sábado, 23 de dezembro de 2017

Divagações

Quando eu fazia faculdade tinha um professor que gostava muito de falar da família dele no meio das aulas. Eram suas divagações. Neste exato momento tudo que eu quero é poder divagar tbm, pra fugir um pouco dos problemas, que infelizmente são muitos. Mas como não quero falar deles, vamos divagar!
Na sexta-feira da outra semana fizemos a mudança do meu emprego de um endereço pro outro. Nunca pensei que fazer uma mudança fosse tão trabalhoso. E ouso dizer que o maior problema nem é a mudança de fato, mas sim as pessoas envolvidas no processo. Ouvir de uma pessoa de cargo superior ao seu “o que vocês ficaram fazendo durante todo esse tempo?” quando você ficou esvaziando um galão enorme, cheio de água, para que o mesmo pudesse ser transportado, além de cuidar das vagas onde o caminhão da mudança estacionaria para que não houvessem problemas depois não é nada pra ele? Pra mim é bastante coisa. Depois, no lugar novo, você tem que lidar com o falso nojo das pessoas de lidarem com uma tampa de privada que tinha que ser instalada. Já ouviram aquela frase, “se quer algo bem feito, faça você mesmo”? Pois bem, eu sou dessas. Então eu mesma peguei a privada e instalei. Um problema resolvido. Então passamos pros arquivos e pra mesa que devia ficar na cozinha, mas que é grande demais pra cozinha então deveria ficar lá fora, no relento e na chuva. O que não é uma idéia ruim já que teve a confraternização na sexta. Tudo que se fazia ou se falava era retrucado e rebatido ao ponto em que eu não via a hora de ir embora dali.
E já que mencionamos a confraternização, vamos falar um pouco de confraternizações? Mas não da minha, pois estamos divagando. Existe apenas um tipo de confraternização que eu conheço, aquela em que todas as pessoas envolvidas têm problemas com um ou outro sujeito, mas todos fazem de conta que são ótimos amigos e super camaradas, só pra não pegar mal no filme. Me lembro de quando eu era mais jovem e minha mãe ainda era viva e resolveram fazer uma confraternização no mc Donalds, com direito a levar família e tudo mais. Minha mãe levou eu e meu irmão e uma das professoras olhou pra gente e disse “não comam muito pra não fazer sua mãe gastar muito dinheiro”. Minha mãe olhou pra gente e falou “podem comer o que quiserem, eu tenho dois salários pra isso”. Tipo o Julius, pai do Chris, do seriado todo mundo odeia o Chris, mas no caso dela, uma mulher. Lembro que me segurei pra não rir, mas fiquei feliz com a atitude dela. Que importam as outras pessoas? Quero estar bem com as pessoas que amo e que quero bem. Não que esteja acontecendo. Mas esse post não é pra falar disso, e sim pra divagar. Divagar!
Sábado passado eu fui num evento de animes. Ressaca Friends. Tinha um algodão doce preto sendo distribuído no estande de Harry Potter que deixava os dentes, os lábios e inclusive o seu intestino azuis. Tinha também a Comix, que eu não via desde muito tempo atrás, e que me fez agradecer fortemente pela Yamato ter vendido o evento. E tinha um panda oferecendo abraços grátis, com um rapaz do lado distribuindo adesivos, em forma de cabeça de panda e com os dizeres “abraços grátis” dentro. E tinham vários casais. Mas meu par é tímido. E eu estou num estado choroso. Sim, choroso. Não é líquido, nem gasoso, nem sólido, é choroso. As pessoas normais são enterradas. Minha mãe foi cremada. Michael Jackson virou purpurina. Eu vou me desfazer em lágrimas. Cada um tem o fim que escolhe. E como a premissa é verdadeira, esse post tem seu fim aqui.

sábado, 2 de dezembro de 2017

Idade do Condor

Quando eu era mais nova ouvi uma piada sobre as idades e, de todas elas, teve uma que eu nunca esqueci, que foi a idade que me foi descrita como a “idade do condor”, que basicamente profetiza que, em determinado momento da sua vida, você vai sentir dor. Não importa o que você faça. O engraçado de dizer isso é que eu estou, sim, em uma idade que ando sentindo dores o tempo todo, apesar de culpar as pessoas que sempre disseram e perguntaram, espantadas, se o peso dos meus seios não fazia com que eu tivesse dores nas costas ou nos ombros. Da mesma forma, meu namorado se queixa bastante de dores, mesmo tento praticamente metade da minha idade. Não vamos esquecer, no entanto, que ele está numa idade que o corpo está sofrendo mudanças constantes, o que pode explicar um pouco das dores. Ele também gosta de sentar numa posição que ele mesmo sabe que, com o tempo, faz as costas doerem, no entanto, ele se acostumou com aquela posição. Não posso julgá-lo nem reprimi-lo pois foram coisas que estavam na vida dele antes de eu fazer parte dela. Eu fiz um curso de massagem pra poder aprender métodos de ajudar pessoas que estivessem nessa idade da vida, pois acho que deve ser muito triste sentir dor o tempo todo, não importa o que se faça. Se puder amenizar essa dor, eu o farei. O que nos leva a pergunta… O que você tem feito da sua idade?
Ouvi que a idade é só um número e, ao mesmo tempo, justifiquei muitos dos erros que as pessoas cometeram comigo por conta da idade que elas tinham. Acredito que até os 20 anos a gente não tem muita noção do que está fazendo no mundo ainda. Eu, com minha idade, após ser uma pessoa totalmente madura e comprar um celular numa promoção pra economizar dinheiro, assim que ele chegou em minhas mãos e consegui fazer ele entrar na internet, baixei dois jogos que, com certeza, qualquer pessoa consideraria de criança, que foram Animal Crossing: Pocket Camp e Pokémon Go. Também baixei Deemo pro meu namorado pois ele sempre fala tão bem do jogo e, como eu nunca baixei, resolvi dar uma olhadinha… só pra descobrir que não tenho dom pra jogar aquel jogo. A idade pode ser, no fim das contas, realmente apenas um número. As dores virão? Bem, houve uma época que eu acreditava que era balela, hoje acabo acreditando um pouco mais. O importante mesmo é que estou vivendo de uma forma um pouco mais leve desde que meu namorado entrou na minha vida. Temos problemas? Com certeza, como todo casal, como toda pessoa, como todo ser vivo. Mas também quero acreditar que promessas não são em vão e que o Condor que nos ronda sirva pra algo além de nos trazer dor.

sábado, 25 de novembro de 2017

O Tempo Que Nos Separa

No dia trinta de setembro de mil novecentos e oitenta e cinco nascia uma criança que foi muito, muito desejada e esperada. Os pais dessa criança esperaram um bom tempo até decidirem tentar ter filhos e, quando começaram a tentar, esbarraram em várias dificuldades. O nascimento daquela criança era, por si só, uma vitória para aqueles pais. Ela demorou pra começar a ter cabelo mas, quando o teve, era invejado por conta dos cachos. Tanto que, quando o advento da escola aconteceu, não sendo suficiente que alguma criança maldosa tivesse grudado chiclete nos cabelos dela, ela acabou pegando piolho, o que resultou no jeito mais fácil de combate a essa praga, mesmo que a maioria dos pais relute muito pra fazer isso com sua garotinha: cortou o cabelo curto, como de um menino. Ao ponto que, em uma foto específica, uma garota chegou a perguntar a menina, “quem é essa garoto lindo?” Sua resposta foi “sou eu”. No ano de dois mil a garota completaria quinze anos. Foi o ano em que ela entrou no ensino médio e, também, no ensino técnico do Senai. Numa sala de trinta e dois alunos haviam três mulheres das quais uma era ela. Uma vida inteira convivendo com mulheres e, no entanto, ao começar a estudar naquele lugar e conviver com os homens, ela percebeu que era muito mais confortável viver entre eles. As meninas eram muito dissimuladas, muito atrevidas, muito maduras. Ela, apesar dos seus quinze anos, era não mais que uma garotinha inocente.
Naquele mesmo ano nascia um garoto. Sua vida foi bastante complicada com vários eventos como o divórcio de seus pais, o casamento de sua mãe com um padrasto e a nomadicidade que foi imposta à vida dele para que pudesse estudar e passar algum tempo com sua família. Quando ele completasse quinze anos sua garota estaria completando trinta. Quase uma situação daqueles problemas matemáticos que nossos professores adoram, “Luciana tem o dobro da idade de Henrique. Sabendo que seu irmão, que é onze meses mais novo que ela nasceu no ano de 1986, qual a idade de Luciana? E qual o ano de nascimento de Henrique?” Seria cômico se não fosse trágico. Naquela época, se tivéssemos nos conhecido, provavelmente nunca teríamos chegado onde estamos hoje. Ou talvez teríamos.
Estamos no ano de dois mil e dezessete. Eu tenho trinta e dois anos. Ele tem dezessete. Eu tenho o péssimo costume, desde os tempos do Edgar, de considerar a idade uma justificativa para muitos erros que o outro comete. “Ele é jovem, não sabe o que faz.” Entre outras tantas desculpas que eu dava pra mim mesma. É cômodo quando você quer continuar com alguém que você ignore os erros dela. Ou não. Aprendi que gostar de alguém é aceitar suas qualidades, defeitos e verdades. E é aqui que o tempo correu de forma cruel para nós todos. É verdade que quando estou de TPM me torno uma pessoa insuportável, tenho plena consciência disso. Talvez eu devesse ler alguns livros sobre como evitar esses sintomas. Muita gente diz que esses sintomas são invenção de nossas cabeças. Bem, não sei se é invenção ou não, mas eu percebo que fico mais briguenta. E juro que estou me esforçando pra não ser assim! Existem dias que tudo que eu quero é ficar ali, quietinha. Sozinha. Ou sozinha com meu amor. Acontece que, como era esperado com o passar do tempo, meu amor se sentiu sufocado. Brigamos muito por vários dias. Tivemos discussões bobas e inúteis que começaram a pesar. E durante essa semana ele me pediu um tempo.
Tempo.
A única vez que eu ouvi alguém me contando uma história sobre um tempo em um relacionamento foi minha amiga Liliane quando seu primeiro namorado, por motivos que hoje nem me recordo, pediu para que eles dessem um tempo no relacionamento. A resposta dela, como era de se esperar de uma pessoa com a personalidade forte que ela tem, foi a de que, se era pra que eles dessem um tempo, era melhor que eles terminassem.
Tempo.
E eu entrei em pânico. Eu achava que estava me esforçando por nós dois. Eu ficava com ele por perceber que ele tinha ciúmes quando eu ficava conversando com outras pessoas e, com o tempo, me acostumei a ficar mais com ele do que com os outros. Aos poucos fui me afastando das pessoas, parando de fazer algumas coisas que eu gosto e até mesmo tentar interagir com pessoas que não fossem ele. Isso, obviamente, sufoca uma pessoa além da conta. Eu sei disso. Mas não me dei conta disso, pois não existiam indicadores de que ele estava se sentindo assim. Até que as brigas explodiram e houve o pedido.
Tempo.
Eu me senti perdida. Abandonada. Onde eu tinha errado? Seria aquilo o fim? Ele pediu, de fato, uma semana. Apenas uma semana. Se parar pra pensar, uma semana passa rápido. Mas diga isso pra um coração que dói. Uma semana agindo apenas como amigos, depois de quase seis meses de namoro. Uma semana começou a parecer tempo demais. Minha salvação foi uma Lucimar que me pediu pra ir visitar a casa dela para pegar algumas encomendas que pedi para serem entregues na casa dela, já que eu não confio no carteiro da minha casa. Acabou, inclusive, que o pedido de tempo me foi feito enquanto eu me locomovia da casa dela pro setor. Do setor para casa já estava pensando no que eu ia fazer da vida se ele quisesse terminar comigo. Demorou um tempo até que eu conseguisse digerir a informação e aceitar que, se ele queria uma semana, seria uma semana. Se eu queria ajudar de alguma forma não seria impondo minhas vontades e minha presença que ajudaria. Então comecei a fazer planos de coisas que eu poderia fazer durante aquela semana. Até cogitei a possibilidade de ir assistir o assassinato no expresso oriente sozinha, no dia da estréia, ao invés de esperar o sábado pra ir assistir com ele. No entanto, o tempo destrói mas ele também cura. Não precisou de muito mais do que um dia longe pra ele pedir pra que a gente voltasse do jeito que era, pois ele não tinha pensado em tudo que ele estava perdendo com aquele pedido.
Tempo.

E durante o dia as coisas foram se arrumando e se organizando e agora, neste momento, posso dizer que talvez as coisas ainda estejam um tanto quanto abaladas entre nós, mas vou continuar acreditando que os 15 anos de diferença entre nós, a uma semana de TPM que tenho todos os meses ou o pedido de tempo que durou um dia serão o suficiente para que nosso relacionamento acabe. Desmoronou um pouco? Talvez. Mas da mesma forma que o tempo destrói, o tempo constrói.

sábado, 11 de novembro de 2017

Enem

Pra quem não sabe, semana passada eu fiz a primeira parte da prova do Enem. Isso significa que eu, como a pessoa que tenta ser responsável que sou, vou passar algumas horas do meu domingo numa sala de aula no quinto andar do campus da faculdade Anhanguera, tentando resolver exercícios da tecnologia tanto da ciência quanto da matemática. Não levei o caderno de questões pois honestamente achei que era muito tempo pra ficar esperando, só pra levar a prova. Quando cheguei em casa, meu pai já estava lá. Sim, caso estejam se perguntando, meu pai também fez o Enem. Meu namorado também. E, para minha surpresa, meu chefe também. Cheguei no trabalho comentando sobre o tema da redação que, apesar de eu ter tido uma mãe que era professora, foi bem difícil de desenvolver, pois ela nunca tinha dado aula para surdos. Foi quando meu chefe perguntou onde eu fiz minha prova e comentou onde ele fez a dele. Minha surpresa durou, provavelmente, alguns segundos, até que lembrei o tipo de pessoa estudiosa que ele é. Além dele soube de mais uma pessoa que fez a prova, um amigo de longa data que mora no sul, além da minha amiga Lucimar que nos deu uma carona até o local da prova. Mesmo mal ela foi, pois, segundo ela, existe uma gratuidade para pessoas de baixa renda da qual ela faz parte, no entanto essa gratuidade é perdida caso se falte na prova. Então ela se esforçou bastante pra ir.
Vamos falar da parte de humanas da prova? Vamos!
Pra começo de conversa, me pergunto se alguém esperava aquele tema de redação. O Silver me disse vários temas que podiam ser o da redação e, no entanto, nos surpreenderam com um tema desses. Acredito que pessoas que estudaram em escolas com inclusão devem ter tirado de letra. Mas eu não! Nunca estudei Libras, nem convivi com pessoas com deficiência de fala ou de audição. Já vi pessoas no ônibus se comunicando através de sinais, acredito que todos nós vimos em algum momento de nossas vidas tais pessoas. No entanto, como deve ser a convivência de pessoas “normais” com essas pessoas? Minha sorte é que deixei a redação pro final. A minha prova era a de cor rosa e eu levei bastante tempo lendo cada questão. Todas as questões tinham algum texto, quando não imagens atreladas ao texto, te forçando a ler bastante. Não que eu esteja reclamando, já que ler é uma coisa que não me incomoda. No entanto, confesso, terminei a prova sentindo cansaço nos olhos. Saí da faculdade, liguei o celular e fui recepcionada com uma mensagem instantânea da sogra, “como foi a prova?” Minha resposta que “foi divertido, mas cansativo” a deixou surpresa. “É a primeira vez que ouço alguém se referir ao Enem como divertido”. Que bom que tem uma primeira vez pra tudo!

Não sei como vai ser minha nota, nem como vai ser a nota das pessoas ao meu redor. Verdade seja dita, não li uma linha sequer que pudesse ser considerada estudo pra essa prova, mas queria fazer a prova exatamente assim, crua. Quero saber quanto eu estou apanhando pra vida, quanto meus estudos foram defasados e quanto meu cérebro consegue me surpreender nessa prova. Como costumo dizer pro meu amor, quando você não cria expectativas, qualquer resultado te satisfaz, e é bem nessa vibe que estou encarando o Enem. Conforme for, quem sabe, eu não volte a abordar este assunto no futuro? Só a minha nota poderá dizer!

sábado, 4 de novembro de 2017

Finados

Essa semana tivemos o feriado de finados, onde pensamos nas pessoas que morreram e que nos eram importantes. Dessas pessoas conto duas na minha vida, minha vó e minha mãe, pois as outras pessoas que morreram, apesar de serem da família, não são pessoas que eu possa dizer que tiveram um impacto muito grande na minha vida. É triste, mas é verdade, nem todos os mortos nos fazem falta.
Hoje passou na minha casa dois daqueles senhores que são testemunhas de Jeová. É engraçado falar com eles pois eles sempre começam nos fazendo uma pergunta quaisquer, que se você for ver friamente, não é, de fato, religiosa. A pergunta de hoje era “existe vida após a morte?” E eles ficam esperançosos que você responda a pergunta. Como não sei se testemunhas de Jeová acreditam em reencarnação, em ressurreição ou essas  coisas, preferi simplesmente dizer que é uma pergunta que varia de religião para religião. Então fui questionada se tenho uma bíblia em casa (e responder que sim faz com que tudo fique muito mais rápido, acreditem), então eles me apontam para um trecho da bíblia que, supostamente, responde minha dúvida. Que nem era minha, pra começo de conversa. Mas achei interessante eles aparecerem falando exatamente sobre esse tema. Provavelmente foi proposital, talvez não.
Essa semana também recebi a notícia de que o Giorgio está namorando e fiquei feliz por ele. Realmente foi um ciclo que se fechou, e eu agradeço por isso. De certa forma, quando você rompe certos relacionamentos, por mais doloroso que possa parecer no início, isso te faz bem. Isso te liberta. Isso é o que sinto em relação a várias pessoas, até mesmo pessoas que me fizeram, também, muito bem. As vezes eu sinto falta dessas pessoas pela importância que elas tiveram na minha vida, por exemplo minhas colegas de trabalho cujos contratos venceram no ano passado e, desde então, conto nos dedos de uma mão quantas vezes pude revê-las. Também penso nisso quando percebo, por exemplo, que ao enviar uma mensagem pra uma pessoa, a mensagem não vai e, quando percebo, a imagem dessa pessoa no Whatsapp está cinza, o que provavelmente significa que fui bloqueada. Mas diferente de outras vezes, eu não me importo, pois finalmente passou o período de luto, de dor e de sentir tristeza pelo que aconteceu ou deixou de acontecer. De certa forma, e isso me preocupa, me sinto um tanto quanto rancorosa, mas ao mesmo tempo, aliviada. Penso que dessa vez devo serrar todo e qualquer resquício da existência de certas pessoas na minha vida. Não que eu vá esquecer, pois um elefante nunca esquece, mas já passou da hora de pôr uma pedra em cima disso. E seguir caminho, de forma que a pedra evite que o que quer que seja que saiu dali saia de novo. Quantos ques!

Dia de finados me faz pensar que ainda não dispomos das cinzas da minha mãe. Me pergunto também, no caso dela ainda estar viva, como estaria. Penso também no legado que ela me deixou e me pergunto se devo continuar a observar de longe ou se devo começar a mexer nas coisas. Não adianta pensar no que eu posso fazer se não consigo me decidir a, de fato, tomar atitudes. Mas a vida segue, então vamos seguindo. Lembrando dos mortos e dos vivos, cuidando de nossas vidas mais do que das dos outros e torcendo pra que tenhamos vidas nem longas nem curtas, mas do tamanho que tem que ser. Não sou espírita, mas gosto de pensar que nos é dado exatamente o que precisamos pra evoluir, basta querermos.

sábado, 28 de outubro de 2017

Eu e Animes

Eu sou uma pessoa que lê muito, sempre fui, no entanto, apesar de quando menor ter um hábito maior de ver TV, conforme o tempo passou, ele deu lugar a outras formas visuais de entretenimento. Eu poderia falar de cinema, mas nós já falamos de cinema às segundas, então vou falar de animes. Verdade seja dita, eu não assisto tantos deles assim e, na maioria das vezes, os que assisto são de muito tempo atrás que eu descubro de alguma forma. O último anime que eu assisti acompanhando conforme ele ia sendo lançado foi Erased, ou Boku Dake Ga Inai Machi. Para se ter uma ideia de como eu gostava daquele anime eu assisti o último episódio no trabalho enquanto não tinha ninguém na agência. As primeiras pessoas iam chegando e me vendo lá, aos prantos, mas nem perguntaram nada, pelo que agradeço. Como explicar pra uma pessoa do seu trabalho que um anime te fez chorar? Ou pior, que você estava assistindo ele durante o expediente? Até tentei explicar dele pra uma de minhas colegas que não conseguiu se segurar e, em dado momento do dia, perguntou se eu estava bem. Expliquei sobre o anime e ela me disse que era “muito drama pra um desenho”.
Vamos esclarecer um ponto importante sobre animes e animação japonesa em geral… Diferente de desenhos animados infantis, onde você espera que eles mostrem lições de moral simples pra que seu pimpolho aprenda a lidar com o mundo, animes são coisinhas bem mais selvagens, que te atingem de todos os lados e de formas diferentes de pessoa pra pessoa. A cultura japonesa em si é muito rica e os japoneses, graças ao bom Kami-sama, usam muito dela, seja usando suas lendas, seu folclore, seus costumes, até sua culinária! Nesta temporada está tendo mais uma temporada de Shokugeki no Souma que é, nada mais nada menos que um anime onde os estudantes lutam usando a culinária. E é divertido, pois você vê o pobre personagem principal que tem um pai excepcionalmente bom no que faz, querendo se comparar a esse pai e sendo mandado pra uma escola de elite para expandir seus horizontes culinários. Basicamente, um crescimento pessoal. E é bom! Só é um pouco frustrante você acompanhar um anime no seu lançamento pois os episódios são lançados semanalmente. E eu não estou reclamando pois também já assisti um anime que falava exatamente dessa produção, a de animes, e mostrava como é difícil e complicado fazer com que as coisas funcionem. Chamava Shirobako e contava a história de algumas meninas que, desde que estudavam, tinham um sonho: o de produzirem um anime juntas.
Minha nova paixão nesse universo é um anime “da temporada” (sim, pois existem temporadas). Chama Mahoutsukai no Yome e conta a história da Chise, que teve um passado bem traumático, ao ponto de se vender como uma mercadoria e ser comprada por um mago para ser sua aprendiz e noiva. Existem vários fatores que fazem a trama ser grossa, como um encontro com dragões no terceiro episódio, que aliás foi o último lançado. O próximo sai hoje e eu estou pensando seriamente em assistir assim que chegar em casa ao invés de jogar league pra completar as missões do mundial que me faltam da semana.

Minha colega de trabalho chama de drama. Eu vejo como desenvolvimento de personagem, de caráter, de habilidade. Você não vê um anime onde esse tipo de traço não apareça. Mesmo os animes mais “populares” e conhecidos, como Dragon Ball e Naruto seguem essa vertente, e eu acho muito bonito ver isso. O crescimento humano. Talvez seja porque, de alguma forma, eu consiga me relacionar com os personagens até certo nível. Minha psicóloga me dizia que minha empatia é num nível um tanto quanto absurdo, mas não é como se isso me incomodasse. Eu ainda acho lindo ver, na abertura do anime, a cena em que a Chise está rodopiando no ar envolta por luzes que se erguem e cobrem sua visão dela. Tenho grandes expectativas desse anime e, provavelmente, eu faça como fiz com Donten ni Warau, que fui atrás de ler o mangá pois não aguentava de ansiedade pra saber o que ia acontecer no final. É bom quando o anime tem uma certa fidelidade ao trabalho original, mas sempre é bom ler o trabalho original pra se ter uma ideia de algumas idéias e sentimentos e pensamentos que o desenhista quis transmitir que não nos são passados no anime. E estamos apenas indo pro quarto episódio...

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Kimi no Nawa - Your Name

Faz tempo que eu não falo de filmes, não é mesmo? Houveram vários filmes que eu assisti que quis escrever sobre, tanto filmes que se revelaram grandes blockbusters quanto filmes que não foram feitos para todos os gostos, passando por aqueles filmes que lidam com assuntos bastante delicados. Mas o filme de que quero falar aqui não se encaixa em nenhuma dessas opções. É um daqueles filmes que raramente vemos por aqui, uma animação japonesa que lida com vários elementos confusos. Graças a essa dinâmica eu até compreendo o porque as pessoas começaram a rir assim que a sessão acabou. O que ainda não entendo é essa relutância dos cinemas brasileiros de passarem animações japonesas.
Em minha humilde opinião, as animações japonesas são as melhores do mundo, fato. A última que assisti num cinema foi Ponyo e isso foi quando minha mãe ainda estava viva E conseguia enxergar, só pra ter uma ideia...
Vamos falar sobre a animação! No trailer eles abordam a forma como os personagens trocam de corpo e a passagem de um meteoro. Até aí, nada de muito inusitado. Lembra até um filme nacional, se eu fosse você, com o Tony Ramos e Glória Pires. Então você dá um jeito de arrastar seu namorado (a) pra assistir o filme com você, nem sabendo quando ele vai estrear de fato. No Facebook, que foi onde você viu o trailer, dizem que será no dia 5, no entanto a estréia de fato se dá no dia 11... em horários horríveis! Quando procurei em Guarulhos, só ia passar na terça-feira, no horário das 19:00, sendo que em São Paulo tinham um pouco mais de salas. Os horários, no entanto, eram todos horríveis, ou às 19:00 ou às 21:30. Mas sacrifícios devem ser feitos, e eu insisti. Dia 12 era feriado então fiz com que o Henrique me acompanhasse até o Santa Cruz. Enquanto estávamos no trem a caminho, eu olhava os lugares disponíveis. Só tinha os da frente da tela, mas eu pensei que, se por muita sorte, eu conseguisse dois lugares, um do lado do outro, iria ver o filme a qualquer custo. Só que não. A sala lotou. Eu podia pegar o horário seguinte, das 21:30? Claro que não... Afinal, estava em São Paulo e tinha que voltar pra Guarulhos, ele pra Osasco, e era um dia de feriado. Tudo estava contra nós. Mas resolvemos comprar os ingressos pro sábado, logo nos encontramos novamente no dia marcado pra ver o filme. Passamos o dia inteiro juntos e, de noite, lá estávamos nós. O rapaz que recebia os ingressos estava comentando com outro funcionário sobre como aquele filme devia ser bom, já que todas as salas estavam lotando. Fiz questão de dizer pra ele que aquilo ficasse de lição que eles podem, sim, trazer animações japonesas pro Brasil, pois existe público para tal. E que, se possível, colocassem em horários melhores, pois aquele era horrível. A desculpa dele é que aquele filme era uma exceção. Eu não me importo que era, pois ainda assim a lotação das salas era um fato. Então chegamos na sala. Pessoas ficavam chegando atrasadas e, para chegarem aos seus lugares, passavam na frente de onde eu lia a legenda. Além disso, tinha uma pessoa na nossa frente que era bem alta, o que significa que tinhamos que ficar fazendo malabarismo pra conseguir ler a legenda. Ainda bem que ele não era de se mexer muito! Agora, sobre o filme... Que fique claro que daqui pra frente terão spoilers, então leia por sua conta em risco. Não que faça diferença, já que o filme já saiu de cartaz...
Os assuntos abordados no filme são mais profundos que apenas uma troca de corpos, e você só se dá conta disso depois de uma certa porção do filme já ter passado. Você só entende de fato quando percebe que a garota está morta na época em que o garoto para de ter as trocas de corpo e resolve investigar. O relacionamento dos dois, se é que se pode chamar assim, é bastante significativo, já que eles estabelecem regras para não afetarem de forma negativa a vida de um e do outro enquanto estiverem com corpos trocados. É interessante ver como cada um deles encara a vida do outro enquanto estão em corpos trocados e como é tocante o esforço do garoto para encontrar uma garota que, supostamente, ele nunca viu. Supostamente. Como eu disse, o filme também lida com o espaço-tempo, o que significa que o garoto consegue, de uma forma bastante inteligente, se religar ao corpo da garota, de forma que ele consegue arquitetar um plano magistral para salvar o pequeno vilarejo de ser destruído durante a passagem do meteoro. Que ele já viu há 3 anos atrás, quando a garota foi até Tóquio para conhecê-lo pessoalmente. Problema é que ele não fazia a menor ideia de quem era ela, pois ainda não tinha tido a experiência de troca de corpos com ela. Ela no entanto já tinha vivido tudo aquilo. Vilarejo salvo e apenas um encontro pessoalmente entre os dois, devido circunstâncias diversas e misteriosas, o ritmo se acelera, nos mostrando como cada um esquece do outro, apesar de terem a noção de que perderam algo que lhes era muito querido, muito precioso. E nosso foco se apóia no personagem masculino e em como ele está, agora, crescido, ainda sentindo falta de algo. Quando os dois se vêem indo em direções opostas na linha de trem. Surpreendentemente, os dois descem de seus respectivos trens e voltam, correndo, obviamente na esperança de encontrar o outro. E quando se encontram, por um momento, você acha que eles vão passar reto um pelo outro,como na primeira vez em que a garota vai até Tóquio para falar com o garoto, mas ele não a reconhece por não ter conhecimento de sua existência naquele momento. A diferença é que, dessa vez, ele sabe sim quem é ela. Os dois já têm conhecimento da existência e da importância de um para o outro. E parte dele a iniciativa de chamá-la, dizer que pode parecer estranho, mas ele tem a impressão de que a conhece e, se possível, qual seu nome? A pergunta ressoa dos dois, e apesar do filme terminar ali, você sabe que o final será feliz. Então, por que as pessoas riram quando o filme acabou? Eu honestamente não entendi, e meu namorado disse que não gostou muito do final. Opiniões e adversidades à parte, foi bom ver uma animação japonesa no cinema depois de tanto tempo, pra variar. Só espero que aconteça de novo, de preferência não daqui há tantos anos.