sábado, 30 de junho de 2018
Enganada
Pra quem não sabe, a Proguaru é uma empresa de economia mista. O que isso significa? Que tem gente tanto do governo quanto do particular trabalhando nela. Isso é bom ou ruim? Bem, depende do ponto de vista de quem vê. Quando eu entrei no IBGE me lembro do que me disseram sobre o trabalho, “um trabalho de empresa pública que te cobra os prazos como uma empresa particular”. A Proguaru vai nesses moldes, uma empresa que trata de vários problemas e necessidades do município que tem uma política de empresa privada. Por política estou me referindo à situações básicas como condições de trabalho, pagamento, chefia e até mesmo sobre a atitude dos funcionários. O título desse post é para demonstrar como estou me sentindo em relação a essa empresa e, também, ao local onde fui designada.
Existem dois tipos de locais onde a maioria de nós, agentes de portaria, trabalham: educação e saúde. Eu, pelo bem ou pelo mal, estou na área da saúde. Você pensa que o adicional de insalubridade vai compensar a vida dura que você vai ter nesse lugar. Você começa a conhecer seus colegas de trabalho, que inicialmente seriam seus companheiros por apenas 3 dias de plantão. Você decide que é um lugar totalmente suportável, mesmo sendo longe da sua casa e você tendo que pegar um ônibus lotado pra ir pra lá. Você então recebe a notícia de que vai ficar por lá por mais um mês, pois vai cobrir as férias de uma das pessoas que estava com você durante esses três dias. Você pensa que isso é uma coisa boa. Mas esquece de alguns detalhes muito importantes. Você não conhece a pessoa que você estava inicialmente cobrindo férias. Você não conhece a pessoa que fazia horas extras no seu lugar e que, agora, está fazendo sua caveira pra todos que trabalham naquele lugar, nada me tira da cabeça que para poder me tirar de lá e voltar a fazer as horas extras. Você não sabe quem vai vir no lugar da outra pessoa que também está tirando férias. E todas as instruções que te foram dadas, que são muitas, diga-se de passagem,
Parecem ser a chave que decide se você fica ou se sai. A verdade é que lá tem muitas pessoas legais, mas elas acabam abusando de suas posições e da gentileza que lhes é mostrada para lhe dar tarefas que não cabem na sua atribuição. Chamar os pacientes pelas fichas, por exemplo, é uma das funções que não é minha, mas que faço quando me pedem, pois estou em período de avaliação e tenho medo de que, se não fizer o que me pedem, isso acabará acarretando em uma queda no valor da minha avaliação. Ao mesmo tempo, a gerência tem o péssimo hábito que meu antigo chefe tem: reclamar de mim pelas costas. Tinha me decidido a fazer uma reclamação na ouvidoria mas, ao entrar no site, lá estava escrito, bem dessa forma, “procure as pessoas diretamente envolvidas com a resolução do seu problema ou questionamento que são os responsáveis pelos estabelecimentos”. Decidi então falar com a gerente do estabelecimento no meu próximo plantão de dia de semana. Só por precaução, pretendo também conversar com a senhora do fim de semana. Ela reclamou pra mim que a chamaram de dedo duro oficial na cara dura. O que eu penso é que, se as pessoas tem coragem de dizer isso pra ela, talvez eu consiga falar com ela e expor meus problemas na esperança de que eles cheguem aos ouvidos da gerente pra que, no dia de semana, quando eu for falar com ela, ela já esteja um pouco ciente do que eu preciso falar com ela. Afinal, acho injusto que eles estejam me cobrando perfeição quando eu mal comecei nesse emprego. Ninguém nunca ouviu falar em erros?
O que mais me magoa em tudo isso na verdade é a falta de interesse da empresa pra qual trabalho de resolver as situações, que acreditem, não são difíceis de se resolver. Ontem, quando voltei pra casa, meu vale transporte não recarregou, o que significa que tive que pagar do bolso. Ainda tenho que ver meu holerit, mas tenho certeza quase absoluta de que não me pagaram o proporcional de insalubridade que tenho direito. Por fim, quando lembro de segunda-feira, dia 25, tenho vontade de chorar. Você acha que vai trabalhar num hospital e que as coisas vão funcionar, nem que seja no tranco. O problema é que, nesse caso, o tranco não é o suficiente. Hoje estou desabafando. Enquanto uma parte de mim quer brigar pra continuar lá, pelo simples gosto de lutar contra as injustiças que estão sendo cometidas contra mim, a outra me diz para deixar tudo como está e que o melhor seria mesmo que eu saísse de lá. Qual caminho vai se abrir na minha frente, por enquanto, é um mistério.
sábado, 16 de junho de 2018
Fases
Bem, seria fácil não fosse o fato que trabalharei numa escala de 12/36. Isso se explica como trabalhar 12 horas em um dia e folgar o dia seguinte, para no outro dia ir trabalhar novamente, no mesmo período que você trabalhou, as mesmas 12 horas. Essa semana que passou ficamos praticamente todos os dias indo ter treinamento, ouvindo sobre a empresa, sentindo tédio pela bagunça generalizada que estava naquele lugar. Eles contrataram muita gente, foi o que eles disseram. Um rapaz na fila que se formou para entrar disse que essa contratação gigante se deu por conta das eleições. De uma forma ou de outra, essa contratação de gente demais culminou em muita gente indo trabalhar longe de casa. Culminou em gente que não tem posto fixo e em gente que nem posto tinha, logo tiveram que ir para a base e aguardar serem chamados. Isso porque pessoas faltam ao serviço ou se atrasam. De qualquer forma, ontem foi meu primeiro dia de trabalho e hoje, por definição, é meu dia de folga.
Eu vou contar pra vocês um pouco da minha experiência no primeiro dia. Uma das frases que pensei é que chegaria a meia noite mas não as sete da tarde. Eu levei uma marmita leve, só com arroz, pro caso do local pra onde fui mandada não ter onde esquentar a comida. Mas fui mandada pra uma policlínica. Vocês sabem o que é uma policlínica? Bem, é quase como um pronto socorro, mas com especialidades específicas. Lá, no caso, tinha o clínico e o pediatra. Também tiravam o raio X. Várias das pessoas que iam lá buscavam esses tipos de serviço. Outras ainda vinham buscar exames e também tinham as que vinham buscar remédios. Como era de esperar, apareceram também as pessoas que diziam ser emergências e que queriam atendimento preferencial. Estávamos sem sistema então não é como se fosse algo possível de ser feito. Sei que vou ficar lá até terça, pois foram os dias que me foram dados. O lugar é meio longe e meio ruim de se ir, quando pesquisei no google ele me mostrou apenas um ônibus pra ir pra lá e mesmo saindo de casa bem cedo, o ônibus demorou mais do que eu gostaria pra chegar. Estava frio e escuro e eu estava sozinha no ponto a maior parte do tempo. O ônibus veio cheio de gente, mesmo sendo apenas 6 da manhã. Lá, no entanto, tive a oportunidade de observar os ônibus passando na rua e tive a chance de notar alguns outros ônibus que eu poderia pegar, caso aquele ônibus não passe. São ônibus novos, então eu não sabia que ele passava ali. Na real, eu nem sei qual o itinerário dele, mas provavelmente, se ele passar antes do que eu estava esperando, vou testar. Mesmo que isso me custe alguns minutos de atraso. Não acredito que um será pior que o outro, muito pelo contrário, já que o outro passou antes do que eu peguei e, além disso, bem mais vazio.
Quando cheguei lá eu confesso que não sabia onde ir nem a quem me apresentar. Entrei pela emergência e fui recebida pela Joana, que me informou que ela está para sair de férias. Ela e o Valdir, que também é porteiro. Lá trabalham em quatro pessoas. Ela estava super feliz, pensando que eu vou substituir ela em suas férias. Eu, por outro lado, tenho plena noção de que estou apenas cobrindo as férias da quarta pessoa. O lugar é longe. O ônibus que eu sabia que vai pra lá estava cheio, mesmo de manhã. Ficar tendo que revezar o lugar que se fica significa que você vai passar uma boa parte do dia de pé. Os médicos não vão se importar que você é apenas um agente de portaria e vão te pedir pra chamar os pacientes. Você pode ou não dizer que essa não é sua função, mas esteja ciente de que você estará se indispondo com o doutor no seu primeiro dia de trabalho, no meu caso específico. Sua garganta vai começar a fechar, pois está frio. Muito frio. A recepção é o melhor lugar pra se trabalhar em questão de fugir do tédio mas, por outro lado, é o posto mais frio dos quatro. E confesso que não fui preparada pra tanto frio. Se tivesse levado um cachecol talvez não tivesse passado tanto frio. Meu celular morreu depois da carga horária ter terminado mas antes de eu ter chegado em casa. Avisei meu amor que cheguei e me deitei. “Só um cochilo”, pensei. Meu pai até chegou a vir ver se eu queria jantar, mas percebeu que eu estava cansada e me deixou lá. Eu me enrolei em minhas cobertas como se elas fossem um casulo. E apaguei. Acordei hoje às quase 5 da manhã. Quase cinco pois ainda eram quatro. Olhei no whatsapp e percebi que meu amor até tentou me acordar, mas foi inútil, eu realmente não acordei. Pensei que nesse momento é quando mais sinto falta da minha mãe, pois não posso pedir nem pro meu pai nem pro meu irmão me ajudarem a colocar um emplasto de salompas nas costas. Ou que seria bom morar com meu amor, pois ele poderia fazer isso por mim. Pensei que seria legal trabalhar lá, já que as pessoas foram bem receptivas comigo. Pensei também que será horrível se tiver que trabalhar sempre lá, já que é, sem dúvidas, um lugar longe. Mas não me importaria de cobrir as férias da Joana ou do Valdir. Queria ter um posto fixo perto de casa, mas não é o que vou ter. Já estou começando a me acostumar com a ideia de trabalhar em lugares da saúde, mesmo que meu sonho de consumo fossem escolas. Posso pensar em fazer permutas com pessoas que trabalham em escolas mais pra frente, quando estiver mais acostumada com o trabalho, mas agora, com certeza, é sem chances que eu tente. Meu primeiro dia me deixou moída. Vamos ver até semana que vem como vai ser minha vida. E boa sorte pra mim em minha nova jornada.
sábado, 2 de junho de 2018
Verdade
Meu irmão não gostava de ler quando era mais novo, no entanto, conforme o tempo passou, eu, que amava ler, parti para os lados das leituras de ficção e histórias. Já meu irmão, que nunca teve um gosto muito grande por esse tipo de leitura, começou a ler livros de um ramo mais estudioso. Filosofia, economia, religião. Dentre esses livros, um em especial sempre chamou minha atenção mas eu nunca consegui ler por completo. Quase não precisava, pois meu irmão tem o costume de citar os livros que lê, ou descrever trechos. Tantas vezes ele me falou do que leu no livro que eu quase sentia como se tivesse lido o livro em si. Um dia ele me emprestou os exilados da Capela, o livro em questão. Mal comecei a ler e minha colega de trabalho ficou super interessada. Emprestei o livro pra ela. Bem, o contrato dela terminou, eu tive que pedir pra sair do IBGE e, só com isso, ela me mandou uma mensagem, dizendo que tinha deixado o livro com a Nadir. Mas eu não ia lá só pra buscar um livro, certo?
Bem, quando eu deixei meu emprego eu lembro de ter me sentido bastante mal por vários motivos. Existem, sim, coisas que eu precisava buscar, mas não me sinto compelida a ir lá só por isso. Essa semana, no entanto, a Lara, uma das minhas amigas de lá que já conseguiu um emprego público melhor, nos convidou pra almoçar. Obviamente que todas aceitaram e, quando nos vimos, a Nadir me trouxe o livro. Aqui está ele, em minhas mãos. E mal comecei a ler novamente e percebi que ele toca nessa questão. A verdade. A busca por ela. Querer a verdade. O livro esclarece que ele não tem base em nenhum estudo científico mas, se formos olhar pelo prisma da ciência, a religião é em sua maioria refutada. Eu gosto de pensar na ciência e na religiosidade como algo da mesma liga, da mesma forma, mas eu não uma cientista, nem conheço nenhum para poder doutriná-lo nessa vertente. Só posso ter minhas próprias convicções. Falei pro meu irmão sobre como o livro já começava falando da verdade e, quando ele foi tentar me corrigir, tive que explicar que não era que o assunto do livro fosse a verdade mas que as palavras usadas eram a verdade.
A verdade que eu buscava era para entender o porquê de eu ter sonhos premonitórios. Era para entender porquê eu tinha aquelas sensações de solidão que, de tão fortes, me faziam chorar. A verdade que eu procurava não era a verdade universal, mas a minha verdade. Quem me deu a resposta mais próxima do que eu buscava foi, novamente, a Lucimar. Ela perguntou se eu não achava que devia trabalhar minha espiritualidade, minha religiosidade, minha fé. Minha fé existe, sim, não achem que não. Mas existe uma diferença berrante na minha fé, que considero uma fé bruta, e na fé de pessoas como a Lucimar e a Liliane. Existem pessoas que definitivamente se dedicam a essa religiosidade e recebem sim as graças que necessitam. Minha fé não é ambiciosa. Estava contando para meu irmão um dia dessa semana o motivo real de eu ter pedido as contas do trabalho. Ele não sabia ainda. E contei também de como quase fui atropelada. E nesse momento, enquanto contava, lembrei de minha mãe. O anjo da guarda dela não descansava nunca. O meu é igual. Minha verdade ainda está escondida e, talvez, se eu de fato me dedicasse a alguma religião, eu visse os efeitos de forma mais nítida. Nunca pedi que Deus se materializasse na minha frente mas também nunca duvidei da força maior que eu que existe nesse mundo. Essa força maior que tirou meu corpo da frente do ônibus que eu não vi antes que ele passasse por cima de mim. E eu aqui, falando que queria morrer. Agora que penso, me sinto até envergonhada por dizer essas coisas. Perdão. Sou humana e não sei o que digo às vezes. O fato é que a verdade está lá fora e, em algum momento da minha vida, se quiser de fato encontrá-la, vou ter que correr atrás. Um dia. Não hoje.
sábado, 26 de maio de 2018
(Quase) Dois Anos
Pouco tempo depois que eu comecei a escrever, minha mãe morreu. Essa semana que passou, inclusive, seria o aniversário dela. Eu lembrei, meu pai também, mas nenhum de nós mencionou para o outro até o dia seguinte. Acho que nenhum de nós gosta de ficar cutucando as feridas, mesmo que elas ainda estejam lá. Um bom tempo depois disso, o Giorgio, que era meu pilar de apoio, decidiu ir estudar em Minas Gerais e isso me abalou fortemente. No entanto, graças a isso, conheci várias pessoas novas, dentre elas meu atual namorado.
Verdade seja dita, eu nunca namorei antes. Não considero minha experiência com o Luciano um namoro, por mais que ele tenha dito que sente minha falta e que “se o destino nos der outra chance”. Eu sei bem que não vai existir outra chance pois minha decisão já foi feita desde aquela época, eu nunca voltaria pra ele. Meu namoro é conturbado até demais e eu tenho plena noção dos porquês. Ele é mais novo que eu, tem uma mentalidade diferente, é homem, tem vários caminhos que pode tomar na vida ainda. Minha felicidade é poder ouvir a voz dele, estar perto dele, ver ele. Eu não sei o que é a felicidade dele. Eu odeio tomar decisões e ele parece odiar também, então me lembro da minha mãe e do meu pai quando eu queria algo difícil. “Pede pro seu pai” ela dizia, e quando eu pedia pra ele, ele me dizia “pede pra sua mãe”. No fim das contas, quem decidia era mesmo minha mãe. Hoje quando paro e penso, acho que ela só nos dirigia a ele para ter mais tempo pra decidir, de fato. Sempre foi ela que tomou as decisões e, hoje, eu queria que ela estivesse viva pra poder perguntar como ela conseguia.
Quando comecei a escrever no blog eu lembro que pensei que, talvez, isso me ajudasse a pôr meus sentimentos pra fora e me deixasse mais leve. Hoje escrevo este post ainda com essa esperança. Não é como se escrever hoje fosse apagar a péssima semana que eu tive, nem me fazer esquecer como dói que um pedido simples não possa ser atendido e o quanto isso me afeta. Como já foi escrito em um post, as pessoas me consideram forte, mas não é fácil ser forte o tempo todo. Eu já mudei várias vezes desde o começo e não pretendo parar, mas estou cansada. Hoje acordei com a garganta doendo, mas tenho que ir trabalhar, pois já não fui no sábado passado, não posso me dar ao luxo de não ir hoje de novo. O Brasil está em um estado de caos por conta dos caminhoneiros e seu protesto pela redução dos combustíveis. Quem se importaria comigo no meio disso tudo? Ontem eu fui esquecida, hoje eu estarei sozinha e amanhã, por decisão minha, estarei calada. Não posso mudar a atitude dos outros, mas posso mudar a minha. Não posso forçar uma pessoa a estar comigo então, ao invés de lutar contra ela, aceitarei a solidão. Não existem dúvidas sobre o que eu estou fazendo aqui. As palavras que não consigo dizer, consigo escrever.. Se minha voz não atinge as pessoas, talvez minhas palavras escritas atinjam. Não que eu ache que faria alguma diferença, mas com certeza o momento em que eu termino de postar me faz sentir mais leve. Um pequeno peso foi deixado pra trás. Hoje queria deixar minha vida pra trás, mas não tenho tempo pra isso. O trabalho me espera.
sábado, 5 de maio de 2018
Primeiros Erros
O título era pra ser meus erros, uma música que eu gosto muito de ouvir na versão CPM22 que eles cantaram na MTV. Mas a letra da música é romântica, não combinava com o que eu precisava de fato. Então lembrei dessa música do Capital Inicial, primeiros erros, e ela sim cai como uma luva para a situação toda. A situação será explicada em breve, por favor tenham paciência, eu quero divagar um pouco neste momento. “Meu caminho em cada manhã, não procure saber onde vou. Meu destino não é de ninguém e eu não deixo os meus rastros no chão. Se você não entende e não vê, se não me vê não entende”. Tudo vai fazer sentido em breve. O título foi explicado, agora devo lhes falar sobre o que, afinal, foi meu erro. Então, honrarei o nome da música que emprestou seu nome pra esse post e começarei do começo.
Quando comecei a trabalhar no IBGE foi uma alegria. Já tinha deixado de acreditar que seria chamada. Mas fui, e seria meu primeiro emprego. Lembro inclusive que mantive segredo de algumas pessoas na época, pois queria evitar o que eu chamo de olho gordo. Não que eu achasse que as pessoas me invejariam por quaisquer motivos que fossem, não me acho uma pessoa digna de inveja. Mas a inveja não parte de mim e sim dos outros, e eu sou um bichinho medroso por natureza. Logo que entrei fui alertada por todos os lados de todas as pessoas que lá trabalhavam. Lembro que falei pro meu irmão como era impressionante o quanto se falava mal uns dos outros naquele lugar e ele, sabiamente, me avisou que eu, também, deveria ser mal falada pelas costas. Nunca duvidei, mas também nunca me importei. E houveram os primeiros entreveros com o sujeito que tinha entrado na mesma data que eu. Não durou muito tempo, pois ele foi mandado embora. Reza a lenda que é muito raro alguém ser mandado embora do IBGE, no entanto, desde que entrei naquele lugar, duas pessoas foram mandadas embora.
Outro dos erros que eu cometia bastante era brigar com meus superiores. Eu não fazia por mal, acredite, mas pra mim, se eu acho algo errado, está errado e ponto. Então era inevitável, era mais forte que eu. Começar a ir na psicóloga ajudou a amenizar e muito minhas brigas com a chefia, no entanto foi também um dos motivos que, fiquei sabendo muito tempo depois, eu quase fui mais uma das pessoas mandadas embora. O engraçado é que quando você escuta as histórias, cara uma aponta a outra pessoa como o autor do pedido da minha cabeça. No final das contas, ela não rolou ali.
Agora, vamos entrar num terreno bastante complicado, o da confiança. Lembro como se fosse hoje e sempre conto essa história pra quem quiser ouvir, sobre como num belo dia cheguei na agência e fui questionada pelo Thiago, que viria a se tornar meu superior e depois meu chefe, se eu preferia trabalho de agência. Minha confiança nele me fez responder o q meu coração sentia: agência. No entanto, eu sabia que ia ser colocada na PNADC, pois meu rendimento na PNAD Anual tinha sido satisfatório. Foi o dia que eu cheguei chorando em casa e avisei minha mãe, pro que ela disse que eu conseguiria, pois sou sua filha. Suas palavras me deram força e, por muito tempo, eu me esforcei pra fazer um trabalho limpo, correto e direito. Mas os tempos mudam e o IBGE tem o péssimo hábito de cobrar mais de quem faz mais. Eu gostava de ajudar na agência mas meu superior começou a me cortar de ajudar na agência. “Seu trabalho é a PNAD”. Conforme fomos alcançando metas foram cobrando mais e mais dele e, não sei se por querer mostrar serviço ou se por querer desmoralizar a antiga chefia, ele nos cobrava mais. E, obviamente, nós fazíamos. Não por medo de perder o emprego, mas por simpatia ao nosso superior. Por confiança.
Então a confiança se quebrou. E, como meu irmão diz, a confiança é algo que, uma vez perdido, é muito difícil de se reconstruir.
Quando voltei das minhas últimas férias no início do ano levei uma bronca, pois as entrevistas tinham que ser todas entregues na quarta-feira. Meus dois outros companheiros de PNAD eram perfeitos e só eu continuava a dar trabalho com isso, então fiz uso de uma artimanha que já fazíamos no fim do mês para alcançar as metas para alcançar as metas no fim de cada semana. O resultado disso foi começar a não me importar mais com a qualidade e sim com a quantidade, com resultados. Era o que eles queria, e foi o que eu passei a entregar. Tudo estaria bem não fosse uma ligação de denúncia. E uma investigação. Contando Maio, faltavam 6 meses pro meu contrato vencer. Eu passei em um concurso e estou esperando ser chamada, o que espero que aconteça dentro de dois a 3 meses no máximo. Então meu chefe me disse que, caso eu continuasse no IBGE corria o risco de abrirem um processo contra mim e que, para evitar tanto o processo quanto qualquer outro tipo de agravante que pudesse ser gerado por ele, eu devia pedir a recisão do meu contrato.
Honestamente? As pessoas ao meu redor pareciam mais chocadas do que eu, mais abaladas do que eu. Só fui começar a ficar angustiada de fato quando voltava para casa, mais por não saber como dar a notícia pro meu pai e pro meu namorado do que por ter perdido o emprego. Minha amiga Lucimar confessou que se sentiu aliviada, pois estava com medo que eu desenvolvesse uma úlcera se continuasse trabalhando naquele lugar. “Você está certa disso?” foi o que meu chefe perguntou quando me trouxe o papel pra assinar. “Tenho outra alternativa?” foi o que eu perguntei pra ele. Nós dois sabíamos que não. Ele me aconselhou a tomar cuidado pra não cometer mais erros no futuro. Não posso dizer que nunca mais vou errar, pois sou humana, mas uma coisa é certa. Eu ganhei e perdi muita coisa nesse emprego. Ele me serviu de aprendizado em muitos sentidos e por isso eu agradeço. Nunca mais vou deixar que minha confiança num chefe me cegue a ponto de me fazer cometer quaisquer erros que forem. E viramos a página.
sábado, 28 de abril de 2018
Suficiente...?
Hoje acordei cedo com vários barulhos e, depois de duas horas brigando com a cama, com os barulhos e com as cobertas, acabei por me decidir a levantar e sair. Combinei de ver o filme dos vingadores com meu namorado. Devo confessar que é muito bom poder dizer meu namorado. Não seu, não dela, não dele. Meu.
Já o meu problema é não saber como lidar com várias coisas q acontecem. Eu nunca namorei então é tudo novo pra mim, e a verdade é que estou numa altura da vida que mudar já não acontece tão naturalmente nem com tanta facilidade como vinha, por exemplo, nos tempos de escola. Lembro até hoje daquela cartinha que recebi de uma “amiga”, “obrigada por ter mudado tanto por mim”. Era pra ser uma coisa boa, mas pra mim soou ruim. Era mesmo preciso mudar? Hoje eu preciso pesar as coisas que estão me prejudicando e ver se vale mesmo a pena continuar com elas pelo simples fato de que é uma característica minha ou se essa dita característica pode se tornar algo melhor.
Esse post foi planejado faz bastante tempo, fruto de vários problemas que passo e que, de tempos tempos, fazem com que eu me pergunte se estou fazendo o suficiente. Se estou tentando o suficiente. Se estou me esforçando o suficiente. Tem horas que eu acho q faço mais do que qualquer pessoa faria e outras em que acho que não estou fazendo mais do que minha obrigação. Existem até os momentos em que eu queria fazer mais, mas sinto que não consigo. Eu mesma tenho meus fantasmas, minhas neuras e meus problemas, todos frutos da minha mente problemática. Não tem uma receita de bolo pra resolver isso, então vou partir pra tentativa e erro. Uma hora, quem sabe, funcione?
O que eu queria agora era expor que eu também não estou recebendo tanto feedback quanto preciso. Outro dia fiquei sabendo que falo algo que incomoda meu namorado por não ser algo que ele ouça mulheres falando. É mais ou menos como minha reação a quando eu escuto a palavra top ou a palavra véi. Eu peguei nojo. Também é engraçado pensar em como você pode gostar de algo hoje, não se importar com a mesma coisa amanhã e, de repente, pegar um asco tão profundo que isso se torna irritante em todos os sentidos. Penso especificamente em uma colega de trabalho enquanto escrevo isso.
De qualquer forma! Por um tempo eu me questionei se eu seria suficiente. A pergunta correta não é se eu sou suficiente e sim o que me tornaria suficiente. Obviamente sei que é um caminho longo, tortuoso e que no fim das contas pode não surtir os efeitos desejados. Ainda assim penso que se eu não tentar, ninguém vai fazer isso no meu lugar.
sábado, 21 de abril de 2018
Culpa
Por falar em desculpa, vamos estudar um pouco essa palavra. Desculpar alguém é tirar dela a culpa. Então, quando alguém como eu pede desculpas por qualquer coisa, você ouvinte pode achar que é inútil, pois é uma desculpa automática. Eu falo sem pensar, então não é de coração. Oras, mas e se eu dissesse que eu realmente estou significando aquilo que digo? Então você provavelmente vai achar que eu tenho um complexo de culpa. E não estaria muito longe do que realmente é.
Quando cheguei em casa no dia em que tive que internar e não ouvi ela falando, soube que não podia deixar passar mais um dia. Quando a vi no hospital toda entubada e precisando de remédios pra fazer o coração bater, eu ainda acreditava que ela ficaria melhor em algum momento. Quando ela morreu e eu tive que ser forte pelo meu pai, eu fui. Então, quando a tempestade dos acontecimentos passou, veio a culpa. Culpa de pensar que, talvez, se eu tivesse pedido pra internarem ela antes, ela tivesse sobrevivido. Culpa de saber que ela morreu no hospital, sendo que eu tinha certeza que ela preferia morrer em casa. Culpa por não saber se, depois de tudo que eu fiz durante a minha vida inteira, tinha sido suficiente. Ela era uma pessoa difícil, mas eu a amava. E ela estava morta. E eu me sentia culpada por isso também, mesmo que dentro de mim eu soubesse que tinha feito tudo que podia, mesmo que dentro de mim eu soubesse que ela tinha descansado. Era minha culpa.
Depois daquilo minha pessoa de apoio foi embora. E eu conheci a pessoa que hoje faz meus dias felizes. Era o que eu queria dizer, mas a culpa me faz sentir o contrário. Ele é meu namorado e eu sei que, se minha mãe estivesse viva, ele não o seria. Mas ela não está, então ele é. Ele é mais novo que eu e eu sei que isso vai fazer com que nossa vida seja cheia de dificuldades, mas eu aceitei estar com ele mesmo assim. Eu tenho plena consciência de todos os problemas e dificuldades que a gente vai enfrentar. Então, eu tento estar bem. Mas não consigo.
Eu não consigo perceber quando ele está feliz se não estamos juntos. Eu continuo até hoje achando que ele fica mais feliz quando joga com outras pessoas do que quando joga comigo. Eu me sinto culpada quando jogo algo sozinha, pois parece que é errado eu me divertir sem ele, ainda mais quando ele está se sentindo mal. Seria mais fácil se eu conseguisse fazer com que ele se sentisse melhor, mas não é o caso. Eu não vejo, eu não percebo, eu não sinto que qualquer coisa q eu faça melhore alguma coisa. Parece q não faz diferença na verdade. Então fico pisando em ovos, tentando pelo menos não cair nas armadilhas de sempre. A da culpa, a de não ser suficiente (que, honestamente, era pra ser o tema de hoje, mas tivemos mudanças de última hora, como podem ver). Eu gosto de pensar que sou uma pessoa boa, no entanto, quando me vejo tendo tantas discussões, passando por tantas situações frustrantes, não conseguindo algo simples como a felicidade das pessoas que eu amo… Tudo isso me afeta de uma forma muito forte. Se estou deprimida? Não, acho que não. Mas esse complexo de culpa me persegue. A culpa de eu não estar no grupo dos prediletos lá no trabalho é por eu não ter estômago pra suportar as pessoas que não me fazem bem. A culpa da minha mãe estar morta é minha. A culpa do meu namorado não estar feliz nem satisfeito com nada que eu faça é pelo simples motivo que vem de mim. A culpa do meu irmão estar pensando que meu pai o odeia é minha. A culpa de termos tantos cães em casa é minha. A culpa de não conseguirmos vender a casa da minha vó é minha. Se o mundo acabar, não duvido nada, a culpa também será minha. Estou abraçando todas elas. Parece que a culpa me consome. Parece que ela me alimenta. Parece que ela está presa em mim, em cada célula do meu corpo. Devia eu morrer?
Desculpa…
Eu só queria ter paz, mas acho que a culpa vai me consumir toda a alma, até que não sobre nada de mim. Acho que preciso voltar a ir na psicóloga...
