sábado, 13 de janeiro de 2018

Problemas e Não Problemas

Tenho uma amiga que me diz que, quando um problema não tem solução, solucionado está. Não significa que não exista algo que nos atormenta, que seria o problema. Significa simplesmente que, se você como pessoa não consegue achar uma solução para aquilo que te atormenta, então , talvez você devesse parar de se atormentar com esse dito problema. Existe uma palavra muito boa para isso, chamada autosabotagem. Eu tenho um relacionamento. Eu tenho um homem que me ama. No entanto eu não consigo fazer ele feliz, é o que eu repito pra mim mesma constantemente, ao ponto de isso ter se tornado algo que me atormenta. Mas posso eu fazer algo para que ele seja mais feliz? A resposta dessa questão depende do ponto de vista de cada um. Meu amigo Gilson me diria que eu devo investir em mais viagens e mais motéis, que se eu satisfazê-lo sexualmente não existirá problema algum. Obviamente o meu amigo Gilson não tem um salário de menos de dois salários mínimos por mês e ele nunca viaja com sua namorada. A desculpa que ele daria seria o trabalho e eu compraria essa desculpa com todo prazer, no entanto o mesmo não se aplica a mim. Então, voltamos ao problema. Como fazer meu homem mais feliz?
Outro amigo perguntou outro dia se eu sou feliz. Eu não soube responder. Às vezes eu me foco tanto em fazer as coisas de uma forma que agradem mais que esqueço de me perguntar se eu estou bem. Aquela pergunta ficou martelando minha cabeça por um dia inteiro, como se não bastasse que eu estivesse angustiada o suficiente com meus próprios fantasmas me atormentando. Eu sou feliz? Então lembrei das várias vezes que eu rio converso e sou, de fato, feliz. Não parece algo que tenha acontecido muito ultimamente, de fato. Mas tudo bem, eu estou de férias e, durante minhas férias, choveu praticamente todo dia, sem excessão. Como eu podia fazer mais? E essa justificativa me pareceu boa o bastante.
O problema aqui, na verdade, não é o problema em si, mas sim como eu estou lidando com o problema. Eu escrevi um textão enorme ontem pro meu homem, pois o problema havia chegado num ponto em que eu não sabia mais como lidar com toda a angustia e aflição que ele estava me causando. O problema que não era um problema, pois não tinha solução até aquele momento. Naquele momento, no entanto, ele passou a ter solução. Ele só se tornou um problema quando eu finalmente criei coragem pra dizer tudo que estava me afligindo e me torturando. Pode não parecer pras pessoas de fora que costumam me ver feliz e contente andando por ai, sorrindo e falante o tempo todo. Mas minha realidade é bem mais melancólica que isso. Expus meus sentimentos, minhas preocupações e todas as coisas que estavam me incomodando já desde o início do ano. Sim, tudo começou com esse ano, a impressão que eu tenho é que assim que o calendário virou pra 2018 uma força maior que eu resolveu brincar com a minha resiliência. Bem, deixe-me dizer que não está sendo divertido. Eu venho dizendo isso desde que minha mãe morreu, não é fácil ser forte o tempo todo. Às vezes eu só quero poder me dar um tempo, um descanso, me permitir chorar. Nessas horas busco refúgio na mesma pessoa que inspirou o título desse post de hoje. Mas existem coisas que só você pode resolver e meu problema, minha angústia, aquelas palavras que me machucavam não iam se curar sozinhas se eu não fizesse alguma coisa.
Então eu fiz. E deu certo. Ele começou a escrever e escreveu bastante e por vários momentos eu fiquei com medo daquela linha, “está digitando”. Pensei que talvez ele fosse ficar bravo comigo por ter dito tantas coisas que, talvez, para ele, não fizessem sentido. Afinal, eram minhas angústias. Eram meus medos. Era meu problema. No entanto ele me mostrou de novo o porquê ele é meu homem, e não outra pessoa. A resposta dele foi calorosa, não de uma forma nervosa, mas sim de uma forma acolhedora. Confesso que algumas lágrimas rolaram pelo meu rosto quando terminei de ler, mas foi uma sensação boa. Era como se, finalmente, depois de 12 dias de angústia atordoante, uma calmaria se espalhasse ao meu redor, me aquecendo de uma forma gentil.
E depois disso, por alguns momentos, fiquei me perguntando se as coisas não teriam se resolvido antes caso eu tivesse de fato falado com ele sobre tudo aquilo antes. A resposta é que não, pois o trigger tinha que ser ativado de uma forma bem específica para que o problema se tornasse, finalmente, um problema solúvel. Viva as soluções!

sábado, 6 de janeiro de 2018

Reclamações

Começou o ano novo, e começou como? Cheio de problemas acontecendo. Tenho uma família cheia de tios e, dentre eles, existe uma que eu gostava muito, com quem fomos almoçar. Era na churrascaria. Agora, sabendo como churrascarias são caras hoje em dia e como meu pai e meu irmão são, imagine a seguinte situação… A pessoa pergunta sobre os sucos naturais disponíveis e descobre que tem de laranja e de abacaxi. Ela pede de abacaxi. Chega o meu refrigerante e os dois sucos de laranja antes do suco de abacaxi. É feita uma reclamação sobre o quanto o suco está demorando. Quando o suco chega é feita outra reclamação, sobre como o suco está “ralo”. Então existe o momento máximo do churrasco, que é quando começam a trazer as carnes. Eu amo carne, todos sabem disso. No entanto, ouço uma nova reclamação sobre como a carne que mais vem é a fraldinha. Honestamente, eu não compro fraldinha no açougue, então não sei se a carne é barata, cara ou se está na média de preço, mas tinham várias outras carnes que foram servidas. Ela pediu uma linguiça bem passada e depois reclamou que esqueceram de trazer a dita linguiça, esquecendo que ela mesma que pediu bem passada. E então, se não bastasse, ela lembrou de uma churrascaria que não era perto da casa dela, lá em Mogi das Cruzes, e quis saber se estava aberta, pois, segundo ela, “se estiver eu vou ficar muito puta”. Bem, segundo as informações do google, estava aberto. Então em certo momento eu paro e penso: “minha tia envelheceu e se tornou uma velha reclamona”. Minha avó era esse tipo de pessoa. Eu espero do fundo do coração que eu não seja assim quando ficar velha.
Então, de volta em casa, houve a minha grande surpresa que foi nada mais nada menos que vomitar toda a carne que comi. Durante o dia todo. E ficar com o estômago doendo até hoje, o dia em que escrevo este post. Estou melhorando aos poucos. O legal de você passar mal é que as pessoas começam a te passar vários truques, dicas e receitas pra melhorar. “Tome chá de camomila e chá de boldo, bem forte”. “Comidas frias fazem bem pro estômago”. “Faz um purê de cenoura com suco de laranja”.
Então, durante esse período, seu namorado fica de castigo pq resolveu passar a virada de ano em casa, com você. E você apela pro bom coração da mãe dele na esperança de que a pena diminua, no que você tem sucesso. Parcial, pois seu namorado está tão puto que parece que nada do que você fez teve algum valor. E no dia seguinte você resolve sair pra fazer um monte de coisinhas que você listou, sem colocar o título de “coisas pra fazer”. Era apenas uma lista, bem grandinha por sinal, com itens bem básicos, como recarregar o cartão de passe municipal, fazer um cartão BOM pra poder ir ver o namorado sem gastar tanto, pagar umas contas e, mais importante, ir na farmácia. Porque o estômago dói. E no meio disso tudo ele te manda uma mensagem perguntando se você quer jogar. Supostamente era pra ele estar de castigo e você percebe que, com ou sem sua intervenção, o castigo não duraria mais que um dia de qualquer maneira. O plano era ver meu amigo veterinário mas quem arriscaria beber com um estômago zuado? Não eu! E você começa a não saber mais porque o estômago dói. Pode ser por comer, por não comer ou por ficar passando nervoso. Pode ser apenas uma reação do seu cérebro pra qual seu corpo está reagindo dessa forma. Conheço pelo menos uma pessoa que passou por esse tipo de situação e, hoje, está casada.
Durante todos os dias dessa semana eu quis ser deixada de lado de várias formas. Não queria jogar, não queria conversar, não queria nem ter que sair da cama. Tudo que passava na minha cabeça era a sensação de inutilidade, um tópico que já foi tão falado com minha psicóloga. Eu comecei a realmente acreditar que não consigo fazer as pessoas felizes. Ou, no caso, que não consigo fazer as pessoas que quero ver felizes, feliz. Existem muitas restrições. Existem muitos obstáculos. Mas percebi que o maior de todos eles sou eu mesma e como consigo fazer uma tempestade num copo de água. Minha psicóloga disse, e tenho que escrever aqui pra eu mesma me lembrar, não só neste momento mas nos momentos por vir, pois sinto que vou precisar, mas se eu não estou bem não adianta nada querer fazer com que os outros se sintam bem. A única exceção que conheço pra essa regra é o Silver, pois quando ele está mal ele não precisa que você fale, ele precisa que você escute. E apesar de ser uma pessoa que fala muito eu também sei ouvir quando preciso.
Amor, quando ler isso, pois sei que vai ler, quero te pedir desculpas. Eu não ando bem, e isso faz com que eu veja problemas por todo lado. Você disse coisas que me machucaram e eu me apeguei a elas de uma forma muito forte. Isso fez com que brigássemos várias vezes durante a semana, no entanto como eu disse e repito nesse momento, que bom que você insistiu em mim. Eu estou longe de ser uma pessoa perfeita e sem problemas e estou longe de ser a pessoa ideal. Sou só uma pessoa cansada que te ama muito. Uma pessoa com vários problemas que te ama muito. Mesmo que eu não te faça tão feliz ou que te anime tanto quanto outras pessoas, espero que continue me amando também.

domingo, 31 de dezembro de 2017

Retrospectiva 2017

Sei que hoje é domingo, mas o post faz mais sentido sendo postado hoje do que ontem. Verdade seja dita, foi um sábado cheio de coisas pra fazer, então o post está saindo hoje. Não por eu querer escrever tanto ao ponto de postar hoje, não senhor, mas sim pelo fato de que, no fim das contas, o post funciona pra hoje. Vamos lá!
Esse ano foi um divisor de águas, em vários sentidos. Uma pessoa que me era importante foi atrás de sua vida, seus ideais e seus sonhos. Um amigo me apresentou um programa de voz onde conheci pessoas muito legais e, entre essas várias pessoas legais, uma em especial. Uma pessoa que começou como um amigo, com quem eu me importava, com quem eu gostava de conversar, com quem eu gostava de jogar, com quem eu gostava de dividir os momentos. Falando no passado assim parece que essa pessoa não existe mais. Não é bem isso, mas é que as coisas mudaram bastante. Ele não é mais só um amigo, ele é meu namorado. É estranho dizer isso, mas as coisas são diferentes quando você namora alguém. Nós dois ficamos tentando muito e conseguindo pouco. Me esforcei mais do que o comum esse ano por influência de outras pessoas, inclusive pessoas que eu considero muito. Vi e ouvi meu irmão me contando várias coisas, desde coisas tristes como vontades não feitas (pelo que, honestamente, agradeço), até seus dramas pessoais, como querer mudar de emprego, descobrir que nossa prima está com câncer e seu envolvimento romântico com pessoas que, de certa forma, desaprovo. Mas cada um está nesse mundo para viver da forma que deve e não vou ser eu que vou influenciar nisso. Minha mãe não está aqui. Meu pai agora sabe que meu namorado tem quase 18 anos e, como eu imaginei, ele não disse nada nem de aprovação nem de desaprovação, o que me deixa muito, mas muito aliviada. No trabalho, várias pessoas foram embora, outras vieram, relações entre as pessoas que vieram e foram embora se provaram um empecilho pra que eu conseguisse conviver de forma normal, a própria mudança de local faz com que as coisas fiquem mais complicadas devido à forma de divisão de pessoal entre as salas. Existe muita mágoa acumulada e muita dificuldade de comunicação, mas é meu emprego e é de onde tiro o dinheiro que preciso pra poder pagar meus gastos.
Fiz investimentos pessoais que, se considerado longo prazo, poderão trazer bons resultados. Ter um tipo de relacionamento novo fez com que eu visse como tenho vícios de comportamento. Nem todos bons. Honestamente, nem acho que algum possa ser bom, mas preciso parar de achar que tudo que vem de mim seja ruim. Preciso parar de tirar conclusões e de ter pensamentos ruins, suposições ruins, de me depreciar. Já passaram muitos anos desde q eu nasci mas não importa quanto tempo passe, de alguma forma, parece q eu nunca melhorei de fato. E quando paro pra pensar, não é como se, de fato, eu tivesse tentado. Mas as coisas mudam. Viajei, ri, beijei, me diverti e me apaixonei. Eu conheci pessoas que quero levar pro resto da vida e também decidi que existem pessoas que eu nunca mais quero ver ou ouvir falar pelo máximo de tempo que eu conseguir evitar. Infelizmente eu ainda sou um bichinho do mato, como dizia minha vó. Infelizmente nós aqui de casa continuamos a ter muita dificuldade de seguir em frente em vários sentidos, diferentes, para cada um de nós. Ainda assim, foi mais um ano que veio, passou e chega ao fim. Espero continuar escrevendo por muitos anos que estão por vir.

sábado, 23 de dezembro de 2017

Divagações

Quando eu fazia faculdade tinha um professor que gostava muito de falar da família dele no meio das aulas. Eram suas divagações. Neste exato momento tudo que eu quero é poder divagar tbm, pra fugir um pouco dos problemas, que infelizmente são muitos. Mas como não quero falar deles, vamos divagar!
Na sexta-feira da outra semana fizemos a mudança do meu emprego de um endereço pro outro. Nunca pensei que fazer uma mudança fosse tão trabalhoso. E ouso dizer que o maior problema nem é a mudança de fato, mas sim as pessoas envolvidas no processo. Ouvir de uma pessoa de cargo superior ao seu “o que vocês ficaram fazendo durante todo esse tempo?” quando você ficou esvaziando um galão enorme, cheio de água, para que o mesmo pudesse ser transportado, além de cuidar das vagas onde o caminhão da mudança estacionaria para que não houvessem problemas depois não é nada pra ele? Pra mim é bastante coisa. Depois, no lugar novo, você tem que lidar com o falso nojo das pessoas de lidarem com uma tampa de privada que tinha que ser instalada. Já ouviram aquela frase, “se quer algo bem feito, faça você mesmo”? Pois bem, eu sou dessas. Então eu mesma peguei a privada e instalei. Um problema resolvido. Então passamos pros arquivos e pra mesa que devia ficar na cozinha, mas que é grande demais pra cozinha então deveria ficar lá fora, no relento e na chuva. O que não é uma idéia ruim já que teve a confraternização na sexta. Tudo que se fazia ou se falava era retrucado e rebatido ao ponto em que eu não via a hora de ir embora dali.
E já que mencionamos a confraternização, vamos falar um pouco de confraternizações? Mas não da minha, pois estamos divagando. Existe apenas um tipo de confraternização que eu conheço, aquela em que todas as pessoas envolvidas têm problemas com um ou outro sujeito, mas todos fazem de conta que são ótimos amigos e super camaradas, só pra não pegar mal no filme. Me lembro de quando eu era mais jovem e minha mãe ainda era viva e resolveram fazer uma confraternização no mc Donalds, com direito a levar família e tudo mais. Minha mãe levou eu e meu irmão e uma das professoras olhou pra gente e disse “não comam muito pra não fazer sua mãe gastar muito dinheiro”. Minha mãe olhou pra gente e falou “podem comer o que quiserem, eu tenho dois salários pra isso”. Tipo o Julius, pai do Chris, do seriado todo mundo odeia o Chris, mas no caso dela, uma mulher. Lembro que me segurei pra não rir, mas fiquei feliz com a atitude dela. Que importam as outras pessoas? Quero estar bem com as pessoas que amo e que quero bem. Não que esteja acontecendo. Mas esse post não é pra falar disso, e sim pra divagar. Divagar!
Sábado passado eu fui num evento de animes. Ressaca Friends. Tinha um algodão doce preto sendo distribuído no estande de Harry Potter que deixava os dentes, os lábios e inclusive o seu intestino azuis. Tinha também a Comix, que eu não via desde muito tempo atrás, e que me fez agradecer fortemente pela Yamato ter vendido o evento. E tinha um panda oferecendo abraços grátis, com um rapaz do lado distribuindo adesivos, em forma de cabeça de panda e com os dizeres “abraços grátis” dentro. E tinham vários casais. Mas meu par é tímido. E eu estou num estado choroso. Sim, choroso. Não é líquido, nem gasoso, nem sólido, é choroso. As pessoas normais são enterradas. Minha mãe foi cremada. Michael Jackson virou purpurina. Eu vou me desfazer em lágrimas. Cada um tem o fim que escolhe. E como a premissa é verdadeira, esse post tem seu fim aqui.

sábado, 2 de dezembro de 2017

Idade do Condor

Quando eu era mais nova ouvi uma piada sobre as idades e, de todas elas, teve uma que eu nunca esqueci, que foi a idade que me foi descrita como a “idade do condor”, que basicamente profetiza que, em determinado momento da sua vida, você vai sentir dor. Não importa o que você faça. O engraçado de dizer isso é que eu estou, sim, em uma idade que ando sentindo dores o tempo todo, apesar de culpar as pessoas que sempre disseram e perguntaram, espantadas, se o peso dos meus seios não fazia com que eu tivesse dores nas costas ou nos ombros. Da mesma forma, meu namorado se queixa bastante de dores, mesmo tento praticamente metade da minha idade. Não vamos esquecer, no entanto, que ele está numa idade que o corpo está sofrendo mudanças constantes, o que pode explicar um pouco das dores. Ele também gosta de sentar numa posição que ele mesmo sabe que, com o tempo, faz as costas doerem, no entanto, ele se acostumou com aquela posição. Não posso julgá-lo nem reprimi-lo pois foram coisas que estavam na vida dele antes de eu fazer parte dela. Eu fiz um curso de massagem pra poder aprender métodos de ajudar pessoas que estivessem nessa idade da vida, pois acho que deve ser muito triste sentir dor o tempo todo, não importa o que se faça. Se puder amenizar essa dor, eu o farei. O que nos leva a pergunta… O que você tem feito da sua idade?
Ouvi que a idade é só um número e, ao mesmo tempo, justifiquei muitos dos erros que as pessoas cometeram comigo por conta da idade que elas tinham. Acredito que até os 20 anos a gente não tem muita noção do que está fazendo no mundo ainda. Eu, com minha idade, após ser uma pessoa totalmente madura e comprar um celular numa promoção pra economizar dinheiro, assim que ele chegou em minhas mãos e consegui fazer ele entrar na internet, baixei dois jogos que, com certeza, qualquer pessoa consideraria de criança, que foram Animal Crossing: Pocket Camp e Pokémon Go. Também baixei Deemo pro meu namorado pois ele sempre fala tão bem do jogo e, como eu nunca baixei, resolvi dar uma olhadinha… só pra descobrir que não tenho dom pra jogar aquel jogo. A idade pode ser, no fim das contas, realmente apenas um número. As dores virão? Bem, houve uma época que eu acreditava que era balela, hoje acabo acreditando um pouco mais. O importante mesmo é que estou vivendo de uma forma um pouco mais leve desde que meu namorado entrou na minha vida. Temos problemas? Com certeza, como todo casal, como toda pessoa, como todo ser vivo. Mas também quero acreditar que promessas não são em vão e que o Condor que nos ronda sirva pra algo além de nos trazer dor.

sábado, 25 de novembro de 2017

O Tempo Que Nos Separa

No dia trinta de setembro de mil novecentos e oitenta e cinco nascia uma criança que foi muito, muito desejada e esperada. Os pais dessa criança esperaram um bom tempo até decidirem tentar ter filhos e, quando começaram a tentar, esbarraram em várias dificuldades. O nascimento daquela criança era, por si só, uma vitória para aqueles pais. Ela demorou pra começar a ter cabelo mas, quando o teve, era invejado por conta dos cachos. Tanto que, quando o advento da escola aconteceu, não sendo suficiente que alguma criança maldosa tivesse grudado chiclete nos cabelos dela, ela acabou pegando piolho, o que resultou no jeito mais fácil de combate a essa praga, mesmo que a maioria dos pais relute muito pra fazer isso com sua garotinha: cortou o cabelo curto, como de um menino. Ao ponto que, em uma foto específica, uma garota chegou a perguntar a menina, “quem é essa garoto lindo?” Sua resposta foi “sou eu”. No ano de dois mil a garota completaria quinze anos. Foi o ano em que ela entrou no ensino médio e, também, no ensino técnico do Senai. Numa sala de trinta e dois alunos haviam três mulheres das quais uma era ela. Uma vida inteira convivendo com mulheres e, no entanto, ao começar a estudar naquele lugar e conviver com os homens, ela percebeu que era muito mais confortável viver entre eles. As meninas eram muito dissimuladas, muito atrevidas, muito maduras. Ela, apesar dos seus quinze anos, era não mais que uma garotinha inocente.
Naquele mesmo ano nascia um garoto. Sua vida foi bastante complicada com vários eventos como o divórcio de seus pais, o casamento de sua mãe com um padrasto e a nomadicidade que foi imposta à vida dele para que pudesse estudar e passar algum tempo com sua família. Quando ele completasse quinze anos sua garota estaria completando trinta. Quase uma situação daqueles problemas matemáticos que nossos professores adoram, “Luciana tem o dobro da idade de Henrique. Sabendo que seu irmão, que é onze meses mais novo que ela nasceu no ano de 1986, qual a idade de Luciana? E qual o ano de nascimento de Henrique?” Seria cômico se não fosse trágico. Naquela época, se tivéssemos nos conhecido, provavelmente nunca teríamos chegado onde estamos hoje. Ou talvez teríamos.
Estamos no ano de dois mil e dezessete. Eu tenho trinta e dois anos. Ele tem dezessete. Eu tenho o péssimo costume, desde os tempos do Edgar, de considerar a idade uma justificativa para muitos erros que o outro comete. “Ele é jovem, não sabe o que faz.” Entre outras tantas desculpas que eu dava pra mim mesma. É cômodo quando você quer continuar com alguém que você ignore os erros dela. Ou não. Aprendi que gostar de alguém é aceitar suas qualidades, defeitos e verdades. E é aqui que o tempo correu de forma cruel para nós todos. É verdade que quando estou de TPM me torno uma pessoa insuportável, tenho plena consciência disso. Talvez eu devesse ler alguns livros sobre como evitar esses sintomas. Muita gente diz que esses sintomas são invenção de nossas cabeças. Bem, não sei se é invenção ou não, mas eu percebo que fico mais briguenta. E juro que estou me esforçando pra não ser assim! Existem dias que tudo que eu quero é ficar ali, quietinha. Sozinha. Ou sozinha com meu amor. Acontece que, como era esperado com o passar do tempo, meu amor se sentiu sufocado. Brigamos muito por vários dias. Tivemos discussões bobas e inúteis que começaram a pesar. E durante essa semana ele me pediu um tempo.
Tempo.
A única vez que eu ouvi alguém me contando uma história sobre um tempo em um relacionamento foi minha amiga Liliane quando seu primeiro namorado, por motivos que hoje nem me recordo, pediu para que eles dessem um tempo no relacionamento. A resposta dela, como era de se esperar de uma pessoa com a personalidade forte que ela tem, foi a de que, se era pra que eles dessem um tempo, era melhor que eles terminassem.
Tempo.
E eu entrei em pânico. Eu achava que estava me esforçando por nós dois. Eu ficava com ele por perceber que ele tinha ciúmes quando eu ficava conversando com outras pessoas e, com o tempo, me acostumei a ficar mais com ele do que com os outros. Aos poucos fui me afastando das pessoas, parando de fazer algumas coisas que eu gosto e até mesmo tentar interagir com pessoas que não fossem ele. Isso, obviamente, sufoca uma pessoa além da conta. Eu sei disso. Mas não me dei conta disso, pois não existiam indicadores de que ele estava se sentindo assim. Até que as brigas explodiram e houve o pedido.
Tempo.
Eu me senti perdida. Abandonada. Onde eu tinha errado? Seria aquilo o fim? Ele pediu, de fato, uma semana. Apenas uma semana. Se parar pra pensar, uma semana passa rápido. Mas diga isso pra um coração que dói. Uma semana agindo apenas como amigos, depois de quase seis meses de namoro. Uma semana começou a parecer tempo demais. Minha salvação foi uma Lucimar que me pediu pra ir visitar a casa dela para pegar algumas encomendas que pedi para serem entregues na casa dela, já que eu não confio no carteiro da minha casa. Acabou, inclusive, que o pedido de tempo me foi feito enquanto eu me locomovia da casa dela pro setor. Do setor para casa já estava pensando no que eu ia fazer da vida se ele quisesse terminar comigo. Demorou um tempo até que eu conseguisse digerir a informação e aceitar que, se ele queria uma semana, seria uma semana. Se eu queria ajudar de alguma forma não seria impondo minhas vontades e minha presença que ajudaria. Então comecei a fazer planos de coisas que eu poderia fazer durante aquela semana. Até cogitei a possibilidade de ir assistir o assassinato no expresso oriente sozinha, no dia da estréia, ao invés de esperar o sábado pra ir assistir com ele. No entanto, o tempo destrói mas ele também cura. Não precisou de muito mais do que um dia longe pra ele pedir pra que a gente voltasse do jeito que era, pois ele não tinha pensado em tudo que ele estava perdendo com aquele pedido.
Tempo.

E durante o dia as coisas foram se arrumando e se organizando e agora, neste momento, posso dizer que talvez as coisas ainda estejam um tanto quanto abaladas entre nós, mas vou continuar acreditando que os 15 anos de diferença entre nós, a uma semana de TPM que tenho todos os meses ou o pedido de tempo que durou um dia serão o suficiente para que nosso relacionamento acabe. Desmoronou um pouco? Talvez. Mas da mesma forma que o tempo destrói, o tempo constrói.

sábado, 11 de novembro de 2017

Enem

Pra quem não sabe, semana passada eu fiz a primeira parte da prova do Enem. Isso significa que eu, como a pessoa que tenta ser responsável que sou, vou passar algumas horas do meu domingo numa sala de aula no quinto andar do campus da faculdade Anhanguera, tentando resolver exercícios da tecnologia tanto da ciência quanto da matemática. Não levei o caderno de questões pois honestamente achei que era muito tempo pra ficar esperando, só pra levar a prova. Quando cheguei em casa, meu pai já estava lá. Sim, caso estejam se perguntando, meu pai também fez o Enem. Meu namorado também. E, para minha surpresa, meu chefe também. Cheguei no trabalho comentando sobre o tema da redação que, apesar de eu ter tido uma mãe que era professora, foi bem difícil de desenvolver, pois ela nunca tinha dado aula para surdos. Foi quando meu chefe perguntou onde eu fiz minha prova e comentou onde ele fez a dele. Minha surpresa durou, provavelmente, alguns segundos, até que lembrei o tipo de pessoa estudiosa que ele é. Além dele soube de mais uma pessoa que fez a prova, um amigo de longa data que mora no sul, além da minha amiga Lucimar que nos deu uma carona até o local da prova. Mesmo mal ela foi, pois, segundo ela, existe uma gratuidade para pessoas de baixa renda da qual ela faz parte, no entanto essa gratuidade é perdida caso se falte na prova. Então ela se esforçou bastante pra ir.
Vamos falar da parte de humanas da prova? Vamos!
Pra começo de conversa, me pergunto se alguém esperava aquele tema de redação. O Silver me disse vários temas que podiam ser o da redação e, no entanto, nos surpreenderam com um tema desses. Acredito que pessoas que estudaram em escolas com inclusão devem ter tirado de letra. Mas eu não! Nunca estudei Libras, nem convivi com pessoas com deficiência de fala ou de audição. Já vi pessoas no ônibus se comunicando através de sinais, acredito que todos nós vimos em algum momento de nossas vidas tais pessoas. No entanto, como deve ser a convivência de pessoas “normais” com essas pessoas? Minha sorte é que deixei a redação pro final. A minha prova era a de cor rosa e eu levei bastante tempo lendo cada questão. Todas as questões tinham algum texto, quando não imagens atreladas ao texto, te forçando a ler bastante. Não que eu esteja reclamando, já que ler é uma coisa que não me incomoda. No entanto, confesso, terminei a prova sentindo cansaço nos olhos. Saí da faculdade, liguei o celular e fui recepcionada com uma mensagem instantânea da sogra, “como foi a prova?” Minha resposta que “foi divertido, mas cansativo” a deixou surpresa. “É a primeira vez que ouço alguém se referir ao Enem como divertido”. Que bom que tem uma primeira vez pra tudo!

Não sei como vai ser minha nota, nem como vai ser a nota das pessoas ao meu redor. Verdade seja dita, não li uma linha sequer que pudesse ser considerada estudo pra essa prova, mas queria fazer a prova exatamente assim, crua. Quero saber quanto eu estou apanhando pra vida, quanto meus estudos foram defasados e quanto meu cérebro consegue me surpreender nessa prova. Como costumo dizer pro meu amor, quando você não cria expectativas, qualquer resultado te satisfaz, e é bem nessa vibe que estou encarando o Enem. Conforme for, quem sabe, eu não volte a abordar este assunto no futuro? Só a minha nota poderá dizer!