Para você que fez com que eu viajasse para outro estado por um mísero dia, de quem eu não esperava nada além de rejeição, que amou outra mulher mais do que eu e ainda assim me deu uma das lembranças mais bonitas que eu tenho da vida, eu digo, eu te amo.
Para você que ainda é uma criança mas que tem uma voz de adulto, que amava alguém quando te conheci, que teve algo com esse alguém enquanto eu te amei, que brigou comigo várias e várias vezes por tantas coisas que nem valem a pena serem ditas, que é melhor que eu em tudo que faz, que tem tanto pra crescer e melhorar, eu digo, eu te amo.
Para você que provocava ciúmes em mim e achava graça por eu me irritar quando tinha ciúmes, e ainda assim brigava comigo por eu ter esse ciúmes, que tem uma mãe q eu amo como se fosse minha, que ainda passa pela minha mente quando preciso de ajuda com meu prazer, eu digo, eu te amo.
Para você que reclama do meu cheiro, da minha chatice, que não lembra de nada do que aconteceu ou do que foi dito ou do que foi prometido ou do que foi importante pra mim, eu digo que te amo.

Eu quero ser amada de volta. Quero sentir carinho, quero sentir que alguém precisa de mim, que me quer por perto, que está feliz com minha companhia. Não existe ninguém assim na minha vida. Nunca houve. O futuro não é meu, nem seu, nem nosso. Se eu realmente escolhi cada uma das coisas que eu deveria passar nessa vida, devia ser um espírito muito masoquista. Mas já que essa foi a vida que me foi dada, vou vivê-la até a última gota. Não consigo pensar em desistir dela. Amo demais pro meu próprio bem. Que Deus me ajude, porque eu estou perdida.

sábado, 10 de setembro de 2016

Minhas Primeiras Vezes

Desde que inventei de escrever todo sábado com o marcador "Gaveta" eu já preestabeleci alguns títulos padrão; coisas que eu tinha certeza que cedo ou tarde eu iria falar. A verdade é que eu pensei em usar esses títulos como guias para o que escrever, como escrever, do que escrever, pro caso de eu não saber sobre o que escrever. Bem, verdade seja dita, esse é um dos títulos iniciais,  algo que eu deveria ter escrito já faz tempo, mas que nunca saiu. Tanta coisa aconteceu que ele foi sendo deixado de lado. Mas hoje me pareceu um bom momento pra que eu escrevesse sobre isso. Isso sendo minhas primeiras vezes.
Acredito que toda pessoa já ouviu alguma história sobre seu primeiro dente, sua primeira palavra, a primeira vez que andou, essas coisas que todo pai babão gosta de contar pros seus filhos, por ser uma memória marcante pra eles. Esse também seria um bom título pra um próximo post... mas vamos voltar ao foco principal. Me lembro de quando eu ainda usava o cabelo curto como o de um menino pois havia tido um surto de piolhos na escolinha. E também porque um menino grudou chiclete no meu cabelo. Lembro de quando estava na primeira série e tive uma dor muito forte no ouvido, de como corri até a sala de aula da minha mãe chorando e de como ela me confortou enquanto aquecia meu ouvido pra que a dor diminuísse. Lembro de quando, na segunda série, comecei a usar óculos. E de como meu irmão me empurrou com força na casa da minha avó, ao ponto de eu me lembrar que eu não caí, mas escorreguei por um trecho do chão, quase como um sabonete no chão com água. Lembro que na terceira série fizemos várias excursões, entre elas a primeira vez que fui à bienal do livro na vida. Na quinta série foi a primeira vez que estudei em uma escola onde minha mãe não dava aula. E nos anos seguintes continuei estudando naquela escola, o que era algo incomum pra mim, pois sempre mudávamos de escola com nossa mãe. Lembro da primeira vez que levei um tapa da minha mãe por gostar de um rapaz da minha escola, e de como depois disso fui acusada de ficar usando o telefone para ligações que eu não havia feito, e de como quando ela quis saber quem era o rapaz de quem eu gostava em questão ela disse que ele não era lá grande coisa, e que eu podia escolher algo melhor. Lembro de como prometi que depois daquilo só falaria pra ela que eu gostava de alguém quando conseguisse me ver casada com o rapaz, e como isso só aconteceu uma vez na vida, quando disse pra ela que eu conseguia me ver casada com meu amigo Brenno e como ela disse que já havia sonhado com nós dois casados, "vocês casaram pela internet" ela disse. Lembro de quando gostei de um rapaz por 5 anos seguidos e de como não doeu quando eu desliguei o telefone aquele dia em que ele queria, mais uma vez, que eu dissesse que gosto dele, e eu me recusei dizendo que não havia por que dizer algo que ele já sabia. Lembro de quando meus amigos da escola me fizeram uma festa surpresa. E de quando as pessoas da faculdade fizeram o mesmo quando completei 18 anos. Lembro de quando minha avó morreu. De como meu primo titubeou pra por o terço nas mãos dela e de como minha mãe me disse para fazer aquilo no lugar dele. E de como ele não pestanejou em deixar o terço nas minhas mãos e se afastar. Lembro de como as mãos dela estavam geladas. E de como eu chorei quando terminei de arrumar o terço nas mãos dela. Lembro daquela gentil velhinha que me comparou a meu avô, que eu não conheci mas que amo tanto. Lembro de quando comecei a usar a internet, na época, só de noite ou de fim de semana, só pra fazer trabalhos de escola e ficar no bate papo UOL. Lembro de quando comecei a jogar Ragnarok. Lembro do meu primeiro blog. Lembro da primeira vez que conheci alguém da internet e de como ele foi a primeira pessoa que eu beijei. Lembro do gosto de cereja daquele beijo, e de como eu odeio cerejas, e de como aquele beijo me influenciou a querer esquecer alguém.
Lembro de quando entrei no SENAI e de como um colega disse que meus pais estariam mortos até meus 20 anos. Lembro de como perdi uma amiga por causa de um garoto que me empurrou e de palavras impensadas e inocentes da minha parte, vistas de forma vulgar pelos outros. Lembro de como fui acolhida entre os garotos depois disso. E de como elas queriam que eu pedisse desculpas na frente de todo mundo, sendo que eu recusei já que não achava que estava errada. Lembro de como comecei a ter muito mais amigos homens depois disso e de como eu achava a amizade deles mais sincera do que a das mulheres. Lembro da formatura e de como usei um vestido preto, e de como todos os garotos ficaram me olhando como se nunca tivessem me visto. Lembro de como eu usei minhas habilidades de leitura em inglês pra traduzir, por um tempo, mangás do inglês pro português pra um scanlator chamado Redisu e de como ele me fez conhecer a Aby. Lembro de como viajei pro Rio de Janeiro pela primeira vez de avião com meu irmão e conheci vários amigos virtuais que eu tinha na época. Lembro da segunda vez que fui pro Rio de Janeiro, de ônibus, e de como juntei toda minha coragem pra pedir um beijo pro Brenno. E de como ele me deu selinhos que valeram mais do que qualquer coisa que eu tenha ganhado em toda a minha vida, pois me fizeram ver que mesmo um gesto simples desses, vindo de quem eu realmente gostava, valia mais do que qualquer coisa vinda de um qualquer. Lembro de como me decepcionei e me afastei dele quando ele me disse que ia tentar voltar com a ex. Lembro de como ele me deu apoio pra começar a caminhar pra esquecer. E de como as caminhadas faziam com que eu pensasse e falasse comigo mesma, achando soluções pros meus próprios problemas. E de como em uma dessas caminhadas conheci o Luciano.
Perder a virgindade é ruim, todo mundo sabe disso. Dói. Mas é pior quando além de doer você se sente rejeitada. Ele parou quando eu estava começando a sentir prazer. Segundo ele, ele não gozou. Mas parou mesmo assim. E mandou eu ir me lavar. E quando perguntei se podíamos continuar ele disse que não. Eu entendi quando ele disse que queria me levar de volta, pois meus pais podiam estar preocupados e sentindo minha falta, mas não fez com que eu me sentisse melhor. E lembro de como esse episódio em si desencadeou uma série de fatos frustrantes na minha vida.
Lembro de quando arrumei meu primeiro emprego e de como ele me foi apresentado, "4G". Lembro da primeira vez que pensei que gostava dele, quando ele veio perguntar o que tinha acontecido quando chegamos do cartório, depois de alguns fatos desagradáveis que tinham acontecido. Lembro de quando eu quase caí por estar procurando 50 centavos pra ele comprar um cigarro e ele me segurou, e de como eu pedi desculpas e ele disse que sempre me seguraria, mesmo que estivesse longe. Lembro de quando tentei marcar de sair com ele pela primeira vez e não deu certo, e de como ele quis explicar o porque mesmo eu dizendo q não precisava. Lembro de quando ele veio arrumar o SECAF dele quando estava de férias e de como ele me abraçou enquanto eu estava sentada, de como aquilo me surpreendeu e de como me deixou com o coração acelerado. Lembro de quando eu pedi que ele visse o nascer do sol comigo algum dia. E de quando ele propôs de irmos num mirante que tem em Guarulhos algum dia. Lembro de quando saímos pela primeira vez, do choque que ele levou sem que nem encostássemos direito um no outro, de como comemos uma bandeja de sushi, de como ele comprou incensos e de como eu tirei uma foto dele escondida. Lembro de quando disse pra ele que gosto dele e da conversa que tivemos logo em seguida. Lembro de quando bebemos juntos e ele falou olhando nos meus olhos, ao ponto de eu não lembrar de metade do que ele disse, apenas dele ter dito que uma das minhas qualidades era a temperança e de como eu o incomodo, e de como isso é algo bom, pois não é todo mundo q o incomoda. Lembro de quando perguntei se ele ficaria mais feliz se eu não gostasse mais dele e de como ele respondeu que sim. Lembro do coração dele batendo mais rápido quando eu o abracei no ponto de ônibus aquele dia. E lembro de como chorei abraçada a ele não muito tempo depois de internar minha mãe.

Lembranças. Algumas pessoas podem dizer que o nome desse post está errado, pois ele está repleto de lembranças. Pois se enganam; primeiras vezes são lembranças. Se você não lembra é porque não aconteceu, porque não foi vivido, porque não foi sentido. Você precisa sentir pra saber. Por isso que me lembro. Meu corpo lembra. Meu coração e meu cérebro lembram. Minha alma então, lembra muito mais. Tudo isso é apenas um sinal de que vivemos. Eu podia ter feito muito mais, beijado muito mais, aproveitado muito mais. Mas essa é minha vida, essa sou eu, essas são algumas das lembranças que fazem de mim... eu.

sábado, 3 de setembro de 2016

Meia-Boca

Outro dia eu estava conversando com uma amiga e ela fez aquilo que ela sempre faz por mim: ser direta, dura e objetiva quanto a meus problemas. E ela falou algo que, honestamente, não tem como não pesar na balança. As palavras que ela usou foram "você tem um coração enorme DEMAIS pra se contentar com metade do todo". E ela tem toda razão. Eu não sei viver de forma meia-boca. Oito ou oitenta, sou eu. Feliz demais. Triste demais. É assim que eu sou. Por isso pra mim é difícil quando tenho que lidar com certas situações. Gosto de conversar mas na maioria das vezes os assuntos que são colocados em pauta são assuntos de que eu não tenho nenhuma propriedade pra falar. E normalmente quando falam de assuntos comuns a todo ser humano como filmes, livros e músicas, eu fico atrás, pois as pessoas ao meu redor são pessoas com gostos e gêneros muito diferentes, muito refinados. É praticamente impossível saber tudo, e normalmente eles não gostam do que eu gosto. Eu gosto de músicas populares, livros de histórias fantásticas, filmes de heróis. Podem dizer que isso é falta de cultura da minha parte, mas honestamente, pouco me importa. Minha vida é minha, meus gostos são meus, o que eu gosto eu realmente gosto e o que eu não gosto eu tento aprender a gostar. E se não consigo, aprendo a pelo menos suportar.
No outro lado da moeda, poderia se dizer que eu também sou uma pessoa meia-boca. Quando começam a falar sobre algo q eu não conheço ou não me interesso acabo ficando calada. Não é que eu não esteja ouvindo, mas muito provavelmente acham q não estou nem ouvindo, nem prestando atenção. Quando falam de livros ou de filmes que eu não vi e me recomendam que eu leia ou assista eu acabo sempre não lendo, não assistindo. A primeira (e única vez) que li um livro que alguém me recomendou foi porque tínhamos combinado de lermos juntos, e eu achei a ideia ótima. Ler em conjunto é sempre legal. Já me recomendaram muitos filmes, alguns que eu inclusive conheço de nome, mas que nunca tive paciência pra realmente me sentar e assistir. Ficar na frente da TV é um martírio pra mim, mas acho que as pessoas não sabem disso.
Já pensei em fazer vários programas legais. Tenho um jogo de tabuleiro do Hobbit e sempre fico pensando que seria muito legal se pudéssemos combinar com uns amigos de nos encontrar no Bosque Maia e jogarmos durante uma tarde qualquer. Já quis levar meu video game pra casa de amigos (pois todos sabem q na minha casa é praticamente impossível) pra poder jogar uns jogos multiplayer. Mas na hora de por idéias em prática, eu me acovardo e não ajo. Me falta sempre coragem pra fazer tudo que eu realmente quero. E isso faz de mim uma pessoa meia-boca.
A liberdade que eu conquistei vai aos poucos abrindo suas asas e me deixando viver no mundo. Hoje, sábado, estou viajando para o Rio de Janeiro para a festa de aniversário da Ana Brum. Só volto na segunda, bem de manhãzinha. Avisei praticamente todo mundo. Confesso que estou com medo. Confesso que estou ansiosa. Confesso que provavelmente só sossegue quando por os pés no Rio e ver a Ana lá, no aeroporto, me esperando. Confesso que quero muito abraçar o Brenno e ser abraçada por ele, porque ele me faz bem. Confesso que quero muito ver a Ana Sofia e poder chorar muito, porque minha mãe morreu e por mais que eu lute contra o pensamento de que não tenho o carinho de ninguém, esse sentimento é recorrente e gosta de me atormentar em momentos que me sinto mais frágil.
Amo muito. Mas amo sozinha. E o amor, quando não correspondido, acaba também se tornando meia-boca. Quanto mais penso, mais triste fico. É um ciclo infinito esse o meu, de amar sem ser amada. Queria poder acreditar que um dia isso possa mudar, mas diferente do que aconteceu no caso do Brenno, que é meu amigo há mais de 10 anos e com quem eu tive alguns dos momentos mais felizes da minha vida, tenho a impressão de que a pessoa de agora vai sumir da minha vista quanto mais cedo melhor. Melhor, nesse caso, pra ele. Não importa quanto eu me esforce, nada nunca parece o suficiente pra ele. Pra ele, sou apenas uma pessoa meia-boca. Mesmo que tantos indícios me provem o contrário, ele é a pessoa que eu amo, e isso acaba definindo muito do como me sinto. "Você não consegue superar que gosta de mim", ele disse. Queria eu que isso fosse algo fácil de se superar, sir…
Por fim, queria dizer que, se eu morrer nessa viagem, saibam que o nome do homem que amo é Giorgio. Foi um fato levantado pelo Silver um dia desses, quando falava com ele. "Quando você fala dos seus amigos você sempre fala o nome deles, mas nunca o dele". Não é como se eu ache que algum dia ele vá ler isso de qualquer forma, então, acho que não faz diferença. Mas não pretendo dizer o nome dele de novo por aqui.

sábado, 27 de agosto de 2016

"Forte"

Eu queria mas acabei não postando a respeito dos últimos problemas que entraram na minha vida como uma enxurrada. O tempo passou e acho que agora estou mais preparada pra falar a respeito. Então, vou começar do início.
Eu falei como tudo deu errado no dia 13. E como resolvi dar espaço pra ele. O que aconteceu depois disso foi eu me forçando a não falar com ele pelo facebook, já que achei que isso de alguma forma contribuía pra ele pensar que eu trato ele diferente das outras pessoas. E agora estou me policiando pra tentar não interromper as pessoas quando elas falam. E aqui, abro um parênteses. É impressionante como ele me conhece há tão pouco tempo (em relação a maioria das pessoas que me conhecem) e percebe tantas coisas a meu respeito. Acredito que seja a convivência, de certa forma passo mais tempo com eles que com a maioria das outras pessoas. Mas ele realmente aponta certas características em mim que eu não perceberia se ele não falasse. Não por elas não estarem presentes em mim, não. Apenas por serem características que as pessoas, se percebem, não reclamam. Nem comentam. Nem mencionam. E aos poucos vou ficando com a impressão que ele me conhece melhor do que tanta gente... que é triste. Falei pra ele que estou dando espaço pra ele, que é a única coisa que posso fazer por ele. Mas quando digo isso me lembro de uma das coisas que ele disse na última vez: você nunca pergunta o que é melhor pra mim. E eu me pergunto se, caso eu perguntasse, se ele me diria. Tenho a impressão que não. E quando penso mais fundo ainda, lembro daquele fatídico dia em que perguntei se ele preferia que eu não gostasse dele e ele respondeu que sim. Pra todo lado que eu olho, acabo sempre chegando na mesma conclusão: eu preciso mesmo dar espaço pra ele.
Na contramão desses acontecimentos o Gilson me disse que não me vê como uma pessoa grudenta, nem como se eu pudesse sufocar alguém, que sempre achou que eu sou uma pessoa de que seria difícil se cansar. Fiquei feliz de ter ouvido essas palavras.
Mas problemas, quando chegam, nunca vêm sozinhos. E nessa quarta soube que o labrador do Giorgio morreu. Confesso, foi uma notícia triste. E eu nem pude dizer algo pra tentar consolar ele, pois não sabia quanto eu podia me aproximar dele, nem se algo que eu dissesse poderia trazer algum benefício pra ele. Na verdade acabou que o clima estava tenso. Daqueles que se corta com uma faca de manteiga. Pra completar, no fim do dia, aquele lindo garoto de olhos azuis que mora no Sul mencionou pela segunda vez a palavra suicídio. E pra fazer com que ele se sentisse melhor eu tive que me abrir pra ele, expor como a minha vida não deu nem dá certo, como perdi tanto, como tudo sempre dói, mas como eu continuo vivendo. A vida é assim mesmo, quebra a todos. Cabe a nós continuarmos, com ou sem os cacos. Ele disse que eu sou forte e que, se ele fosse tão forte como eu, que provavelmente não estaria mais nesse mundo. Eu disse que não adianta ser forte se não se tem coragem.
No dia seguinte, Inco falou comigo de manhã, o que por si só é um fato raro. E falei pra ele das minhas preocupações com certos planos que estão em desenvolvimento na cabeça dele. E de brincadeira ele disse "aí você me leva comida quando for me visitar", pro que eu só consegui formular uma resposta: "não será a comida da minha mãe, mas levo sim". Pronto. Foi o suficiente pra fazer com que o ânimo de ambos desmoronasse. E mais uma vez fui chamada de forte. Confesso que cheguei na agência e, depois de um tempo esperando a maioria das pessoas chegar, saí pra fora e comecei a chorar. Muito. Esperei passar antes de voltar pra dentro e me trancar no banheiro pra lavar o rosto. E nesse mesmo dia tive que ouvir do Carlão que um dos motivos que o Giorgio não me aceita é pelo cheiro de cachorro. Mais uma vez, eu sei... Não é como se eu pudesse fazer algo imediato pelos meus cães... Um amigo me aconselhou a usar bastante perfume, o que eu tentei fazer, mas honestamente não sei se funcionou, porque meu olfato é o mais pobre dos meus sentidos.
Pra terminar a semana, sexta-feira recebi cócegas. Foi pouco, de um lado só, mas já me deixou toda ouriçada. E aí lembrei da carta da semana que saiu do André Mantovanni. A carta do Diabo. "Cuidado com as paixões". E fico feliz, mas me segurando pra não pensar mais do que devo disso. Afinal, o espaço ainda está lá. E pretendo que continue assim, pois parece que é bom tanto pra mim quanto pra ele. Outro fato foi o convite pra conhecer o novo lar dele, mas acabou que não rolou. Fico com vontade de ir, mas fico imaginando se não acabaria sendo, mais uma vez, um incomodo. Tenho pensado muito isso ultimamente, até mesmo quando estávamos bebendo e os dois estavam silenciosos. Não acredito do fundo do coração que o problema fosse eu, mas torci muito pro tempo passar logo pra que eu tivesse que ir fazer a entrevista marcada pras 19 horas ao invés de ficar ali com os dois, sem assunto.
Percebi que me é difícil entrar no quarto da minha mãe, que hoje é o quarto do meu pai. Antes eu chegava e me enfiava naquele quarto pra contar pra ela como tinha sido meu dia. Hoje evito entrar naquele quarto como se minha vida dependesse disso. "Forte", eles dizem. Não sou nem metade da pessoa que eu gostaria de ser.

sábado, 20 de agosto de 2016

Alemão

Na última semana quis postar sobre ele mas outros assuntos se puseram na frente. Outros assuntos que eu precisava falar com mais urgência. Neste momento, por mais que tenham assuntos que estejam me incomodando mais que esse, foi esse o assunto que escolhi pra abordar. Acho que já passou da hora de eu falar sobre meu Alemão.
Não sei até que ponto é conhecido para meus leitores o fato de que eu passei muito tempo da minha vida jogando Ragnarok. O jogo era simples, divertido e viciante, logo não era difícil eu escolher ficar em casa jogando ao invés de sair e ir até aquela escola onde eu supostamente devia ir pra fazer meu estágio e terminar minha faculdade. Esse também é um assunto pra outro dia, voltemos para o assunto em mãos. Houveram muitas pessoas no Ragnarok, muitas mesmo. Eu era da classe dancer, ou odalisca, ou sei lá como era o nome dessa classe aqui no servidor brasileiro. Transclasse, gypsy. Era minha paixão, aquela personagem e meus chapéus. Certa vez meu amigo Henri falou que eu nunca devia me casar no jogo, pois sempre haveria alguém que ficaria com ciumes, magoado, chateado, querendo se vingar. Mas eu nunca estava sozinha naquele jogo. E o alemão entrou na minha vida através dele.
Prontera era a cidade principal do jogo e eu estava por lá, não lembro fazendo o que, até que encontrei dois companheiros de guild conversando. Me juntei a eles e ouvi suas histórias. Um deles teve que sair e continuei lá, conversando com o que sobrou. O alemão. Seu nick era Fizzle e ele era um Blacksmith. Ou ferreiro caso prefiram. Ele estava desanimado por ter visto a garota dele beijando outro cara numa balada e me contou como as garotas alemãs eram promíscuas, relatando o caso da namorada de um amigo dele que tinha feito um boquete nele. E sido gravada pelos outros amigos, que usaram a gravação para mostrar para o amigo como ela não prestava. Ele largou os amigos e ficou com a namorada. Na época eu era virgem e me lembro de ter dito que tinha uma certa inveja da tal garota, o que o indignou. "Por que vc teria inveja dela?" Ele perguntou, e eu disse que era pelo fato dela ter chupado ele. E foi aí que começou. Eu tinha muita experiência com o virtual, ele tinha muita com o real. Lembro até hoje de como ele disse "É a primeira vez que faço isso, me sinto um virgem, seja gentil comigo".
Nossa relação durou 4 meses. Sim, meros 4 meses. Na época eu tinha medo de morrer velha e sozinha. Não um medo como medo de escuro ou medo de altura, não. Era uma sensação que invadia minha mente, como se naquele curto momento eu realmente fosse uma velha. Sozinha. Morrendo. Essa sensação era sempre acompanhada de muito choro e muito medo. E eu tive um desses episódios enquanto falava com ele pelo MSN Messenger, o que o assustou bastante. Contei o que se passava e ele me acalmou dizendo "você não vai morrer sozinha pois vou estar sempre do seu lado". Era mentira, pois ele nunca esteve fisicamente do meu lado. Nunca nos tocamos. Ainda assim, depois dele ter dito isso eu nunca mais senti aquela sensação.
Um dia ele me disse que o avô dele estava muito mal. Me contou um pouco da história desse avô, de como ele era cruel, de como ele havia sido um soldado na segunda guerra (e, como ele era alemão, acho que não preciso dizer de que lado ele estava), de como ele tinha ganhado várias medalhas e como teve que devolver todas elas. Meu alemão não acreditava em Deus. Eu disse que oraria pelo avô dele mesmo assim. No dia seguinte ele disse que o avô dele tinha morrido.
E sumiu.
Demorou um mês até que ele aparecesse de novo e as coisas estavam diferentes. Não nos falávamos direito e sempre que ele logava ficava com outras pessoas, nunca me procurava. Até que eu resolvi confrontar os fatos. "Como ficamos?" Foi o que eu perguntei. "Existem coisas que chegam ao fim, nós somos uma delas" foi o que ele me respondeu. Minha primeira reação foi perguntar se tinha sido algo que eu tinha feito de errado (e confesso, minha consciência estava pesada) e se tinha algo que eu podia fazer pra consertar as coisas. Ele disse que não era minha culpa, nem dele, mas que simplesmente não tinha mais como. E doeu. E eu não me conformava, reclamava para todos os meus amigos, procurava uma resposta, uma saída. Até que um dia, conversando com a Lucimar ela me perguntou "você está ouvindo o que você está falando?" Eu não estava, naquele momento, tudo que eu queria era por minha dor pra fora, então nem sabia direito o que estava falando. Ela me recomendou tentar lembrar o que eu tinha acabado de dizer, mas não consegui mesmo, então perguntei a ela o que é que eu tinha dito de tão importante. "Você sempre começava a amar outra pessoa quando uma não dava certo, mas dessa vez, você não esta conseguindo pular pra outro amor. Pela primeira vez na sua vida, você não está amando alguém." Isso me fez lembrar de uma amiga minha, Liliane, que namorou durante muito tempo e, após um rompimento doloroso e muitas lágrimas, resolveu ficar solteira por um tempo. Foi uma experiência importante pra ela e achei que eu devia me dar essa oportunidade também.
Ainda hoje lembro dele. Costumo pensar nele como o grande amor da minha vida pelo tanto que ele fez por mim. Sei que nunca mais vou encontrar ele em lugar nenhum, já me conformei com isso. Nossas vidas continuaram, a dele e a minha, e tudo que posso fazer hoje é continuar vivendo. E tentar ser feliz. E não morrer sozinha. Tenho que fazer isso por mim e por ele. Gosto de pensar que ele ficaria feliz de saber que eu continuei vivendo e tentando ser feliz. Ele não precisa saber que todas as tentativas estão dando errado, só que eu estou tentando.

sábado, 13 de agosto de 2016

Evitando o Inevitável

E, de repente, não mais que de repente, faz um mês que ela se foi. E é aniversário daquela pessoa complicada. E amanhã é dia dos pais. Juro que já tinha escrito um texto pra essa semana. Até pensei em escrever sobre o nome dessa sessão do blog depois de ver um post meu no facebook de dois anos atrás que falava de gavetas. Mas não, não era o momento. Eu precisava por pra fora as coisas que estão dentro de mim pra que eu possa, de alguma forma, ir pra frente.
Ontem cheguei no trabalho e fui recepcionada pelo Jonas com um sonho recheado de doce de leite. Que, segundo ele, me esperava desde o dia anterior. Estava uma delícia, recheio de doce de leite pra mim sempre foi o melhor. E então falei pra ele de como eu estava disposta a desistir. De como tudo estava me cansando. De como está difícil. E ele me perguntou simplesmente se eu realmente ia desistir, quase como se me desafiasse a não desistir. O problema é que eu não vejo muitas opções.
O que aconteceu pra desencadear esse sentimento de desistência: saímos pra beber, 3 pessoas. Ouvi histórias que já haviam me sido contadas aos pedaços, atribuí nomes à pessoas que eu já conhecia de outras histórias. E no final fiquei com a sensação de que não importa o que eu faça, ele é inatingível pra mim. E houve o desabafo no dia seguinte de como ele se sente sufocado e de como ele acredita que eu nos vejo em um relacionamento.
Fatos: eu nunca tive um relacionamento de verdade pra saber o que se encaixa nas leis de um relacionamento, mas não sou idiota pra não conseguir entender que estou incomodando. De novo. Já é a segunda vez que temos essa conversa e já é a segunda vez que me irrito por ele esperar que as coisas cheguem a esse ponto pra dizer alguma coisa. Ele diz que eu tenho que ver por mim mesma. Eu não sei como enxergar isso. Mas sei que estou ficando cansada. Bastante cansada.
O plano era ir na casa dele entregar o presente de aniversário dele que eu mesma fiz pois não podia gastar dinheiro comprando algo. E aproveitar pra dar um selinho nele. Seria uma maldade da minha parte, mas já é a segunda vez que eu recolho toda minha coragem esperando pelo dia e algo acontece pra que não dê certo. Abortar plano. Houston, we have a problem. A ponte de Londres está caindo. Não está destinado a acontecer, acho. E mais uma vez acabou que eu penso que tenho que me afastar dele, ele diz que não precisa e eu não vejo outra coisa que eu possa fazer por ele além disso. É triste, é frustrante, mas é assim que é. Deixei o leão na cadeira dele. Ele chegou, viu, perguntou o que era, perguntou se eu que tinha feito, me deu um abraço e colocou na mesa dele. A Renilda quando chegou ficou tão entusiasmada quando viu que até quis tirar foto. Minha chefe perguntou se eu podia lhe fazer uma encomenda. E eu passei o dia todo tentando ser fria com ele. O que é meio difícil, porque eu acabo abrindo minhas defesas com o passar do tempo, nunca consigo me manter com essa postura até o fim do dia. Mas uma coisa eu decidi, que é dar um espaço pra ele. E pra mim mesma. Nenhuma das faculdades vingou, então vou arrumar o que fazer com meu tempo. Voltar a fazer natação, quem sabe? Ou Ioga com o Flávio lá no Adamastor. Ou mesmo sair pra caçar pokémons, ver amigos, ver filmes, sair pra beber... sem ele. Talvez se eu restringir nosso contato ao ambiente de trabalho ajude de alguma forma. Talvez ele continue vendo as mesmas coisas que vê hoje e nada mude e eu continue frustrada, triste e magoada. Mas é pra isso que eu estou disposta a pagar por uma terapia. É pra isso que estou disposta a mudar. A me esforçar. Quero mesmo ser uma pessoa melhor. E se não ser um incomodo estiver incluído no pacote, então por favor, me dê um. Ou dois logo de uma vez, pois sei que não é a primeira e não será a última vez que temos esse tipo de discussão.
Faz um mês que ela morreu. É aniversário dele. E eu decidi sair pra caçar pokémons e ver um filme no cinema. A vida continua e eu vou com ela aonde ela me levar, seja pro bem ou seja pro mal. A tal liberdade começa a se mexer no meu bolso, pedindo ar. "Está na hora de me deixar sair, mocinha". Então vai, liberdade. Me leve aonde eu tenho que ir. Me quebre no processo se for preciso. Eu sei me reconstruir do pó. Não foi a primeira vez, não será a última.

sábado, 6 de agosto de 2016

Dos Meus Amores

Amor é uma das palavras mais complexas do mundo. Músicas, poesias, filmes... a arte ama o amor tanto quanto o amor ama a arte. Eu poderia encher esse post de descrições clichês do amor, tiradas da arte, e isso não mudaria nada nem para mim, nem para você que está lendo. Ao invés disso, vou dividir com vocês o estudo que fiz há algum tempo atrás sobre minhas relações anteriores e como elas podem estar influenciando meus erros de hoje. Pode não parecer, mas neste exato momento o que estou fazendo é estudar o amor. Amor este definido por um homem e uma mulher. Isto posto, vamos seguir adiante. Meu primeiro amor foi totalmente platônico, ele nunca nem deve ter desconfiado que eu tinha uma quedinha por ele. O segundo que é digno de menção foi um rapaz de quem eu gostei e que minhas amigas, querendo me ajudar, acharam que seria uma boa ideia falar com ele e tentar armar um "esquema". Não sei como vocês jovens chamam isso hoje, na minha época era os esquemas, então que seja. O problema é que o esquema foi um fracasso, pois quando ele chegou perto de mim pra começar a falar suas primeiras palavras foram "suas amigas vieram falar comigo e disseram que você gosta de mim." Minha reação foi me desesperar e sair correndo. Eu sabia q ia levar um fora, a situação toda foi muito constrangedora e eu era ótima pra me esconder. O rapaz depois deste foi a cobaia da minha "coragem", que se limitou a escrever uma carta e deixar dentro do caderno dele na hora do intervalo. E aqui cabe dizer que ele nunca falou comigo a respeito da carta, mas q ele sabia que tinha sido eu. E cabe também dizer que essa carta foi responsável por uma das situações mais traumatizantes da minha relação filha x mãe. A única coisa que cabe ser dita aqui desse trauma é que ele fez com que eu decidisse que, se algum dia eu fosse falar sobre algum homem para minha mãe, é porque era com ele que eu pretendia me casar. Ou que pelo menos eu conseguia me ver largando tudo por ele. O tudo era ela. Ela morreu antes que eu tivesse lhe dito um nome. Isso não importa mais.
Meu maior amor dos tempos de escola foi um rapaz chamado Rafael que, em resumo, se aproveitou mais do que devia do fato de eu gostar dele. Era o tipo de pessoa que nunca vai te dar uma chance, mas que te mantém por perto pois é comodo te ter por perto. Você lhe fornece atenção, jogos e músicas em um tempo onde tudo isso custava mais dinheiro do que os jovens estavam dispostos a gastar. Por que se livrar de alguém assim? Pois é. Pode ser que esse não fosse realmente o pensamento dele, mas era como ele fazia parecer. Uma das coisas engraçadas quando eu paro pra pensar nesse e na maioria dos meus amores é que na maioria das vezes a pessoa que acaba com tudo sou eu. Ou se sofre demais, ou se tem atenção de menos, ou se apaixona demais, ou se muda demais. Sempre tem alguma coisa fazendo com que eu pule pro próximo galho.
Até que o amor colocou um alemão no meu caminho.
Mas este homem da minha vida merece um post só pra ele, então devo continuar. Meus relacionamentos foram virtuais por muito, muito tempo. Pessoas reais eram legais de se interagir, mas machucava demais se apaixonar por elas. O Luciano foi um teste pra ver se eu podia voltar pro mundo real. Eu acho que houve sucesso até um certo ponto do caminho. Mas o fracasso me fez voltar pra internet, onde os relacionamentos seguintes foram tão conturbados como sempre. Parece que eu adoro me apaixonar por pessoas problemáticas.
A última pessoa dessa lista é uma pessoa real. Muito real. Tão real que chega a doer. Não sou mais uma garotinha que foge do que sente ou que se esconde por ai. Não somos pessoas perfeitas, eu e ele. Temos muita dificuldade ainda de lidar com os sentimentos um do outro mas acredito que isso tudo é muito normal dado o tempo que nos conhecemos. Mas uma coisa é muito certa... O som do coração dele acelerando é uma das coisas mais bonitas q eu ja ouvi na vida.