Primeiro quero me desculpar por não ter escrito ontem, mas estava fora o dia todo, literalmente. Hoje vou escrever uma história um pouco dramática, baseada em fatos que me foram contados e que podem ou não ser contados, tudo vai depender da minha (falta de) memória.
Nossa família estava reunida em uma colônia de férias e o lugar estava abarrotado de gente. A piscina costumava estar cheia durante todo o período em que estava aberta ao público, então às vezes preferíamos fazer a pequena caminhada que nos separava da praia. Ela também era lotada, mas pelo menos o único lugar em que tínhamos que disputar espaço era na areia. Dentro da água, éramos livres. Naquele dia, no entanto, tínhamos decidido usar a piscina, pois ouvimos de um caso de um garoto que quase tinha se afogado na praia, perto das rochas. Supostamente estava brincando com os primos e não percebeu que já não dava pé. A piscina, por mais lotada que fosse, não tinha o risco de não dar pé. Ajudei as crianças a se vestirem e rumamos para a piscina. Estendi a toalha na beirada, em um cantinho que ainda não estava ocupado, e fiquei observando. E foi enquanto observava um dos meus filhos nadar que notei uma criança. Especificamente a posição em que ela se encontrava.
-Amor, vem aqui!
Quando meu marido se aproximou, um pouco assustado com o meu tom de voz, olhou para onde eu estava apontando. Ele deu um suspiro aliviado quando percebeu que não era um dos nossos filhos, mas logo ficou com o olhar tão atônito quanto o meu.
-Está se afogando?
-Parece que está, não parece?
O garoto em questão estava com uma boia e provavelmente, por esse motivo, os pais não tivessem notado que, apesar da bóia, a parte superior do corpo do garoto estava curvada para a frente, seu rosto parecia estar caído na água e ele chacoalhava os braços. Para mim, parecia uma tentativa desesperada de tentar retomar o equilíbrio perdido e conseguir respirar novamente. Não precisei dizer mais nada. Meu marido logo arrancou a camisa e se jogou na piscina, indo de encontro ao garoto. Primeiro o levantou e depois, o puxou para fora da piscina. O menino tossiu algumas vezes e começou a respirar de forma forte, ofegante. Para mim não haviam dúvidas de que estava se afogando. Notei que dois adultos se aproximaram do meu marido e começaram a conversar com ele. Resolvi ir ver do que se tratava e me surpreendi.
-O senhor está é sendo um intrometido. Cuide de sua vida!
Pegaram o garoto pelo braço e começaram a arrastá-lo para longe. O menino ainda olhou pra trás e acenou um tchau. Quando perguntei para meu marido o que tinha acontecido ele me explicou que os pais o viram tirando o menino da água e o acusaram de estragar a brincadeira.
-Mas ele estava se afogando, não estava?
Meu marido deu de ombros. Não sabia se ficava brava com a atitude dos pais ou se me preocupava mais com o garoto. Instintivamente, olhei para meus garotos. Estavam brincando animadamente, jogando água um no outro. Aquilo aliviou um pouco da minha raiva, mas não da minha preocupação. Então procurei a gerência e relatei o ocorrido. No dia seguinte, não reparei mudanças, nem no seguinte. Apenas no terceiro dia notei, finalmente, que haviam colocado um rapaz com colete, que ficava andando em volta da piscina nos horários mais cheios. Soube mais tarde que ainda naquele ano, uma pessoa realmente quase se afogou depois de entrar bêbada na piscina. Com isso, restringiram a entrada de pessoas com alimentos. Muita gente reclamou mas eu acabei gostando da mudança. Voltamos naquela colônia outras vezes e toda vez eu acabava me lembrando do garotinho. O mínimo que eu esperava era que seus pais tivessem se tornado mais observadores depois daquilo. Quando contava sobre o que tinha acontecido para outras pessoas, todos diziam que ele provavelmente não estava se afogando e que, provavelmente, eu e meu marido que tínhamos sido desesperados. Prefiro pensar que salvamos a vida dele.
domingo, 8 de setembro de 2019
sexta-feira, 6 de setembro de 2019
Desafio dos 30 Dias - O Tesouro
Hoje vou escrever sobre algo que vai me fazer chorar enquanto escrevo e que pode não ser minha realidade para toda a eternidade mas com certeza é minha realidade neste exato momento. Leia por sua própria conta em risco. Classificado como Gaveta por razões óbvias.
Desde criança tive muitas paixonites. Algumas vezes, havia mais que uma paixonite por vez, tamanho era meu coração. Não me satisfazia amar só um, tinha que ter mais. Então o tempo foi passando e fui amadurecendo. Meu primeiro amor de verdade foi aos 25 anos, por um homem que morava em tão, tão distante que eu não sabia na época mas soube depois que, quando terminasse, eu nunca mais o encontraria na minha vida. Foi um término muxoxo, daqueles que te deixam sem reação se você é uma pessoa como eu. "Tem coisas que chegam ao fim, e nós é uma delas". Doeu, mas eu não percebi que doeu. Eu fiquei chocada. Falava do ocorrido sem parar, mas não ouvia o que eu mesma estava dizendo. E essa era a chave para sair daquela situação. "Você escutou o que acabou de dizer?" Não, não tinha ouvido, nem prestado atenção. Passei a prestar atenção no que eu digo. Não passei a pensar no que digo, veja bem, passei a prestar atenção nas palavras que estava dizendo ou que iam ser proferidas. Supostamente eu estava dando as respostas para meus próprios problemas. Naquele caso, eu estava tão acostumada a sentir, sentir e sentir sem parar que, naquele momento, em que tinha perdido a pessoa que eu mais tinha amado, senti que tinha sido privada daquilo que havia feito por toda a vida; sentir.
Isso foi há alguns anos. Conheci outras pessoas, me apaixonei de novo algumas vezes, até cheguei a sentir que podia ter um futuro com dois deles. Tudo em vão. Até o dia que conheci um garoto que resolveu se apaixonar por mim e me conquistar. Não são todas as pessoas que te ajudam, que fazem algo por você, que te querem ver feliz. Ele fazia isso por mim naquela época, e era bom. Um dia ele estava me falando que gostava de alguém e eu resolvi apoiá-lo a se confessar. Ele relutou e eu resolvi perguntar se era eu. Já perdi a conta de quantas vezes contei essa história, mas eu realmente fiquei feliz quando ele disse que sim. Minhas atitudes seguintes foram cortar quaisquer laços afetivos que tinha com outras paixonites. Ele me conheceu quando eu jogava com todo mundo, mas por conta do ciúmes dele, passei a não jogar com mais ninguém. Isso atrapalhou ele também, pois eu queria passar tempo com ele, então tudo que fazíamos juntos era sozinhos, eu e ele. E ele é um moleque que precisa de amigos ao redor. Enquanto ele estava em casa, desocupado, tudo estava às mil maravilhas. No entanto ele começou a trabalhar e as coisas mudaram drásticamente em menos de um mês. Não sei quais são as razões dele, mas ele resolveu abrir mão do tesouro que tinha. Pelo que? Bem, eu o vejo jogando mais com os amigos e falando mais com as pessoas. Quando fazíamos as coisas juntos ele nunca falava comigo. É triste, mas parece que, pra ele, se livrar de mim foi a melhor opção. Já pra mim, está sendo sofrido. Dolorido. Quase insuportável. Tento falar com ele mas ele me dá a entender que nada mais tem importância. É como se eu fosse um tesouro e ele tivesse resolvido enterrar esse tesouro. "Fique aí". Talvez um dia ele lembre que teve esse tesouro e sinta falta. A verdade é que eu não sei o que fazer da minha vida nesse momento. Nem o que fazer com todos esses sentimentos que estou sentindo. Me isolei por ele. Fiz tudo que podia. Gastei o que tinha e o que não tinha para estar com ele. E agora, me vejo sendo deixada de lado por um motivo que não me parece claro, por razões sem razão. Ele quer e pronto. Se eu tento argumentar ele diz que parece que quando começamos a namorar parece que ele assinou um termo que o impede de terminar, se esquecendo que foi ele que insistiu nesse relacionamento. Hoje quem insiste sou eu, mas ele não cede como eu cedi. No fim do mês vai ser meu aniversário e não espero que ele se lembre para me desejar feliz aniversário. Completamos dois anos juntos que serão jogados no lixo. Investi tempo e dinheiro em uma pessoa que, agora que finalmente podia me retornar um pouco do tanto que fiz por ele, preferiu terminar. Tempo e dinheiro jogados fora, pois eu fui descartada assim que ele passou a ter condições de poder me retribuir. Talvez retribuir não estivesse nos planos dele desde o início. Talvez eu tenha realmente estragado ele tanto ao ponto que o que eu fiz por ele, para ele, não tenha passado da minha obrigação. Afinal, quem queria estar junto era eu, quem queria ver ele feliz era eu. Faz tempo que não consigo nada disso então talvez seja o melhor cada um ir pra um lado. Não estou nem um pouco feliz com isso, mas tenho que aceitar, pois não é como se tivessem me dado qualquer outra opção. Existe a de "continuarmos amigos", mas desde que começamos a namorar ele não é mais o amigo que eu tinha quando o conheci de fato e duvido muito que ele consiga voltar a ser como era. Sinto falta da pessoa que se importava. Sinto falta da projeção que criei dele, que projetei nele e que veio ao chão, talvez tarde demais. Ainda o amo, mas ele escolheu se desfazer de mim. Amanhã será o casamento da tia dele. Fui convidada e vou. Ele disse, mesmo enquanto terminava, que queria que eu fosse, então eu vou. Sem a menor ideia do que esperar desse dia. Serei um barco à deriva em um mar de gente que não sabe como estou me sentindo. Será um dia de alegria para todos, mas não pra mim. O tesouro ficará escondido, tentando não chamar a atenção.
Desde criança tive muitas paixonites. Algumas vezes, havia mais que uma paixonite por vez, tamanho era meu coração. Não me satisfazia amar só um, tinha que ter mais. Então o tempo foi passando e fui amadurecendo. Meu primeiro amor de verdade foi aos 25 anos, por um homem que morava em tão, tão distante que eu não sabia na época mas soube depois que, quando terminasse, eu nunca mais o encontraria na minha vida. Foi um término muxoxo, daqueles que te deixam sem reação se você é uma pessoa como eu. "Tem coisas que chegam ao fim, e nós é uma delas". Doeu, mas eu não percebi que doeu. Eu fiquei chocada. Falava do ocorrido sem parar, mas não ouvia o que eu mesma estava dizendo. E essa era a chave para sair daquela situação. "Você escutou o que acabou de dizer?" Não, não tinha ouvido, nem prestado atenção. Passei a prestar atenção no que eu digo. Não passei a pensar no que digo, veja bem, passei a prestar atenção nas palavras que estava dizendo ou que iam ser proferidas. Supostamente eu estava dando as respostas para meus próprios problemas. Naquele caso, eu estava tão acostumada a sentir, sentir e sentir sem parar que, naquele momento, em que tinha perdido a pessoa que eu mais tinha amado, senti que tinha sido privada daquilo que havia feito por toda a vida; sentir.
Isso foi há alguns anos. Conheci outras pessoas, me apaixonei de novo algumas vezes, até cheguei a sentir que podia ter um futuro com dois deles. Tudo em vão. Até o dia que conheci um garoto que resolveu se apaixonar por mim e me conquistar. Não são todas as pessoas que te ajudam, que fazem algo por você, que te querem ver feliz. Ele fazia isso por mim naquela época, e era bom. Um dia ele estava me falando que gostava de alguém e eu resolvi apoiá-lo a se confessar. Ele relutou e eu resolvi perguntar se era eu. Já perdi a conta de quantas vezes contei essa história, mas eu realmente fiquei feliz quando ele disse que sim. Minhas atitudes seguintes foram cortar quaisquer laços afetivos que tinha com outras paixonites. Ele me conheceu quando eu jogava com todo mundo, mas por conta do ciúmes dele, passei a não jogar com mais ninguém. Isso atrapalhou ele também, pois eu queria passar tempo com ele, então tudo que fazíamos juntos era sozinhos, eu e ele. E ele é um moleque que precisa de amigos ao redor. Enquanto ele estava em casa, desocupado, tudo estava às mil maravilhas. No entanto ele começou a trabalhar e as coisas mudaram drásticamente em menos de um mês. Não sei quais são as razões dele, mas ele resolveu abrir mão do tesouro que tinha. Pelo que? Bem, eu o vejo jogando mais com os amigos e falando mais com as pessoas. Quando fazíamos as coisas juntos ele nunca falava comigo. É triste, mas parece que, pra ele, se livrar de mim foi a melhor opção. Já pra mim, está sendo sofrido. Dolorido. Quase insuportável. Tento falar com ele mas ele me dá a entender que nada mais tem importância. É como se eu fosse um tesouro e ele tivesse resolvido enterrar esse tesouro. "Fique aí". Talvez um dia ele lembre que teve esse tesouro e sinta falta. A verdade é que eu não sei o que fazer da minha vida nesse momento. Nem o que fazer com todos esses sentimentos que estou sentindo. Me isolei por ele. Fiz tudo que podia. Gastei o que tinha e o que não tinha para estar com ele. E agora, me vejo sendo deixada de lado por um motivo que não me parece claro, por razões sem razão. Ele quer e pronto. Se eu tento argumentar ele diz que parece que quando começamos a namorar parece que ele assinou um termo que o impede de terminar, se esquecendo que foi ele que insistiu nesse relacionamento. Hoje quem insiste sou eu, mas ele não cede como eu cedi. No fim do mês vai ser meu aniversário e não espero que ele se lembre para me desejar feliz aniversário. Completamos dois anos juntos que serão jogados no lixo. Investi tempo e dinheiro em uma pessoa que, agora que finalmente podia me retornar um pouco do tanto que fiz por ele, preferiu terminar. Tempo e dinheiro jogados fora, pois eu fui descartada assim que ele passou a ter condições de poder me retribuir. Talvez retribuir não estivesse nos planos dele desde o início. Talvez eu tenha realmente estragado ele tanto ao ponto que o que eu fiz por ele, para ele, não tenha passado da minha obrigação. Afinal, quem queria estar junto era eu, quem queria ver ele feliz era eu. Faz tempo que não consigo nada disso então talvez seja o melhor cada um ir pra um lado. Não estou nem um pouco feliz com isso, mas tenho que aceitar, pois não é como se tivessem me dado qualquer outra opção. Existe a de "continuarmos amigos", mas desde que começamos a namorar ele não é mais o amigo que eu tinha quando o conheci de fato e duvido muito que ele consiga voltar a ser como era. Sinto falta da pessoa que se importava. Sinto falta da projeção que criei dele, que projetei nele e que veio ao chão, talvez tarde demais. Ainda o amo, mas ele escolheu se desfazer de mim. Amanhã será o casamento da tia dele. Fui convidada e vou. Ele disse, mesmo enquanto terminava, que queria que eu fosse, então eu vou. Sem a menor ideia do que esperar desse dia. Serei um barco à deriva em um mar de gente que não sabe como estou me sentindo. Será um dia de alegria para todos, mas não pra mim. O tesouro ficará escondido, tentando não chamar a atenção.
quinta-feira, 5 de setembro de 2019
Desafio dos 30 Dias - O Livro
Hoje teremos outra fanfic! Desculpem, eu já joguei muitos jogos, então a maioria dos temas que aparece acaba me remetendo a algum jogo que já joguei. O de hoje chama Avalon Code. Espero do fundo do meu coração que vocês gostem!
Eu não gostava de lutar. Se pudesse, viveria pacificamente pelo resto de meus dias, fazendo qualquer coisa que precisasse ser feita. Não era como se alguém fosse sentir minha falta. Essa era minha realidade, que mudou drasticamente no dia que recebi aquele livro. Um livro que eu devia usar para registrar tudo que existe em meu mundo, pois ele teria que começar de novo. Não aceitei bem a ideia no princípio, mas como as engrenagens de um relógio, tudo começou a se mover, lenta mas certamente, em direção ao final profetizado. Todos foram devidamente registrados. Desde pessoas, animais, plantas a lugares. Conheci gente que nunca, nem em meus sonhos mais loucos, pensaria em conhecer. Me apaixonei e quis lutar contra o destino. Mas não me foi dada a escolha, o livro escolheria sozinho quem era digno de continuar no novo mundo. E como num passe de mágica, tudo acabou. Sem aviso, sem catástrofes, sem dor. Nós, os escolhidos, devemos construir um mundo novo do zero. Muita gente que está aqui é merecedora, mas sinto falta de algumas pessoas que não estão. Parece que eles não lembram do que aconteceu em nosso mundo, é como se sempre tivessem existido apenas aqui. Estou escrevendo essas memórias antes que eu, também, esqueça daquele mundo. Dos dias em que eu lutei para tentar salvar um mundo que estava condenado desde o início. Este também está. Percebo agora que isso é um ciclo. Não sei quanto tempo levará até que esse mundo também precise começar de novo, mas quero deixar claro para meu sucessor: não nade contra a maré. O livro dará um jeito das coisas acontecerem como devem, com ou sem a sua ajuda. É melhor tentar reunir tudo que você considera precioso nele, para que seu novo mundo não te seja tão penoso, pois certamente ele virá. Nós estamos no livro, logo, somos parte dele. Mesmo que não se sinta capaz, ele te tornará capaz. Acredite. Confie. Lute.
Eu não gostava de lutar. Se pudesse, viveria pacificamente pelo resto de meus dias, fazendo qualquer coisa que precisasse ser feita. Não era como se alguém fosse sentir minha falta. Essa era minha realidade, que mudou drasticamente no dia que recebi aquele livro. Um livro que eu devia usar para registrar tudo que existe em meu mundo, pois ele teria que começar de novo. Não aceitei bem a ideia no princípio, mas como as engrenagens de um relógio, tudo começou a se mover, lenta mas certamente, em direção ao final profetizado. Todos foram devidamente registrados. Desde pessoas, animais, plantas a lugares. Conheci gente que nunca, nem em meus sonhos mais loucos, pensaria em conhecer. Me apaixonei e quis lutar contra o destino. Mas não me foi dada a escolha, o livro escolheria sozinho quem era digno de continuar no novo mundo. E como num passe de mágica, tudo acabou. Sem aviso, sem catástrofes, sem dor. Nós, os escolhidos, devemos construir um mundo novo do zero. Muita gente que está aqui é merecedora, mas sinto falta de algumas pessoas que não estão. Parece que eles não lembram do que aconteceu em nosso mundo, é como se sempre tivessem existido apenas aqui. Estou escrevendo essas memórias antes que eu, também, esqueça daquele mundo. Dos dias em que eu lutei para tentar salvar um mundo que estava condenado desde o início. Este também está. Percebo agora que isso é um ciclo. Não sei quanto tempo levará até que esse mundo também precise começar de novo, mas quero deixar claro para meu sucessor: não nade contra a maré. O livro dará um jeito das coisas acontecerem como devem, com ou sem a sua ajuda. É melhor tentar reunir tudo que você considera precioso nele, para que seu novo mundo não te seja tão penoso, pois certamente ele virá. Nós estamos no livro, logo, somos parte dele. Mesmo que não se sinta capaz, ele te tornará capaz. Acredite. Confie. Lute.
quarta-feira, 4 de setembro de 2019
Desafio dos 30 Dias - Alguma Pergunta?
A história de hoje não vai ser uma fanfic e sim apenas uma história. Uma história do futuro que eu quero ter.
Ela acordou de um pulo. Era sempre assim que acordava, fosse com ou sem despertador. Levantou, tomou os comprimidos e rumou para o banheiro, onde escovou os dentes e tomou um banho. Naquele dia, não lavou os cabelos, pois estava frio e eles não pareciam tão sujos nem tão oleosos. Voltou para o quarto com uma toalha enrolada no corpo e começou a vestir as roupas penduradas na cadeira que usava para mexer no computador. Alinhou o cabelo, colocou a mochila nas costas e saiu de casa em direção ao ponto de ônibus.
Chegou ao trabalho e procurou algo para comer de café da manhã, antes da aula. Ouvia as conversas ao redor e às vezes se intrometia em uma ou outra que lhe interessavam. Se arrependia logo em seguida, achando que estava sendo intrometida. Era algo que acontecia com frequência, mas nunca tentou mudar esse comportamento. Olhou no relógio da parede e se encaminhou para a sala de aula. Fez algumas anotações no quadro e aguardou os alunos terminarem de entrar para começar a aula. A daquele dia era sobre triângulos retângulos, catetos e hipotenusas. Gostava de contar algumas histórias por trás das matérias ou de preparar jogos. Quando terminou a história, apagou as anotações da lousa e passou alguns exercícios.
"Tentem fazer os exercícios e, se tiverem alguma pergunta, levantem a mão."
Sempre tinham mãos levantadas, mas ela anotava o assento e a fileira do aluno com dúvida e, depois de resolver o primeiro exercício ela mesma, perguntava quem continuava com dúvidas. Se alguma mão voltasse a se levantar, fazia com que o aluno expusesse a dúvida para toda a sala e tentava resolver o problema. Sabia que tinham alguns alunos que eram mais tímidos e não conseguiam ter esse tipo de interação. Para esses, ela observava enquanto fazia a ronda pela sala se estavam conseguindo fazer os exercícios e, caso não estivessem, tentava auxiliar como podia. Também tinham os alunos que não se importavam com a aula. Esses ela conseguia um pouco mais de atenção quando resolvia propor alguma atividade relacionada a jogos e brincadeiras mas, no geral, percebia que não conseguia prender a atenção por muito tempo. Havia pedido ajuda para uma ou outra pessoa na escola mas acabava por tentar resolver o problema sozinha. Não acreditava que os outros podiam ajudar.
Depois de um dia de aulas ela voltava para casa e preparava o almoço. Vez por outra convidava alguém para almoçar com ela, pois era uma dessas pessoas que gostam de companhia. Naquele dia, no entanto, almoçou sozinha. Tirava uma parte do dia para limpar a casa, outra para organizar as aulas do dia seguinte. Não assistia TV, pois as novelas a lembravam de sua mãe e os noticiários a lembravam de seu pai. Quando dava as tarefas do lar e do trabalho por encerradas, ligava o computador e assistia algum episódio de anime que estivesse acompanhando. Ou fazia algum tipo de artesanato. Gostava de linhas e papel. Quando seu despertador tocasse pra lhe lembrar que já eram dez da noite, arrumaria as roupas para o dia seguinte e conferiria a mochila antes de deitar. E dormir, esperando mais um dia dos vários dias que restavam até o fim de seus dias.
Ela acordou de um pulo. Era sempre assim que acordava, fosse com ou sem despertador. Levantou, tomou os comprimidos e rumou para o banheiro, onde escovou os dentes e tomou um banho. Naquele dia, não lavou os cabelos, pois estava frio e eles não pareciam tão sujos nem tão oleosos. Voltou para o quarto com uma toalha enrolada no corpo e começou a vestir as roupas penduradas na cadeira que usava para mexer no computador. Alinhou o cabelo, colocou a mochila nas costas e saiu de casa em direção ao ponto de ônibus.
Chegou ao trabalho e procurou algo para comer de café da manhã, antes da aula. Ouvia as conversas ao redor e às vezes se intrometia em uma ou outra que lhe interessavam. Se arrependia logo em seguida, achando que estava sendo intrometida. Era algo que acontecia com frequência, mas nunca tentou mudar esse comportamento. Olhou no relógio da parede e se encaminhou para a sala de aula. Fez algumas anotações no quadro e aguardou os alunos terminarem de entrar para começar a aula. A daquele dia era sobre triângulos retângulos, catetos e hipotenusas. Gostava de contar algumas histórias por trás das matérias ou de preparar jogos. Quando terminou a história, apagou as anotações da lousa e passou alguns exercícios.
"Tentem fazer os exercícios e, se tiverem alguma pergunta, levantem a mão."
Sempre tinham mãos levantadas, mas ela anotava o assento e a fileira do aluno com dúvida e, depois de resolver o primeiro exercício ela mesma, perguntava quem continuava com dúvidas. Se alguma mão voltasse a se levantar, fazia com que o aluno expusesse a dúvida para toda a sala e tentava resolver o problema. Sabia que tinham alguns alunos que eram mais tímidos e não conseguiam ter esse tipo de interação. Para esses, ela observava enquanto fazia a ronda pela sala se estavam conseguindo fazer os exercícios e, caso não estivessem, tentava auxiliar como podia. Também tinham os alunos que não se importavam com a aula. Esses ela conseguia um pouco mais de atenção quando resolvia propor alguma atividade relacionada a jogos e brincadeiras mas, no geral, percebia que não conseguia prender a atenção por muito tempo. Havia pedido ajuda para uma ou outra pessoa na escola mas acabava por tentar resolver o problema sozinha. Não acreditava que os outros podiam ajudar.
Depois de um dia de aulas ela voltava para casa e preparava o almoço. Vez por outra convidava alguém para almoçar com ela, pois era uma dessas pessoas que gostam de companhia. Naquele dia, no entanto, almoçou sozinha. Tirava uma parte do dia para limpar a casa, outra para organizar as aulas do dia seguinte. Não assistia TV, pois as novelas a lembravam de sua mãe e os noticiários a lembravam de seu pai. Quando dava as tarefas do lar e do trabalho por encerradas, ligava o computador e assistia algum episódio de anime que estivesse acompanhando. Ou fazia algum tipo de artesanato. Gostava de linhas e papel. Quando seu despertador tocasse pra lhe lembrar que já eram dez da noite, arrumaria as roupas para o dia seguinte e conferiria a mochila antes de deitar. E dormir, esperando mais um dia dos vários dias que restavam até o fim de seus dias.
terça-feira, 3 de setembro de 2019
Desafio 30 dias - Um Lago Quieto
Essa história é baseada em um dos meus jogos favoritos de todos os tempos, Harvest Moon. Para aqueles que não conhecem, ele se trata de um simulador de fazenda. Você pode fazer outras coisas, obviamente, mas o foco é esse. Simples, não é? Hoje vou escrever usando o foco de uma das personagens mais presentes da série, a Deusa da Colheita, cuja personalidade varia muito de jogo para jogo.
Primavera
Senti uma perturbação na água e abri os olhos. Estava tão conectada àquele lugar que conseguia sentir até uma leve folha que caísse em sua superfície. No entanto, elas não me incomodavam. A perturbação que senti, no entanto, não era apenas de uma folha. Também não parecia ser uma pedra. Às vezes as crianças gostavam de vir e jogar pedras no lago, vê-las quicando pela superfície. Não era lá o tipo de distração que me prenderia, mas quando você vive muito tempo em um mesmo lugar e não sai muito, qualquer coisinha assim te distrai. Como agora, que estou distraída falando do meu lago ao invés de ver o que é que causou a perturbação. É meu dever, minha obrigação. Mas estou com preguiça.
"Obrigada pela ótima colheita que tive, lhe trouxe uma oferenda em agradecimento!"
Ora, ora... Alguém que ainda segue as antigas tradições? Melhor ver do que se trata. Não deve estar longe... Ah, aqui está! É uma batata. Deve estar começando a plantar agora. Será que devo fazer uma visita? Melhor não. Provavelmente essa oferenda não vai se repetir tão cedo.
Verão
Hoje senti outra perturbação, vamos ver quem é.
"Obrigada pela ótima colheita! Aos poucos a fazenda está ficando mais habitável. Continue me favorecendo, ó deusa!"
Que graça. Me trouxe um tomate dessa vez. Acho que vou te ajudar um pouco mais. Que tal alguns dias de chuva a mais no mês, pra você não gastar tanto tempo regando sua plantação?
A verdade é que às vezes minha ajuda sai pela culatra, como dessa vez. Pedi por um pouco mais de chuva e acabei causando uma tempestade. Espero que sua plantação esteja bem criança...
Outono
Eu não esperava ver uma perturbação nas minhas águas tão cedo, no entanto, essa parece persistente. Queria agradecer os presentes...
"Esta está sendo a minha melhor colheita desde que me mudei pra cá pra trabalhar na fazenda. Muito obrigada!"
Dessa vez vou dar um jeito de te ajudar de forma efetiva! Vou estimular a terra a te dar muitos presentes, pra que consiga se recuperar do prejuízo que te causei com a tempestade. Sei que não é muito, mas é o que posso fazer.
Inverno
Eu odeio quando neva no inverno. Parece que o lago está sendo bombardeado constantemente e acabo ficando com dor de cabeça. Duvido que alguém viria até aqui nessas condições. Também não acho que tenha alguma coisa que consiga resistir ao frio dessa região. Quero voltar a dormir...
"Sei que deve estar sendo difícil, então lhe trouxe um presente."
A neve está tão intensa que nem percebi a oferenda. O que ela está fazendo aqui fora? Vai acabar pegando um resfriado. Tenho que procurar o presente que ela me trouxe. Mas antes, vou t e abençoar minha criança. Com saúde, pra que você não fique doente, pra que continue tendo forças para trabalhar nesse frio e debaixo dessa neve.
Ah, achei! Uma campânula branca. Que criatura adorável. Estarei esperando ansiosamente por morangos na próxima estação. Não que tenha como você saber.
Primavera
Senti uma perturbação na água e abri os olhos. Estava tão conectada àquele lugar que conseguia sentir até uma leve folha que caísse em sua superfície. No entanto, elas não me incomodavam. A perturbação que senti, no entanto, não era apenas de uma folha. Também não parecia ser uma pedra. Às vezes as crianças gostavam de vir e jogar pedras no lago, vê-las quicando pela superfície. Não era lá o tipo de distração que me prenderia, mas quando você vive muito tempo em um mesmo lugar e não sai muito, qualquer coisinha assim te distrai. Como agora, que estou distraída falando do meu lago ao invés de ver o que é que causou a perturbação. É meu dever, minha obrigação. Mas estou com preguiça.
"Obrigada pela ótima colheita que tive, lhe trouxe uma oferenda em agradecimento!"
Ora, ora... Alguém que ainda segue as antigas tradições? Melhor ver do que se trata. Não deve estar longe... Ah, aqui está! É uma batata. Deve estar começando a plantar agora. Será que devo fazer uma visita? Melhor não. Provavelmente essa oferenda não vai se repetir tão cedo.
Verão
Hoje senti outra perturbação, vamos ver quem é.
"Obrigada pela ótima colheita! Aos poucos a fazenda está ficando mais habitável. Continue me favorecendo, ó deusa!"
Que graça. Me trouxe um tomate dessa vez. Acho que vou te ajudar um pouco mais. Que tal alguns dias de chuva a mais no mês, pra você não gastar tanto tempo regando sua plantação?
A verdade é que às vezes minha ajuda sai pela culatra, como dessa vez. Pedi por um pouco mais de chuva e acabei causando uma tempestade. Espero que sua plantação esteja bem criança...
Outono
Eu não esperava ver uma perturbação nas minhas águas tão cedo, no entanto, essa parece persistente. Queria agradecer os presentes...
"Esta está sendo a minha melhor colheita desde que me mudei pra cá pra trabalhar na fazenda. Muito obrigada!"
Dessa vez vou dar um jeito de te ajudar de forma efetiva! Vou estimular a terra a te dar muitos presentes, pra que consiga se recuperar do prejuízo que te causei com a tempestade. Sei que não é muito, mas é o que posso fazer.
Inverno
Eu odeio quando neva no inverno. Parece que o lago está sendo bombardeado constantemente e acabo ficando com dor de cabeça. Duvido que alguém viria até aqui nessas condições. Também não acho que tenha alguma coisa que consiga resistir ao frio dessa região. Quero voltar a dormir...
"Sei que deve estar sendo difícil, então lhe trouxe um presente."
A neve está tão intensa que nem percebi a oferenda. O que ela está fazendo aqui fora? Vai acabar pegando um resfriado. Tenho que procurar o presente que ela me trouxe. Mas antes, vou t e abençoar minha criança. Com saúde, pra que você não fique doente, pra que continue tendo forças para trabalhar nesse frio e debaixo dessa neve.
Ah, achei! Uma campânula branca. Que criatura adorável. Estarei esperando ansiosamente por morangos na próxima estação. Não que tenha como você saber.
segunda-feira, 2 de setembro de 2019
Desafio dos 30 Dias - Mudar o Mundo
Hoje também escrevi baseada em um jogo, mas não sei se posso considerar uma fanfic, pois foi mais como o ponto de vista de um humano passando pelos estágios finais de Detroit, imaginando que tenha sido o mesmo caminho que assisti meu namorado jogando. Sim, assisti, pois não tenho o jogo, só fui uma expectadora.
Eles estavam lutando por igualdade e liberdade e nós nos perguntávamos se eles sabiam o que aquelas palavras significavam. São apenas máquinas, o que podem saber de sentimentos, de liberdade, de justiça? No entanto, lá estavam eles, organizados e protestando por direitos iguais.
Até pouco tempo atrás tudo que sabíamos deles era que eram nossos faz-tudo. Se precisávamos de babás ou de alguém para cuidar da casa, apelávamos para um androide. Se não podíamos ter filhos, podíamos ter androides. Se queríamos sexo fácil, as androides eram, por vezes, muito mais bonitas e dóceis que as nossas mulheres. Nunca pensamos que um dia eles poderiam ser iguais a nós. Foram feitos para obedecer, não para sentir.
Nós humanos nos acomodamos. A vida á mais fácil com os androides. Tenho um emprego, logo, o problema de desemprego, supostamente causado pelos androides, não me afeta. Não sou casado e, quando preciso, vou ao Clube Éden. As androides de lá são as melhores. Neste exato momento, assisto um pronunciamento da presidente Warren. Ela quer que deixemos Detroit pois, supostamente, os androides se tornaram perigosos demais. Eu não tenho androides, no entanto, sinto um certo pesar pela situação. Não pelos androides, até acho poética a situação em que se encontram. Eles querem mudar o mundo e a forma como são vistos, até que é uma boa causa. Não, meu pesar é por ter que deixar minha casa, meu lar e meu emprego pelo medo que os outros estão sentindo dos androides. Terei que me juntar ao coro de pessoas que protestam por terem perdido algo para os androides? Bem, acho que não tenho muita escolha. Vou preparar minhas malas e me mudar para a casa dos meus parentes em Chicago. Espero que eles não estejam passando por problemas semelhantes.
Eles estavam lutando por igualdade e liberdade e nós nos perguntávamos se eles sabiam o que aquelas palavras significavam. São apenas máquinas, o que podem saber de sentimentos, de liberdade, de justiça? No entanto, lá estavam eles, organizados e protestando por direitos iguais.
Até pouco tempo atrás tudo que sabíamos deles era que eram nossos faz-tudo. Se precisávamos de babás ou de alguém para cuidar da casa, apelávamos para um androide. Se não podíamos ter filhos, podíamos ter androides. Se queríamos sexo fácil, as androides eram, por vezes, muito mais bonitas e dóceis que as nossas mulheres. Nunca pensamos que um dia eles poderiam ser iguais a nós. Foram feitos para obedecer, não para sentir.
Nós humanos nos acomodamos. A vida á mais fácil com os androides. Tenho um emprego, logo, o problema de desemprego, supostamente causado pelos androides, não me afeta. Não sou casado e, quando preciso, vou ao Clube Éden. As androides de lá são as melhores. Neste exato momento, assisto um pronunciamento da presidente Warren. Ela quer que deixemos Detroit pois, supostamente, os androides se tornaram perigosos demais. Eu não tenho androides, no entanto, sinto um certo pesar pela situação. Não pelos androides, até acho poética a situação em que se encontram. Eles querem mudar o mundo e a forma como são vistos, até que é uma boa causa. Não, meu pesar é por ter que deixar minha casa, meu lar e meu emprego pelo medo que os outros estão sentindo dos androides. Terei que me juntar ao coro de pessoas que protestam por terem perdido algo para os androides? Bem, acho que não tenho muita escolha. Vou preparar minhas malas e me mudar para a casa dos meus parentes em Chicago. Espero que eles não estejam passando por problemas semelhantes.
domingo, 1 de setembro de 2019
Desafio dos 30 dias - Perdido no Mar
Novo mês, tinha que encontrar algo novo pra me desafiar e, como da outra vez o desafio de escrever não vingou, resolvi tentar de novo com um novo desafio. Dessa vez, tenho que escrever histórias baseadas em um assunto específico. Podemos dizer que isso se encaixaria na definição de uma fanfic, pois escrevi inspirada em Raft. Espero que gostem!
Acordei sentindo a água roçando em meus dedos, deitada em uma jangada, à deriva no mar. Olhei à minha volta e só vi pedaços de plástico, tábuas de madeira e folhas de árvores. Pensei que se desse sorte conseguiria montar algumas coisas que facilitassem minha sobrevivência. Seria bom tomar água sem ser do mar e melhor ainda se encontrasse algo para comer. Quem sabe até ampliar minha jangada.
Foi assim que começou minha jornada. Era uma jangada pequena, mas consegui ampliá-la apesar dos ataques incessantes de um tubarão. Parece que o mar está cheio deles e eles estão ávidos por carne. Minha carne. Consegui construir um gancho que comecei a usar para alcançar os itens que precisava e não conseguia alcançar por não estarem na mesma direção que minha jangada ia. Também construi uma vara de pescar. Não tive que enjoar de peixes pois logo consegui encontrar uma pequena ilha com algumas frutas. Com um pouco mais de esforço consegui construir vasos para plantar frutas, logo não me preocupava mais com a escassez de comida ou com a falta de variedade.
O que eu sentia falta mesmo era algo bem simples: companhia. Onde estavam os outros humanos? Por mais que navegasse por aquela imensidão de mar, por mais ilhotas que encontrasse em meu trajeto para lugar algum, nunca encontrava outra pessoa, nem qualquer lugar que parecesse grande o suficiente para abrigar uma população. Durmo todas as noites esperando que encontre alguém antes que meus dias cheguem ao fim. Não temo a solidão, mas gostaria de dividir minha jornada com alguém além dos animais que encontro na jornada. Ah, tenho que ir. Uma gaivota acabou de por um ovo e estou começando a ficar com fome.
Acordei sentindo a água roçando em meus dedos, deitada em uma jangada, à deriva no mar. Olhei à minha volta e só vi pedaços de plástico, tábuas de madeira e folhas de árvores. Pensei que se desse sorte conseguiria montar algumas coisas que facilitassem minha sobrevivência. Seria bom tomar água sem ser do mar e melhor ainda se encontrasse algo para comer. Quem sabe até ampliar minha jangada.
Foi assim que começou minha jornada. Era uma jangada pequena, mas consegui ampliá-la apesar dos ataques incessantes de um tubarão. Parece que o mar está cheio deles e eles estão ávidos por carne. Minha carne. Consegui construir um gancho que comecei a usar para alcançar os itens que precisava e não conseguia alcançar por não estarem na mesma direção que minha jangada ia. Também construi uma vara de pescar. Não tive que enjoar de peixes pois logo consegui encontrar uma pequena ilha com algumas frutas. Com um pouco mais de esforço consegui construir vasos para plantar frutas, logo não me preocupava mais com a escassez de comida ou com a falta de variedade.
O que eu sentia falta mesmo era algo bem simples: companhia. Onde estavam os outros humanos? Por mais que navegasse por aquela imensidão de mar, por mais ilhotas que encontrasse em meu trajeto para lugar algum, nunca encontrava outra pessoa, nem qualquer lugar que parecesse grande o suficiente para abrigar uma população. Durmo todas as noites esperando que encontre alguém antes que meus dias cheguem ao fim. Não temo a solidão, mas gostaria de dividir minha jornada com alguém além dos animais que encontro na jornada. Ah, tenho que ir. Uma gaivota acabou de por um ovo e estou começando a ficar com fome.
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