sábado, 24 de fevereiro de 2018

Aquilo que nos Separa

Parece que o que eu mais falo aqui é sobre amor. Sobre meus objetos de afeto e como nossos relacionamentos se desenvolvem. Então quando chega o momento da separação, é difícil. Eu me sinto sozinha, perdida, abandonada. Nos últimos meses eu estive em um relacionamento com um garoto de 17 anos que completou 18 em Janeiro. O normal é se imaginar que as coisas melhorariam, que nosso relacionamento se desenvolveria de forma mais agradável para ambos os lados. Não foi o que aconteceu e, no domingo, dia 18, sem nem se dar ao trabalho de me chamar pra conversar em uma call do discord, nem me chamar pra nos vermos pessoalmente, apenas com uma mensagem, ele me disse aquilo que haviam meses eu estava com medo de ouvir: “eu nunca achei que diria isso, mas vamos terminar”.
Desde Janeiro eu estava com dores na barriga. Primeiro pensei que fosse apenas o estômago, já que comecei o ano vomitando tudo e mais um pouco. Depois comecei a culpar os gases. Dentro de mim uma voz dizia que não era nada disso, mas eu relutava em aceitar, no entanto, assim que ele disse, a dor passou. Era nervoso. Então, naquele mesmo dia, tínhamos que jogar RPG, então chorei tudo que podia pra que, na hora, não chorasse. A tentativa foi boa, mas eu mesma coloquei uma armadilha em meu caminho. Minha alma no RPG conseguiu completar sua missão ‘póstuma’, então minha personagem disse que, contanto que ela não a abandonasse como sua última alma, que tudo bem. Então meu mestre de RPG fez o favor de fazer ela reforçar seu juramento, que ela estaria ao meu lado até que ela morresse ou até o fim de minha jornada. E por um segundo eu lembrei de todo o futuro que planejei com ele, um futuro que agora sei que nunca vai chegar. O carnaval realmente destrói casais, mas eu não imaginei que iria me destruir também.
Ele é jovem, eu digo. Jovens mudam, eu digo. Ele disse que não me ama mais como amava no início e eu entendo. Entender não muda o fato de que dói. Ele ficou vários dias na casa do melhor amigo dele e, pouco a pouco, percebi que eu não tenho importância nenhuma na vida dele. Passei três ou quatro dias tentando entrar em contato com ele, mas ele me evitava. Suas respostas eram curtas e sem tentativa de continuar uma conversa. Tudo que ele fazia, também, era pra se manter longe. Eu perguntava o que ele estava fazendo e as respostas sempre vinham em forma de “vendo série” ou “ouvindo música”. No entanto, depois de vários dias sem me falar nada, naquela noite que ele pediu pra terminar ele me disse boa noite antes de ir dormir.
Boa noite Hakion.
Meu amigo Silver disse que não coloca fé no término mas eu disse que, dessa vez, eu não acho que voltaria com ele se ele não criar um pouco de maturidade e responsabilidade primeiro. Ele gosta de dizer que é um espírito livre, mas ainda depende dos outros pra tudo. Eu sei o que é ser um espírito livre nesses termos. Ele diz que quer ganhar dinheiro mas, mesmo quando estávamos juntos, era sempre com intuito de jogar. Quando paro pra pensar, ele nunca fez planos pra gastar dinheiro comigo. A última prestação da última viagem que fizemos venceu esse mês e eu fiquei lembrando de como era bom ficar com ele, de como eu gosto de estar com ele. Mas ele não me ama. E eu me pego pensando que queria estar com ele. E me pego pensando que gostaria de continuar. Mas ele é jovem e ele mudou. Mudou tanto que não me ama mais. Verdade seja dita, eu já senti todo tipo de sentimento por ele desde que terminamos, desde mais amor até raiva e, principalmente, saudade. Os amigos dele são mais importantes pra ele que eu. A liberdade do espírito dele quis que ele levantasse vôo e fosse pra longe de mim e ele não demorou pra seguir o chamado. Ele disse que queria que algo acontecesse que o fizesse mudar de ideia, mas que não aconteceu. Disse que sentia falta de algo que eu tinha antes, mas que não sabia o que era. Reclamou das brigas que nenhum de nós lembrou quando foi a última vez que aconteceu. E, no fim das contas, por ele achar que era cruel continuar daquele jeito, acabou. Eu não pude fazer nada além de ver a pessoa que eu amo ir embora. Não literalmente, mas não muda o fato de que não temos mais motivo pra nos ver. E, mesmo que eu o veja, não vou poder abraçar ele e beijar sua boca. Isso dói.
Lembro nesse momento da minha amiga Liliane e de como ela me disse uma vez que, se é pra sentir algo ruim, que se sinta logo tudo de uma vez pra que a gente consiga ir em frente. Nos últimos dias continuei usando a aliança, só pra continuar uma farsa que, dentro da minha cabeça, diz que a gente ainda pode, um dia, se entender. Ele perguntou se eu preferia que ele se afastasse ou se preferia continuar sendo amigos. Deixei que ele escolhesse e, pelo que parece, ele preferiu continuar sendo meu amigo, pois continuamos nos falando às vezes e jogando juntos, também às vezes. Naquele domingo falei com o Giorgio, que está de férias aqui desde dezembro e disse que queria sair pra beber. Fiquei até tarde bebendo e voltei pra casa às 11 da noite. Encontrei meu pai na mesa, lendo jornal, esperando por mim. Literalmente, pois foi eu chegar e ele foi se deitar. E lembrei de tudo que depende de mim. E lembrei que eu não tenho 18 anos e que tenho muitas responsabilidades. Que provavelmente eu me arrependa agora por termos terminado, por não ter tentado mais, por não ter insistido mais, mas que, no fim, eu tenho que ter a consciência de que eu realmente tentei tudo que podia. Como eu disse naquele dia, eu não fui suficiente. Meu próximo post ainda vai ser sobre ele, eu tenho plena consciência disso. Afinal, tenho que agradecer e me desculpar por tudo que puder antes de deixar ir. Depois disso, me pergunto, qual será o futuro da minha gaveta.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Roseiras

Uma planta não sente dor. Se você fizer uma pesquisa simples no Google vai receber essa resposta e várias justificativas que dizem que, para sentir dor, precisa existir um sistema nervoso. Ainda assim, vamos dizer que ela perde partes de si quando arrancamos algo dela. Tendo dito isso, vamos prosseguir com alguns pensamentos que desenvolvi durante esses dias.
Uma rosa é uma flor que é muito apreciada em vários sentidos. Dizem que cada cor representa uma emoção, na Wikipedia se encontra as cores e seus significados. Meu irmão, apaixonado que está e romântico que é, sempre compra uma rosa vermelha quando vai ver a garota que é alvo de sua afeição. Digamos que eles se vejam uma vez por semana, todas as semanas do mês, todos os meses do ano. Quando você trabalha na PNAD Contínua você sabe que um mês tem, em média, quatro semanas. Multiplicamos isso por doze meses e temos 48 rosas dadas no decorrer de um ano. Não vou entrar no mérito de preço aqui, já que as únicas rosas que dei na minha vida foram alguns vários anos atrás, no dia das mães, para a Lucimar e para a minha mãe. Minha noção de preço então está bem defasada, mas imagino que não seja uma flor barata com todos os apetrechos que as floriculturas costumam colocar junto.
Passemos ao próximo ponto de discussão, a planta de onde as rosas estão sendo retiradas. A roseira. Não faço ideia de quantas rosas uma roseira produz por ano. Fiz uma pesquisa, mas parece que varia bastante de variedade pra variedade, então desisti de conseguir um número exato. Você retira as rosas dessa roseira e, de certa forma, está levando um pedaço dela embora. Um pedaço que supostamente não vai fazer falta. Um pedaço que não dói de ser tirado, arrancado, cortado. Roseiras têm espinhos que deveriam ser uma forma de proteção, ainda assim, as rosas são tiradas dela. Não é como se ela pudesse reagir. E as rosas estão lá, não é mesmo? Se queremos demonstrar nossos sentimentos com rosas, elas precisam ser tiradas da roseira.
Se você leu até aqui deve estar se perguntando o que foi que deu em mim para estar escrevendo sobre roseiras. Essa semana resolvi recomeçar minhas caminhadas com vários motivos na cabeça. Enquanto retornava para casa, por algum motivo qualquer comecei a me comparar com uma roseira. Vou desenhar a comparação pra que fique mais fácil de entender. Lembra como falei do meu irmão e as rosas que ele dá pra garota? Pois bem, vamos dizer que as rosas são o amor. E a roseira sou eu. Eu distribuo amor de graça, sem pedir nada em troca. Tenho minhas defesas, mas não hesito em dar um pouco de amor. Tenho minhas necessidades, mas tenho amor!
No entanto, o que acontece quando você dá, dá e não recebe? Neste momento, sei que vão existir pessoas que vão me julgar uma egoísta, dizer que estou pedindo uma troca, mas não é isso. Existe alguém que rega, cuida, aduba e, obviamente, corta as rosas de uma roseira. Houve uma época em que eu era uma roseira de muitos donos e todos cuidavam um pouquinho de mim. Existia uma pessoa que, por mais que me faltasse dos outros, era como um remédio potente, não importava quanto eu precisasse, ela me supria. Só que ela morreu. E essa roseira, por mais que recebesse cuidados esporádicos de uma pessoa aqui e outra ali, sentia falta de uma fonte fixa de cuidados.
Uma nova fonte de cuidados me foi dada e eu confesso, foi um motivo de felicidade. No entanto, por vários motivos, a frequência de cuidados é menor. E, por motivos óbvios, não são do mesmo tipo. Essa roseira continua dando rosas, mas começa a se sentir um pouco fraca, um pouco doente, um pouco abandonada. Mas diferente de roseiras, tudo que eu tinha que fazer era engolir meu orgulho e pedir ajuda. Procurar socorro.  Pedir por cuidados. Mas obviamente, eu vou continuar fazendo de conta que sou uma roseira. Plantas não sentem dor.

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Sexualidade

Nos dias de hoje é difícil você conhecer alguém que case virgem. Vamos ser honestos, provavelmente nos dias antigos também era assim, mas bem mais escondido do que hoje. Ninguém perdia a virgindade e saia contando para as amigas, por assim dizer. Provavelmente os homens sim saiam contando, mas não da primeira vez. A primeira vez é sempre estranha e leva um tempo até você se acostumar, essa é a verdade. Existem também, ainda falando dos dias atuais, as pessoas que conseguem dizer que são assexuadas. Na minha época, se dizia que um animal era assexuado quando ele não tem sexo definido, como por exemplo a minhoca, mas isso não significava que ela não fazia sexo. Afinal, toda espécie que caminha sobre essa terra tem um objetivo, ouso dizer, bíblico: crescei e multiplicai. Bem, acho que o ser humano está ganhando nesse quesito.
O início da minha sexualidade começou bem tarde. Vejam bem, eu era muito bem protegida do mundo pela minha mãe, logo as poucas coisas que escapavam eram podadas. Ela fez um ótimo trabalho nesse sentido e, honestamente, eu gostaria de poder fazer o mesmo. Não da mesma forma, pois acho que é importante dar algumas instruções, mas ainda assim. Eu lembro que várias vezes eu falava pra ela que ela fez um bom trabalho quando eu me comparava com pessoas da mesma idade que eu que tinham engravidado até mesmo na época da escola. Não que isso seja um problema, mas eu não acho que uma criança de 15 anos tenha cabeça pra criar outra criança. Eu sei que eu não tinha. Eu poderia fazer um post apenas sobre filhos, mas a verdade é que como em um vídeo que assisti outro dia em que disseram que a Anne Hathaway se recusou a fazer um papel pelo simples fato que a personagem passaria por um parto e a própria atriz não tinha tido aquela experiência ainda, prefiro não dizer o que eu faria como mãe já que, apesar de existir uma teoria, na prática é bem diferente. Penso por exemplo em como isso acabaria com meu sistema nervoso. Se ter um namorado faz com que eu me preocupe, imagine filhos! Se as dores do corpo refletem as dores da alma, acredito que ter filhos vai gerar uma nova gama de dores que eu até estou disposta a sentir. Ter filhos parece ser algo bom e é uma experiência que eu ainda quero ter nessa vida. E isso também está ligado à sexualidade, pois querendo ou não, é a realidade por trás da famosa pergunta infantil “De onde vêm os bebês?”Isso me faz lembrar ainda que tinha um livro ilustrado para crianças que explicava exatamente isso, da forma certa. Lembro pois eu vi, mesmo que minha mãe tenha tido todo o cuidado de esconder. Lembro também que apesar de ter lido, não entendi na época que estavam falando de sexo, pois a verdade é que eu não tinha noção do q era o sexo. Crianças deviam permanecer inocentes pelo máximo de tempo possível, é o que eu acho.
Vale dizer que não importa se você começa sua vida sexual com uma garota de programa, com um cara qualquer ou com a pessoa da sua vida. Obviamente tenho uma amiga que vai dizer o contrário, que tudo que se faz com a pessoa que se ama é muito melhor e eu concordo nessa parte em número, gênero e grau. No entanto eu acredito que nossas experiências durante a vida acabam se tornando uma carga. Eu prefiro ser essa pessoa quase sem experiência nenhuma no campo do sexo do que ser uma dessas garotinhas que com 15, 16 ou 17 anos estão grávidas. Já expus minha opinião sobre isso e acho difícil que mude. Mas espero continuar vivendo com essa experiência. Pegando de emprestado uma referência de um Hentai que assisti uma vez, não me lembro o nome, mas a expressão vem muito bem a calhar: existe uma chave para cada fechadura. Pode ser que precise de um pouco de óleo, um pouco de pó de grafite pra entrar direito e funcionar, mas quando você achar, vai dar certo.

sábado, 13 de janeiro de 2018

Problemas e Não Problemas

Tenho uma amiga que me diz que, quando um problema não tem solução, solucionado está. Não significa que não exista algo que nos atormenta, que seria o problema. Significa simplesmente que, se você como pessoa não consegue achar uma solução para aquilo que te atormenta, então , talvez você devesse parar de se atormentar com esse dito problema. Existe uma palavra muito boa para isso, chamada autosabotagem. Eu tenho um relacionamento. Eu tenho um homem que me ama. No entanto eu não consigo fazer ele feliz, é o que eu repito pra mim mesma constantemente, ao ponto de isso ter se tornado algo que me atormenta. Mas posso eu fazer algo para que ele seja mais feliz? A resposta dessa questão depende do ponto de vista de cada um. Meu amigo Gilson me diria que eu devo investir em mais viagens e mais motéis, que se eu satisfazê-lo sexualmente não existirá problema algum. Obviamente o meu amigo Gilson não tem um salário de menos de dois salários mínimos por mês e ele nunca viaja com sua namorada. A desculpa que ele daria seria o trabalho e eu compraria essa desculpa com todo prazer, no entanto o mesmo não se aplica a mim. Então, voltamos ao problema. Como fazer meu homem mais feliz?
Outro amigo perguntou outro dia se eu sou feliz. Eu não soube responder. Às vezes eu me foco tanto em fazer as coisas de uma forma que agradem mais que esqueço de me perguntar se eu estou bem. Aquela pergunta ficou martelando minha cabeça por um dia inteiro, como se não bastasse que eu estivesse angustiada o suficiente com meus próprios fantasmas me atormentando. Eu sou feliz? Então lembrei das várias vezes que eu rio converso e sou, de fato, feliz. Não parece algo que tenha acontecido muito ultimamente, de fato. Mas tudo bem, eu estou de férias e, durante minhas férias, choveu praticamente todo dia, sem excessão. Como eu podia fazer mais? E essa justificativa me pareceu boa o bastante.
O problema aqui, na verdade, não é o problema em si, mas sim como eu estou lidando com o problema. Eu escrevi um textão enorme ontem pro meu homem, pois o problema havia chegado num ponto em que eu não sabia mais como lidar com toda a angustia e aflição que ele estava me causando. O problema que não era um problema, pois não tinha solução até aquele momento. Naquele momento, no entanto, ele passou a ter solução. Ele só se tornou um problema quando eu finalmente criei coragem pra dizer tudo que estava me afligindo e me torturando. Pode não parecer pras pessoas de fora que costumam me ver feliz e contente andando por ai, sorrindo e falante o tempo todo. Mas minha realidade é bem mais melancólica que isso. Expus meus sentimentos, minhas preocupações e todas as coisas que estavam me incomodando já desde o início do ano. Sim, tudo começou com esse ano, a impressão que eu tenho é que assim que o calendário virou pra 2018 uma força maior que eu resolveu brincar com a minha resiliência. Bem, deixe-me dizer que não está sendo divertido. Eu venho dizendo isso desde que minha mãe morreu, não é fácil ser forte o tempo todo. Às vezes eu só quero poder me dar um tempo, um descanso, me permitir chorar. Nessas horas busco refúgio na mesma pessoa que inspirou o título desse post de hoje. Mas existem coisas que só você pode resolver e meu problema, minha angústia, aquelas palavras que me machucavam não iam se curar sozinhas se eu não fizesse alguma coisa.
Então eu fiz. E deu certo. Ele começou a escrever e escreveu bastante e por vários momentos eu fiquei com medo daquela linha, “está digitando”. Pensei que talvez ele fosse ficar bravo comigo por ter dito tantas coisas que, talvez, para ele, não fizessem sentido. Afinal, eram minhas angústias. Eram meus medos. Era meu problema. No entanto ele me mostrou de novo o porquê ele é meu homem, e não outra pessoa. A resposta dele foi calorosa, não de uma forma nervosa, mas sim de uma forma acolhedora. Confesso que algumas lágrimas rolaram pelo meu rosto quando terminei de ler, mas foi uma sensação boa. Era como se, finalmente, depois de 12 dias de angústia atordoante, uma calmaria se espalhasse ao meu redor, me aquecendo de uma forma gentil.
E depois disso, por alguns momentos, fiquei me perguntando se as coisas não teriam se resolvido antes caso eu tivesse de fato falado com ele sobre tudo aquilo antes. A resposta é que não, pois o trigger tinha que ser ativado de uma forma bem específica para que o problema se tornasse, finalmente, um problema solúvel. Viva as soluções!

sábado, 6 de janeiro de 2018

Reclamações

Começou o ano novo, e começou como? Cheio de problemas acontecendo. Tenho uma família cheia de tios e, dentre eles, existe uma que eu gostava muito, com quem fomos almoçar. Era na churrascaria. Agora, sabendo como churrascarias são caras hoje em dia e como meu pai e meu irmão são, imagine a seguinte situação… A pessoa pergunta sobre os sucos naturais disponíveis e descobre que tem de laranja e de abacaxi. Ela pede de abacaxi. Chega o meu refrigerante e os dois sucos de laranja antes do suco de abacaxi. É feita uma reclamação sobre o quanto o suco está demorando. Quando o suco chega é feita outra reclamação, sobre como o suco está “ralo”. Então existe o momento máximo do churrasco, que é quando começam a trazer as carnes. Eu amo carne, todos sabem disso. No entanto, ouço uma nova reclamação sobre como a carne que mais vem é a fraldinha. Honestamente, eu não compro fraldinha no açougue, então não sei se a carne é barata, cara ou se está na média de preço, mas tinham várias outras carnes que foram servidas. Ela pediu uma linguiça bem passada e depois reclamou que esqueceram de trazer a dita linguiça, esquecendo que ela mesma que pediu bem passada. E então, se não bastasse, ela lembrou de uma churrascaria que não era perto da casa dela, lá em Mogi das Cruzes, e quis saber se estava aberta, pois, segundo ela, “se estiver eu vou ficar muito puta”. Bem, segundo as informações do google, estava aberto. Então em certo momento eu paro e penso: “minha tia envelheceu e se tornou uma velha reclamona”. Minha avó era esse tipo de pessoa. Eu espero do fundo do coração que eu não seja assim quando ficar velha.
Então, de volta em casa, houve a minha grande surpresa que foi nada mais nada menos que vomitar toda a carne que comi. Durante o dia todo. E ficar com o estômago doendo até hoje, o dia em que escrevo este post. Estou melhorando aos poucos. O legal de você passar mal é que as pessoas começam a te passar vários truques, dicas e receitas pra melhorar. “Tome chá de camomila e chá de boldo, bem forte”. “Comidas frias fazem bem pro estômago”. “Faz um purê de cenoura com suco de laranja”.
Então, durante esse período, seu namorado fica de castigo pq resolveu passar a virada de ano em casa, com você. E você apela pro bom coração da mãe dele na esperança de que a pena diminua, no que você tem sucesso. Parcial, pois seu namorado está tão puto que parece que nada do que você fez teve algum valor. E no dia seguinte você resolve sair pra fazer um monte de coisinhas que você listou, sem colocar o título de “coisas pra fazer”. Era apenas uma lista, bem grandinha por sinal, com itens bem básicos, como recarregar o cartão de passe municipal, fazer um cartão BOM pra poder ir ver o namorado sem gastar tanto, pagar umas contas e, mais importante, ir na farmácia. Porque o estômago dói. E no meio disso tudo ele te manda uma mensagem perguntando se você quer jogar. Supostamente era pra ele estar de castigo e você percebe que, com ou sem sua intervenção, o castigo não duraria mais que um dia de qualquer maneira. O plano era ver meu amigo veterinário mas quem arriscaria beber com um estômago zuado? Não eu! E você começa a não saber mais porque o estômago dói. Pode ser por comer, por não comer ou por ficar passando nervoso. Pode ser apenas uma reação do seu cérebro pra qual seu corpo está reagindo dessa forma. Conheço pelo menos uma pessoa que passou por esse tipo de situação e, hoje, está casada.
Durante todos os dias dessa semana eu quis ser deixada de lado de várias formas. Não queria jogar, não queria conversar, não queria nem ter que sair da cama. Tudo que passava na minha cabeça era a sensação de inutilidade, um tópico que já foi tão falado com minha psicóloga. Eu comecei a realmente acreditar que não consigo fazer as pessoas felizes. Ou, no caso, que não consigo fazer as pessoas que quero ver felizes, feliz. Existem muitas restrições. Existem muitos obstáculos. Mas percebi que o maior de todos eles sou eu mesma e como consigo fazer uma tempestade num copo de água. Minha psicóloga disse, e tenho que escrever aqui pra eu mesma me lembrar, não só neste momento mas nos momentos por vir, pois sinto que vou precisar, mas se eu não estou bem não adianta nada querer fazer com que os outros se sintam bem. A única exceção que conheço pra essa regra é o Silver, pois quando ele está mal ele não precisa que você fale, ele precisa que você escute. E apesar de ser uma pessoa que fala muito eu também sei ouvir quando preciso.
Amor, quando ler isso, pois sei que vai ler, quero te pedir desculpas. Eu não ando bem, e isso faz com que eu veja problemas por todo lado. Você disse coisas que me machucaram e eu me apeguei a elas de uma forma muito forte. Isso fez com que brigássemos várias vezes durante a semana, no entanto como eu disse e repito nesse momento, que bom que você insistiu em mim. Eu estou longe de ser uma pessoa perfeita e sem problemas e estou longe de ser a pessoa ideal. Sou só uma pessoa cansada que te ama muito. Uma pessoa com vários problemas que te ama muito. Mesmo que eu não te faça tão feliz ou que te anime tanto quanto outras pessoas, espero que continue me amando também.

domingo, 31 de dezembro de 2017

Retrospectiva 2017

Sei que hoje é domingo, mas o post faz mais sentido sendo postado hoje do que ontem. Verdade seja dita, foi um sábado cheio de coisas pra fazer, então o post está saindo hoje. Não por eu querer escrever tanto ao ponto de postar hoje, não senhor, mas sim pelo fato de que, no fim das contas, o post funciona pra hoje. Vamos lá!
Esse ano foi um divisor de águas, em vários sentidos. Uma pessoa que me era importante foi atrás de sua vida, seus ideais e seus sonhos. Um amigo me apresentou um programa de voz onde conheci pessoas muito legais e, entre essas várias pessoas legais, uma em especial. Uma pessoa que começou como um amigo, com quem eu me importava, com quem eu gostava de conversar, com quem eu gostava de jogar, com quem eu gostava de dividir os momentos. Falando no passado assim parece que essa pessoa não existe mais. Não é bem isso, mas é que as coisas mudaram bastante. Ele não é mais só um amigo, ele é meu namorado. É estranho dizer isso, mas as coisas são diferentes quando você namora alguém. Nós dois ficamos tentando muito e conseguindo pouco. Me esforcei mais do que o comum esse ano por influência de outras pessoas, inclusive pessoas que eu considero muito. Vi e ouvi meu irmão me contando várias coisas, desde coisas tristes como vontades não feitas (pelo que, honestamente, agradeço), até seus dramas pessoais, como querer mudar de emprego, descobrir que nossa prima está com câncer e seu envolvimento romântico com pessoas que, de certa forma, desaprovo. Mas cada um está nesse mundo para viver da forma que deve e não vou ser eu que vou influenciar nisso. Minha mãe não está aqui. Meu pai agora sabe que meu namorado tem quase 18 anos e, como eu imaginei, ele não disse nada nem de aprovação nem de desaprovação, o que me deixa muito, mas muito aliviada. No trabalho, várias pessoas foram embora, outras vieram, relações entre as pessoas que vieram e foram embora se provaram um empecilho pra que eu conseguisse conviver de forma normal, a própria mudança de local faz com que as coisas fiquem mais complicadas devido à forma de divisão de pessoal entre as salas. Existe muita mágoa acumulada e muita dificuldade de comunicação, mas é meu emprego e é de onde tiro o dinheiro que preciso pra poder pagar meus gastos.
Fiz investimentos pessoais que, se considerado longo prazo, poderão trazer bons resultados. Ter um tipo de relacionamento novo fez com que eu visse como tenho vícios de comportamento. Nem todos bons. Honestamente, nem acho que algum possa ser bom, mas preciso parar de achar que tudo que vem de mim seja ruim. Preciso parar de tirar conclusões e de ter pensamentos ruins, suposições ruins, de me depreciar. Já passaram muitos anos desde q eu nasci mas não importa quanto tempo passe, de alguma forma, parece q eu nunca melhorei de fato. E quando paro pra pensar, não é como se, de fato, eu tivesse tentado. Mas as coisas mudam. Viajei, ri, beijei, me diverti e me apaixonei. Eu conheci pessoas que quero levar pro resto da vida e também decidi que existem pessoas que eu nunca mais quero ver ou ouvir falar pelo máximo de tempo que eu conseguir evitar. Infelizmente eu ainda sou um bichinho do mato, como dizia minha vó. Infelizmente nós aqui de casa continuamos a ter muita dificuldade de seguir em frente em vários sentidos, diferentes, para cada um de nós. Ainda assim, foi mais um ano que veio, passou e chega ao fim. Espero continuar escrevendo por muitos anos que estão por vir.

sábado, 23 de dezembro de 2017

Divagações

Quando eu fazia faculdade tinha um professor que gostava muito de falar da família dele no meio das aulas. Eram suas divagações. Neste exato momento tudo que eu quero é poder divagar tbm, pra fugir um pouco dos problemas, que infelizmente são muitos. Mas como não quero falar deles, vamos divagar!
Na sexta-feira da outra semana fizemos a mudança do meu emprego de um endereço pro outro. Nunca pensei que fazer uma mudança fosse tão trabalhoso. E ouso dizer que o maior problema nem é a mudança de fato, mas sim as pessoas envolvidas no processo. Ouvir de uma pessoa de cargo superior ao seu “o que vocês ficaram fazendo durante todo esse tempo?” quando você ficou esvaziando um galão enorme, cheio de água, para que o mesmo pudesse ser transportado, além de cuidar das vagas onde o caminhão da mudança estacionaria para que não houvessem problemas depois não é nada pra ele? Pra mim é bastante coisa. Depois, no lugar novo, você tem que lidar com o falso nojo das pessoas de lidarem com uma tampa de privada que tinha que ser instalada. Já ouviram aquela frase, “se quer algo bem feito, faça você mesmo”? Pois bem, eu sou dessas. Então eu mesma peguei a privada e instalei. Um problema resolvido. Então passamos pros arquivos e pra mesa que devia ficar na cozinha, mas que é grande demais pra cozinha então deveria ficar lá fora, no relento e na chuva. O que não é uma idéia ruim já que teve a confraternização na sexta. Tudo que se fazia ou se falava era retrucado e rebatido ao ponto em que eu não via a hora de ir embora dali.
E já que mencionamos a confraternização, vamos falar um pouco de confraternizações? Mas não da minha, pois estamos divagando. Existe apenas um tipo de confraternização que eu conheço, aquela em que todas as pessoas envolvidas têm problemas com um ou outro sujeito, mas todos fazem de conta que são ótimos amigos e super camaradas, só pra não pegar mal no filme. Me lembro de quando eu era mais jovem e minha mãe ainda era viva e resolveram fazer uma confraternização no mc Donalds, com direito a levar família e tudo mais. Minha mãe levou eu e meu irmão e uma das professoras olhou pra gente e disse “não comam muito pra não fazer sua mãe gastar muito dinheiro”. Minha mãe olhou pra gente e falou “podem comer o que quiserem, eu tenho dois salários pra isso”. Tipo o Julius, pai do Chris, do seriado todo mundo odeia o Chris, mas no caso dela, uma mulher. Lembro que me segurei pra não rir, mas fiquei feliz com a atitude dela. Que importam as outras pessoas? Quero estar bem com as pessoas que amo e que quero bem. Não que esteja acontecendo. Mas esse post não é pra falar disso, e sim pra divagar. Divagar!
Sábado passado eu fui num evento de animes. Ressaca Friends. Tinha um algodão doce preto sendo distribuído no estande de Harry Potter que deixava os dentes, os lábios e inclusive o seu intestino azuis. Tinha também a Comix, que eu não via desde muito tempo atrás, e que me fez agradecer fortemente pela Yamato ter vendido o evento. E tinha um panda oferecendo abraços grátis, com um rapaz do lado distribuindo adesivos, em forma de cabeça de panda e com os dizeres “abraços grátis” dentro. E tinham vários casais. Mas meu par é tímido. E eu estou num estado choroso. Sim, choroso. Não é líquido, nem gasoso, nem sólido, é choroso. As pessoas normais são enterradas. Minha mãe foi cremada. Michael Jackson virou purpurina. Eu vou me desfazer em lágrimas. Cada um tem o fim que escolhe. E como a premissa é verdadeira, esse post tem seu fim aqui.